O que aconteceu com os principais personagens da Cambridge Analytica?

Do UOL, em São Paulo

A Cambridge Analytica, consultoria britânica de marketing político que desencadeou o escândalo sobre o uso de dados pessoais no Facebook, anunciou na quarta-feira (2) que parou "imediatamente" todas as suas operações por "inviabilidade".

Em seu comunicado, a empresa diz que foi "o sujeito de numerosas acusações sem fundamento" e que "apesar dos esforços da companhia de corrigir a história", os clientes se afastaram, inviabilizando a operação comercial. A empresa-mãe SCL Group também fechará, informou o Wall Street Journal.

Parte dos personagens passou a atuar na defesa da privacidade dos dados, caso de Brittany Kaiser e Christopher Wylie. Os cabeças do marketing político, no entanto, estão embrenhados em novos projetos.

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Alexander Nix

Co-fundador da Cambridge Analytica e figura centro do escândalo, Nix foi o primeiro a ser suspenso do cargo de executivo-chefe. Isso foi em março, após reportagem do Channel Four, do Reino Unido, exibir um vídeo dele oferecendo a um repórter disfarçado propinas, ex-espiões, informações falsas e até prostitutas para ter políticos na sua mão. Em uma das frases gravadas, dizia: "não precisa ser verdade, só precisa que as pessoas acreditem".

Nix é apontado como a pessoa responsável por fazer o acordo com o psicólogo Aleksandr Kogan que criou o modelo para obter dados de milhões de usuários do Facebook para serem usados em campanhas políticas. Ele agora está no conselho de diretores da uma nova empresa chamada Emerdata, ao lado de Rebekah e Jennifer Mercer, filhas do bilionário, co-fundador da Cambridge Analytica e megaxdoador conservador Robert Mercer, afirma reportagem da Fast Company.

Aleksandr Kogan

Cientista social e pesquisador da Universidade de Cambridge que ajudou a consultoria Cambridge Analytica a coletar dados do Facebook de milhões de usuários dos EUA, Kogan permanece na universidade estudando como as informações das redes sociais podem traçar um perfil comportamental humano.

O acadêmico, que nasceu na Rússia e cresceu nos EUA, onde se formou na Universidade da Califórnia, em Berkeley, desenvolveu um aplicativo de pesquisa de personalidade chamado This is Your Digital Life ("Essa é sua vida digital", em inglês) --que coletava os dados do Facebook que foram entregues para a Cambridge Analytica, de quem era contratado, embora alegue que não tinha ideia de que os dados seriam usados para beneficiar a campanha de Donald Trump.

Em sua defesa, Kogan disse estar "chocado" com as acusações feitas contra ele, já que havia sido informado de que o aplicativo era inteiramente legal e que o Facebook sabia.

Christopher Wylie

Ex-diretor de pesquisa da Cambridge Analytica que revelou o caso aos jornais The Guardian e The New York Times, Wylie afirma que os dados privados, obtidos sem consentimento, foram vendidos para a consultoria e usados para traçar o perfil de eleitores.

O canadense, de 28 anos, cabelo cor-de-rosa e assumidamente gay, era um antecipador de tendências antes de virar um analista de dados políticos.

Desde então, ele falou com diversos jornalistas e legisladores no Reino Unido e nos EUA sobre o assunto. Parece ter virado um ativista pela reforma das leis que regem o uso de dados online.

Família Mercer

Empresário americano de 71 anos que fez fortuna nos fundos de investimento com algoritmos complicados, Robert Mercer é um dos principais doadores do Partido Republicano (e de Trump). Financiou a Cambridge Analytica, e sua filha, Rebekah Mercer, era do conselho administrativo da consultoria. Segundo a Fast Company, não está claro o que vem a seguir para o bilionário taciturno, mas há indícios de que o escândalo da Cambridge Analytica custou a pai e filha influência em círculos conservadores.

Rebekah e sua irmã Jennifer se juntaram ao conselho da Emerdata, ao lado de Alexander Nix, mas também não está claro quais são seus papéis ou os objetivos da empresa.

Darren Bolding

Depois de ter sido diretor-chefe de tecnologia da campanha de Trump e de deixar a Cambridge Analytica, fundou uma empresa de dados chamada Coolidge Technology Limited. "A CTL constrói sistemas e ferramentas que ajudam as organizações a combinar e refinar informações em tempo real de várias fontes para uma fonte única de verdade", segundo o LinkedIn.

Brittany Kaiser

Ex-diretora de desenvolvimento de negócios da Cambridge Analytica, ela virou uma defensora da privacidade de dados. Além de testemunhar perante o Parlamento britânico e falar aos jornalistas, ela se envolveu com a tecnologia blockchain e está assessorando um projeto chamado IOVO (sigla para Internet of Value Omniledger), projetado para permitir que as pessoas controlem seus próprios dados digitais.

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