Saiba se smartphone 4G comprado no exterior funciona no Brasil

Ana Ikeda
Do UOL, em São Paulo

Fugir dos preços altos dos smartphones e tablets comprando os aparelhos no exterior é prática comum para brasileiros. Mas quem está pensando em adquirir dispositivos com suporte à internet móvel 4G, recém-lançada em algumas cidades no Brasil e mais veloz que a 3G, deve tomar cuidado. Isso porque a grande maioria dos gadgets vendidos no exterior não é compatível com a rede móvel de quarta geração daqui.

Em sua primeira etapa de implantação, a rede 4G brasileira está funcionando nas faixas de frequência de 2.500 Mhz a 2.600 Mhz. Nos Estados Unidos, um dos principais destinos procurados por quem quer comprar gadgets no exterior, a rede 4G opera nas faixas de 700 Mhz a 2.100 Mhz. Portanto, aparelhos como o iPhone 5, com suporte à internet móvel ultraveloz daquele país, não são compatíveis à rede brasileira.  A incompatibilidade também ocorre na via contrária: um aparelho 4G comprado no Brasil não funcionará na rede 4G no exterior.

Até o momento, 15 países no mundo já têm redes 4G em operação em uma das faixas de frequência que também é usada no Brasil, de 2.600 MHz. Isso não significa necessariamente que um dispositivo 4G comprado nesses locais e trazido para cá vai funcionar, explica Ruy Bottesi, presidente da AET (Associação de Engenheiros de Telecomunicações).

No Brasil, "pedaços" da faixa do 4G, que vai de 2.500 a 2.600 Mhz, desempenham tarefas diferentes. Há uma subfaixa só para download de dados (eles vão da estação rádio-base ao celular), outra só para upload (os dados vão do celular à estação rádio-base) e uma intermediária onde ambas as tarefas ocorrem. "Imagine as faixas de frequência como se fossem fitas métricas, com divisões em centímetros.

As operadoras compram divisões dessas fitas e cada uma delas configura seus chips para esses intervalos", detalha Bottesi. Esses pequenos pedaços de faixa teriam de coincidir exatamente com aqueles dos aparelhos  comprados no exterior, o que é muito raro, segundo o especialista. Ou seja: existe um chance remota de a conexão 4G do aparelho importado funcionar aqui, mas você terá muita sorte se isso realmente acontecer. 

Como funcionam as faixas de frequência do 4G

  • Arte UOL

    As faixas de frequência funcionam tal qual uma fita métrica, cada pedaço dela entre 2.500 Mhz a 2.690 Mhz é destinada a uma operadora. No caso brasileiro, há subfaixas específicas só para download e upload, além de uma intermediária onde as duas tarefas ocorrem. Exemplo: a subfaixa P é usada por uma operadora para upload de dados de 2.500 a 2.510 Mhz. Essa mesma operadora usa a subfaixa de 2.620 a 2.630 Mhz para download dos dados

Outra questão é a restrição que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) pretende fazer em relação a celulares sem homologação, que poderá inutilizar aparelhos comprados no exterior – ainda não está confirmado se esses celulares comprados no exterior serão bloqueados.

Caso você compre um smartphone no exterior com suporte a 4G, ele funcionará na rede 3G brasileira se for compatível com as faixas de 850 Mhz, 1.900 Mhz ou 2.100 Mhz, utilizadas pelas operadoras nacionais. Para saber em qual faixa de frequência o aparelho estrangeiro está habilitado, vale questionar o vendedor no ato da compra ou checar as especificações técnicas do gadget no site que a fabricante mantém em cada país.

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  • http://tecnologia.uol.com.br/enquetes/2013/04/12/voce-vai-migrar-para-a-internet-4g.js

Outros recursos como Wi-Fi, ligações e SMS poderão ser usados normalmente. No entanto, a compra do aparelho estrangeiro com 4G pode não compensar, porque eles são em geral mais caros e diversas fabricantes oferecem os mesmos modelos em versões 3G. É o caso, por exemplo, do Samsung Galaxy S4.

Faixa de 700 Mhz

Essa situação pode melhorar quando for implantada a rede 4G na frequência de 700 Mhz, utilizada em 47 países, entre eles os Estados Unidos. A faixa é ocupada pelo sinal da TV aberta e, concluída a transição para a TV digital, ela poderá ser usada pelas operadoras para o serviço de internet móvel.

No entanto, ainda é necessário que a Anatel realize o leilão das licenças às operadoras para oferta do serviço nessa faixa, o que deve ocorrer até março de 2014. Além disso, a limpeza da faixa só deve ser concluída em 2015 – só depois disso as operadoras poderão comercializar a internet 4G.

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