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De olho na segurança

A luta contra o ciber-extremismo: uma corrida sem fim

Da AFP

Em Paris

  • Patrik Stollarz/AFP

    Garoto escreve com giz "Pare ISIS" (sigla em inglês para o grupo Estado Islâmico) em muro de praça no centro de Bruxelas

    Garoto escreve com giz "Pare ISIS" (sigla em inglês para o grupo Estado Islâmico) em muro de praça no centro de Bruxelas

Suspender milhares de contas por apologia ou promoção do terrorismo, como acaba de fazer o Twitter, é uma medida necessária, mas longe de ser suficiente para parar as ações dos ciber-extremistas, estimam os especialistas.

Por um lado, continua a ser fácil abrir uma nova conta quando são fechadas, por outro, essa política é susceptível de empurrar ainda mais usuários para redes sociais mais confidenciais, criptografadas ou protegidas ou na "web profunda" ("darkweb" ou "deepweb"), parte obscura da internet onde não é possível rastrear ips.

"Suspender mais de 235.000 contas, como acaba de anunciar o Twitter, pode ter uma influência, mas no curto prazo", assegura à AFP Gérôme Billois, especialista no Clube da Segurança da Informação (CLUSIF).

"Existem técnicas bem conhecidas pelos jihadistas e criminosos em geral, que dizem: minha conta no Twitter se chama A, agora chama A1, A2, A3, etc ... Abrir uma conta, leva menos de um minuto. Pode até mesmo ser parcialmente automatizada".

"Temo que essa necessidade, ânsia de propaganda, seja mais forte do que as ações que possam ser adotadas pelo Twitter ao bloquear contas", acrescenta.

Nos últimos meses, grandes companhias americanas da internet, como Twitter, YouTube e Facebook têm estado sob pressão crescente de governos, americanos e outros, para levá-los a lutar de forma mais contundente contra a propaganda jihadista online e a utilização dos seus serviços por redes extremistas.

Todas essas empresas garantem investir cada vez mais recursos nessa batalha, mas "a natureza própria da internet faz com que seja uma corrida sem fim, na qual sempre estamos um passo atrás", estima Gérôme Billois.

300 milhões de utilizadoresSe o Twitter ou outras redes sociais mainstream se tornarem vigilantes demais, os ciber-jihadistas serão incentivados a utilizar softwares ou aplicativos mais difíceis de controlar, como o Telegram, criado por dois russos com o objetivo de manter a confidencialidade, em que as conversar podem ser criptografadas.

As agências de inteligência, muitas vezes preferem deixar fóruns abertos, que eles podem monitorar em atividade, em vez de ver os seus alvos migrar para a darkweb ou criptografia.

"É preciso pensar na estratégia, batalha, táticas militares", explica à AFP o retórico e filósofo Philippe-Joseph Salazar, autor de "Paroles armées - Comprendre et combattre la propagande terroriste" ("Letras armadas - compreender e combater a propaganda terrorista", em tradução livre).

"O Twitter se tornou um campo de batalha. Se esse terreno desaparecer ou se tornar menos fácil, move-se os batalhões para outras parte, isso é tudo. E lá ficamos com o problema do Telegram, ou a darknet".

Para o especialista americano Andrew Macpherson, especialista em segurança cibernética na Universidade de New Hampshire, "devemos medir a magnitude da tarefa de controlar o uso das redes sociais quando há mais de três centenas de milhões de usuários".

"É certo que os grupos terroristas vão continuar a utilizar novas tecnologias para a sua propaganda", acrescentou. "Assim como é certo, que eles sempre vão procurar maneiras de manter e melhorar a confidencialidade das suas comunicações."

Para isso, softwares de anonimização, criptografia e ciber-ocultação são fáceis de encontrar na web.

Não são necessários conhecimentos técnicos para usá-los, como demonstrado em casos recentes em que os investigadores não puderam avançar em suas investigações em razão dos telefones criptografados, mensagens protegidas por senhas inquebráveis ou fóruns privados em que não foram capazes de penetrar.

E se os dispositivos de monitoramento foram se tornando muito eficazes, o grupo Estado Islâmico, por exemplo, tem as habilidades para desenvolver o seu próprio software, garante Gérôme Billois.

"Você coloca uma equipe de quatro e cinco pessoas com as habilidades certas e os incentivos adequados, e eles vão criar serviços inovadores que poderão ser usados por milhares de pessoas", diz. "E essas habilidades, se eles não as têm, são bastante capazes de comprá-las.".

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