Topo

O 'festival de clitóris' e outros 5 erros que levaram o Google a pedir desculpas

05/11/2015 15h34

No passado, o Google confundiu cavalos com cachorros no Google Imagens e capturou fotos de pessoas nuas no Google Street View.

Mas nunca na história da ferramenta de busca um tradicional festival gastronômico, orgulho de milhares de pessoas, acabou promovido mundialmente como uma espécie de festa sexual por causa de um erro de tradução no serviço online gratuito da gigante de tecnologia.

Conheças os principais erros do Google dos últimos anos.

1. "Festival de clitóris"

Pontes de García Rodríguez, na Galícia, é um pequeno vilarejo de 11 mil habitantes no noroeste da Espanha que todos os anos celebra a agricultura homenageando o grelo, uma singela folha verde presente em vários pratos da rica cozinha galega.

Os organizadores da tradicional "Feira do Grelo", celebrada durante o domingo de Carnaval, utilizaram o Google Tradutor para traduzir o nome do evento do galego para o espanhol.

E a ferramenta confundiu o grelo galego com o grelo em português: e assim surgiu a festa do "clitóris".

O convite, que foi divulgado na quinta-feira passada, dizia: "O 'clitóris' é um dos produtos típicos da cozinha galega (...) o festival fez do 'clitóris' um dos produtos mais importantes da gastronomia local".

O erro foi consertado. A tradução que agora aparece na ferramenta é "brote".

Uma funcionária da prefeitura do vilarejo disse aos meios de comunicação que o governo local considerou o episódio um "erro muito grave".

2. 'Gorilas'

Em julho do ano passado, o Google teve de pedir desculpas ao referir-se a um casal negro como "gorilas".

Google Fotos identificou pessoas negras como "gorilas" - Reprodução/Twitter/@jackyalcine - Reprodução/Twitter/@jackyalcine
Imagem: Reprodução/Twitter/@jackyalcine

O caso aconteceu nos Estados Unidos, onde a questão racial é extremamente sensível.

A polêmica surgiu por causa do Google Fotos, um aplicativo para compartilhar e armazenar imagens e vídeos, poucos dias após seu lançamento.

O app nomeia automaticamente as imagens a que os usuários dão upload no sistema.

A primeira a se queixar foi uma das pessoas retratadas na imagem, Jacky Alcine, um desenvolvedor de software que vive em Nova York.

Em pouco tempo, centenas de usuários passaram a criticar o Google pelas denominações racistas que o sistema atribuía às fotos.

A empresa pediu desculpas imediatamente pelo ocorrido.

"Estamos consternados e sentimos realmente pelo que aconteceu", disse um porta-voz da empresa à BBC na ocasião.

O Google também assegurou estar "tomando ações imediatas para evitar esse tipo de resultado".

3. Praça Adolfo Hitler

Durante algumas horas de janeiro de 2014, o Google Mapas cometeu um erro urbanístico e histórico, que para muitos foi considerado extremamente ofensivo.

A ferramenta renomeou uma importante praça de Berlim como "Adolfo Hitler", o nome que batizou o local entre 1933 a 1947, incluindo o período da 2ª Guerra Mundial.

O escândalo teve repercussão imediata, e a imprensa --sobretudo alemã-- não demorou a registrar o episódio.

Os veículos de comunicação exigiram explicações sobre o reaparecimento do nome do líder nazista e responsável pelo Holocausto, que matou 6 milhões de judeus.

Questionados pelo jornal alemão "B.Z.", os representantes do Google não conseguiram explicar por que o episódio aconteceu e asseguraram estar buscando a origem do problema.

O nome da praça foi substituído em questão de horas pelo seu nome atual, Theodor-Heuss-Platz, e o buscador foi obrigado a emitir um pedido de desculpas público.

"Sempre que nos avisam que há um nome errado ou falso no Google Mapas, o corrigimos imediatamente", afirmou o porta-voz do Google em um comunicado enviado à imprensa alemã. "Pedimos desculpas por este erro."

4. Cadáver no Google Maps

Um homem de Richmond, no Estado americano da Califórnia, disse que, em 2013, o Google Mapas manteve no ar a foto de seu filho morto por um longo período de tempo. Ele havia sido assassinado em 2009 e seu corpo deixado junto a um trilho de trem perto de sua casa.

O Google se desculpou, mas disse que precisaria de oito dias para remover a imagem da criança de seu sistema de pesquisa e visualização de mapas.

A notícia de que o cadáver de Kevin Barrera, de 14 anos, podia ser visto perfeitamente no Google Maps comoveu o mundo.

O corpo do jovem aparecia cercado por quatro pessoas e uma patrulha da polícia.

"Nossos corações estão com a família do jovem", disse Brian McClendon, vice-presidente do Google Maps em um comunicado. "Creio que podemos resolver (este problema) em oito dias. Já comunicamos à família que estamos trabalhando duro para solucioná-lo".

O Google nunca explicou por que necessitava de mais de uma semana para apagar a imagem do jovem do sistema.

5. "A casa do preto"

Até maio deste ano, quem escrevesse no Google Mapas a frase em inglês "nigger house" ("a casa do preto") ou nigger king ("rei preto"), era redirecionado à Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro negro a liderar o país. "Nigger" é uma palavra usada para designar de maneira ofensiva pessoas negras.

Assim como o caso do casal negro, essa e outras buscas consideradas racistas foram objeto de duras críticas dos Estados Unidos e levaram o Google a se explicar e a pedir desculpas.

No caso de Obama, a empresa reconheceu por meio de um comunicado que foram registrados "alguns resultados inapropriados no Google Maps que não deveriam ter aparecido" e assegurou que estava trabalhando para "solucionar o problema rapidamente".

Episódios envolvendo racismo em resultados de buscas feitas no Google, entretanto, vêm se multiplicando.

Há poucos dias, um estudante da Universidade Howard, em Washington, afirmou que, ao escrever palavras depreciativas para se referir à comunidade negra, a busca do Google redirecionava a pesquisa a lugares frequentados por negros, como a sua própria universidade.

6. Android urina sobre Apple

Em abril deste ano, vários usuários do Google Mapas no Paquistão se depararam com uma imagem bastante polêmica: o logo do sistema operacional do Google, o Android, urinando sobre a logo da Apple.

A imagem foi gerada pelo Map Maker, que permite aos usuários atualizar mapas.

A polêmica ganhou força pela competição acirrada entre as duas empresas no setor de tecnologia, sobretudo no mercado de dispositivos móveis, provocando críticas dos usuários da Apple.

O Google alegou que a imagem, que deu a volta ao mundo, foi gerada por usuários graças ao aplicativo, que permitia a qualquer pessoa atualizar os mapas do Google Mapas.

"Pedimos desculpas por este conteúdo inapropriado criado por usuários, estamos trabalhando para tirá-lo do ar rapidamente", disse o Google em comunicado.

"Tiramos lições de casos como esse e estamos melhorando constantemente para detectar, prevenir e administrações edições maliciosas", acrescentou a empresa.