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30/10/2006 - 15h10
ESPECIAL-Home broker cativa brasileiro e chama atenção d banco

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO (Reuters) - O administrador de empresas Filipe Vana, de 28 anos, trabalha em uma empresa de publicidade. Nas horas vagas, uma das coisas que mais gosta de fazer é, por conta própria, comprar e vender ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) por meio da Internet.

"Entrei na bolsa por rentabilidade e prazer. É emocionante! Eu não consigo ficar fora, preciso acompanhar o dia inteiro", conta Filipe, que aplica na bolsa há cerca de um ano e meio e já fez uma série de cursos para aprimorar seus conhecimentos na área. Seu próximo projeto é uma pós-graduação em renda variável.

"Do que sobra de dinheiro no fim do mês, coloco tudo (na bolsa). Tento manter 50 (mil reais aplicados)", disse ele, que chega a olhar durante a madrugada como está o mercado asiático.

Em sua carteira, Filipe tem ações como Petrobras, Vale do Rio Doce, Bradesco, Itaú e Rossi .

Os home brokers já são responsáveis por mais de 20 por cento do número de negócios na Bovespa, embora a participação em volume financeiro ainda seja de apenas 6,6 por cento, segundo dados da própria bolsa.

A diferença do número é explicada pelo valor das operações, já que o investimento das pessoas físicas é menor que o de grandes investidores.

A líder em intermediações para home brokers é a Viptrade, braço da Ágora Sênior CTVM, com participação de mercado de cerca de 30 por cento. Ela cobra 20 reais por transação.

"Pessoa física é um segmento importante da Ágora. A gente ainda está fechando (as projeções de) 2007, mas trabalhamos com a continuidade do aumento de home brokers", disse à Reuters Álvaro Bandeira, diretor da corretora.

"É mais barato do que operar via mesa. Home broker vai ter participação cada vez mais expressiva no volume da Bovespa. Para algumas pessoas virou quase vídeo game. Tem alguns clientes que fazem 30 operações em um dia. Mas não é o geral. O geral são pessoas que fazem uma, duas ou três operações por mês."

A tributação também ajuda. Para se investir diretamente, há isenção sobre rendimento para aplicações de até 20 mil reais, enquanto o imposto sobre fundos de ações é de 15 por cento.

AUMENTANDO A TURMA

No último ano, a quantidade de home brokers saltou de 35 mil para quase 60 mil, superando estimativas da própria Bovespa. Em média, cada investidor aplicou no mercado 7,4 mil reais.

"Há cinco anos não tínhamos esse número na bolsa inteira. Para 2007, chegar nos 100 mil é factível", afirmou Ricardo Pinto Nogueira, superintendente de operações da Bovespa.

O recurso do home broker surgiu em abril de 1999, com seis corretoras disponibilizando esse tipo de operação. Um ano depois, o número já era de 37 corretoras, mas o volume financeiro movimentado não chegava a 0,5 por cento do total. Hoje já são 53 corretoras.

"A quantidade de IPOs (oferta pública inicial de ações) também estimula. Uma coisa que a gente nota é que quando tem muito IPO, aumenta o número de investidores", disse Nogueira.

A Bovespa passa pela melhor fase de IPOs desde o início do Plano Real. Vinte e uma empresas lançaram ações este ano, enquanto o total levantado nesse tipo de operação, incluindo também companhias que já tinham capital aberto, está em quase 28 bilhões de reais, outro recorde para o período.

NICHO ATRATIVO

Diversos bancos têm investido nesse segmento, oferecendo palestras, encontros com analistas e, em alguns casos, criando até salas especiais para clientes interessados em investir.

O Itaú Personnalité tem atualmente duas salas de ações. O Bradesco possui o mesmo número, mas espera abrir mais cinco ainda este ano e chegar a 40 até o fim de 2007.

"(O segmento) vai crescer exponencialmente, uma vez que agora a pessoa física está pegando mais gosto pelo mercado de ações", previu Sérgio de Oliveira, diretor-executivo do maior banco privado do país, que ocupa a sexta posição no ranking anual de home brokers da Bovespa. No dia-a-dia, a instituição tem ficado entre o terceiro e o quarto lugar.

"Melhoramos bastante de uns tempos para cá... Fizemos investimento alto para tornar o site mais ágil. Sabíamos que ia ter uma procura muito grande de pessoas físicas pelo mercado de ações."

Parte do aumento do interesse vem também da redução da taxa básica de juro, que passou de 26,5 por cento para 13,75 no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do bom desempenho da bolsa nos últimos anos.

O principal indicador da Bovespa acumula alta de 17,5 por cento em 2006 e analistas acreditam que deve encerrar o ano perto do recorde histórico atingido em maio, de 41.979 pontos.

O Ibovespa fechou a 39.328 pontos na sexta-feira e tudo indica que terá o quarto ano seguido de ganhos. Desde o início de 2003, o índice já subiu quase 250 por cento. Os três anos anteriores, no entanto, foram de quedas consecutivas. De 2000 a 2002, o indicador perdeu 34 por cento.


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