Cambridge Analytica: quem é quem no escândalo?

Do UOL, em São Paulo

Um pesquisador russo, um CEO de métodos questionáveis, um antecipador de tendências: conheça mais sobre as figuras ligadas à Cambridge Analytica, empresa de análises de dados que foi acusada de ter coletado e usado os dados de 50 milhões de usuários do Facebook.

As informações acumuladas revelaram o perfil completo de eleitores, que passaram a receber propaganda altamente personalizada durante, por exemplo, a campanha de Donald Trump e do Brexit.

O escândalo explodiu neste final de semana, depois que um ex-funcionário da Cambridge Analytica, chamado Christopher Wylie, revelou que a consultoria britânica pegava dados das pessoas que fizeram o teste e também de seus amigos, sem consentimento.

Entenda quem é quem

O cérebro: Aleksandr Kogan

Por intermédio de sua empresa Global Science Research (GSR), esse jovem pesquisador russo de psicologia e de psicometria desenvolveu o aplicativo "thisisyourdigitallife". Com um quiz disponível no app, ele coletou dados pessoais no Facebook que foram transmitidos para a Cambridge Analytica. Até agora, Kogan afirma que a consultoria britânica lhe garantiu que tudo foi feito dentro da legalidade e de acordo com os termos de utilização do Facebook. Ainda assim, reconhece que deveria colocado mais questões sobre o assunto.

Emigrado para os Estados Unidos aos 7 anos, estudou na Universidade de Berkeley, na Califórnia, e obteve seu doutorado em Hong Kong em 2011, antes de entrar para a Universidade de Cambridge. Também é pesquisador associado na Universidade de São Petersburgo.

O CEO: Alexander Nix

Ele já foi suspenso do posto, mas era o CEO da Cambridge Analytica. Vídeo da rede de televisão britânica Channel 4 mostrou Nix se gabando de seus métodos para desacreditar um adversário político, entre eles corrupção e prostitutas ucranianas. Também se vangloria do papel de sua empresa na eleição do presidente americano, Donald Trump.

Nix passou pela prestigiosa escola de Eton, um celeiro de elites no Reino Unido, e pela Universidade de Manchester. Foi analista financeiro antes de se unir à sociedade britânica de marketing Strategic Communication Laboratories (SCL), da qual a Cambridge Analytica é uma filial. Desenvolveu atividades no exterior e ligadas às eleições.

O "delator": Christopher Wylie

Canadense de 28 anos de cabelo cor-de-rosa era um antecipador de tendências. Contou ao jornal "The Observer" como teve a ideia de ligar o estudo de personalidade ao do voto político. Ele então se encontrou com Alexander Nix, que lhe ofereceu um emprego, dando-lhe carta branca. Wylie disse ter-se reunido com Steve Bannon, ex-conselheiro estratégico do presidente Donald Trump, e com Rebekah Mercer, filha de um milionário que apoiou Trump.

Em entrevista à rede canadense CBC, ele considerou, porém, que os métodos da Cambridge Analytica eram "problemáticos", porque eram baseados sobre "dados privados obtidos sem consentimento".

O financiador: Robert Mercer

Empresário americano de 71 anos fez fortuna nos fundos de investimento e é um dos principais doadores do Partido Republicano. Financiou a Cambridge Analytica em cerca de US$ 15 milhões, e sua filha, Rebekah, seria membro de seu conselho administrativo, segundo "The Daily Beast". Esse milionário recluso fez fortuna, graças a algoritmos complicados. Programador na IBM, ele se uniu ao administrador de fundos especulativos Renaissance Technologies. Foi um dos poucos a ficar ao lado de Trump desde o início.

O ideólogo: Steve Bannon

Era um conselheiro próximo de Donald Trump até ser demitido da Casa Branca em 2017. Segundo o jornal "The Observer", estava no comando da Cambridge Analytica. Dirigiu o site de notícias da extrema direita Breitbart News até se tornar diretor de campanha de Trump e, então, conselheiro estratégico na Casa Branca até agosto de 2017. Foi repudiado pelo presidente em janeiro, depois da publicação do livro de Michael Wolff, "Fogo e fúria - por dentro da Casa Branca de Trump", que continua declarações explosivas do ex-assessor.

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