25/06/2007 - 17h22
Mercado financeiro usa poder de leitura dos computadores para detectar tendências

Por Kevin Plumberg
Da Reuters, em Nova York
Uma pessoa demora cerca de 10 minutos para ler uma reportagem de 2.500 palavras publicada na primeira página do Wall Street Journal. Programas de computadores vêm cada vez mais sendo usados por investidores a fim de vasculhar notícias, e são capazes de processar um texto desse tamanho em três centésimos de segundo.
Algoritmos —programas que resolvem problemas com base em fórmulas matemáticas— estão tornando mais fácil para os investidores filtrar a imensa quantidade de textos produzidos por agências de notícias em tempo real, jornais, publicações especializadas, estudos clínicos e documentos jurídicos, à procura de informações importantes, e também facilitam realizar transações com base nesses dados em um piscar de olhos.
A crescente gama de notícias veiculadas em mídias não tradicionais, como blogs e páginas de chat na Web, são um desafio para os leitores robotizados.
Mas a velocidade e a eficiência oferecida pelos algoritmos de garimpo de notícias estão ajudando os "hedge funds" que contam com poucos funcionários a gerar volume de transações semelhante ao dos maiores bancos de investimentos, e podem favorecer o setor de mídia.
"Existe uma nova categoria na tecnologia da informação", disse John Partridge, vice-presidente de soluções setoriais na StreamBase Systems, fornecedora de tecnologia que se especializa em processar transmissões de dados em tempo real.
Investidores como os "hedge funds" vêm usando plataformas de garimpo de notícias como as oferecidas pela StreamBase para vasculhar centenas de fontes de texto a fim de identificar palavras-chave que serviriam de gatilho a transações financeiras, com ordens automatizadas de compra ou de venda de ativos.
Entre as palavras mais populares nessa modalidade de busca estão expressões como "reduz sua perspectiva" ou "melhora sua recomendação", e até termos menos precisos como "desempenho estelar", que poderiam resultar em alta ou queda no valor de uma ação.
Os "hedge funds", com seu estilo veloz de operação, muitas vezes deixam que as plataformas de garimpo de notícias operem sozinhas, o que permite explorar a velocidade que a tecnologia confere.
Mas os investidores de longo prazo se interessam menos por inundar o mercado de pedidos de compra ou venda de uma ação causados por uma determinada manchete. Eles estão usando as plataformas para acompanhar desdobramentos que possam afetar empresas cujas ações detenham, ou influenciar suas estratégias, afirmam os desenvolvedores dessas tecnologias.
No banco francês de investimentos BNP Paribas, o "indicador de fraqueza" contabiliza quantas vezes as palavras fraco, fraqueza ou enfraquecimento aparecem no Livro Bege, relatório do Federal Reserve sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos.
Mais de 50 referências no relatório geralmente sinalizam que a economia norte-americana está à beira de uma recessão.