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Empresa abre ao público software que ajuda Stephen Hawking a falar

O físico britânico Stephen Hawking sofre de uma grave doença conhecida como esclerose amiotrófica, que causa a morte dos neurônios responsáveis pelas atividades motoras - AFP
O físico britânico Stephen Hawking sofre de uma grave doença conhecida como esclerose amiotrófica, que causa a morte dos neurônios responsáveis pelas atividades motoras Imagem: AFP

20/08/2015 10h51

O software ACAT foi criado especialmente para físico britânico Stephen Hawking

O código do software que possibilita ao físico Stephen Hawking falar através de um computador foi aberto ao público na internet por sua criadora, a Intel.

O programa, que agora também pode ser baixado gratuitamente por qualquer um, interpreta sinais visuais e os traduz em palavras, que são então "faladas" por uma voz sintetizada.

A Intel desenvolveu o programa, originalmente, especialmente para Hawking, mas ela já foi usada por outros afetados por doenças do neurônio motor (que afetam as células que controlam a atividade muscular).

A Intel espera que o ACAT, que roda no Microsoft Windows 7 e versões superiores, possa ser aperfeiçoado por pesquisadores que desenvolvem novas interfaces para pessoas que sofrem de doenças como a ELA (esclerose lateral amiotrófica), que afeta a Hawking.

O programa e o código-fonte completo foram publicados no site de compartilhamento de programação GitHub.

Escolha de sensor

A Intel experimentou diversos sensores para desenvolver o programa usado por Hawking

A Intel disse à BBC que o software pode executar outras funções além de enviar textos para um sintetizador de fala.

"Temos menus para acessar diferentes partes do computador", disse Lama Nachman, engenheira-chefe. "Se você quer usar o Word, navegar na internet e falar você pode usar o ACAT para isso."

Ela acrescentou que a equipe testou diversos sensores, e que esperam que os desenvolvedores tentem outras opções adequadas às necessidades e habilidades de cada paciente.

"Também temos um sensor [de movimento] chamado acelerômetro para pacientes que conseguem usar apenas o dedo, e um sistema de botão para quem consegue apertar botões", disse ela.

A Associação de Doenças do Neurônio Motor (MND Association) do Reino Unido elogiou a iniciativa da Intel.

Papel e caneta

"Ajudar a manter a comunicação de uma pessoa com esta doença pode ser simples como usar papel e caneta. Mas, à medida que a doença avança, as pessoas muitas vezes perdem o uso das mãos também", disse Karen Pearce, diretora de assistência da MND Association.

"É aí que a tecnologia de ponta AAC (Comunicação Ampliada e Alternativa, que auxilia pessoas com dificuldades) pode ajudar, mas é vital que terapeutas de discurso e linguagem avaliem as melhores opções para as famílias."

"Vai ser empolgante ver como vai funcionar essa abordagem de código aberto", diz.

A "AAC é uma parte fundamental da minha vida. Ao contrário de pesquisas médicas, a tecnologia está avançando muito rapidamente, e é animador ver novas coisas surgindo todos os anos", disse Euan MacDonald, que sofre de doença do neurônio motor e faz avaliações sobre acesso para deficientes no site Euan's Guide.

"Quanto mais tecnologias que nos ajudem a expressar o que pensamos, melhor", disse.