O plano de Mark Zuckerberg para criar um robô

Rory Cellan-Jones

Repórter de Tecnologia, BBC News

  • Reprodução/Facebook

    Mark Zuckerberg anunciou em dezembro o nascimento de sua primeira filha com Priscilla Chan

    Mark Zuckerberg anunciou em dezembro o nascimento de sua primeira filha com Priscilla Chan

Estou aqui tentando me lembrar dos meus dois períodos de licença-paternidade. Já faz um bom tempo.

Mas me recordo, vagamente, de trocar fraldas de uma maneira meio desajeitada, de fazer infinitas xícaras de chá - e de uma mistura de uma imensa felicidade e de exaustão total.

O que me lembro com certeza é que nunca pensei em criar um robô para ser um assistente pessoal.

Mas até aí, eu não sou Mark Zuckerberg.

Ao passar algumas semanas em casa com sua filha recém-nascida, o fundador do Facebook teve uma ideia.

Ele acaba de anunciar ao mundo que sua missão pessoal para 2016 é "construir um sistema simples de inteligência artificial para controlar minha casa e me ajudar com meu trabalho. Pense em algo como um tipo de Jarvis no Homem de Ferro".

Jarvis é a inteligência artificial criada por Tony Stark para auxiliá-lo nas HQs e nos filmes do herói.

Aparentemente, esse sistema "simples" vai cuidar de tudo, do aquecimento à iluminação da casa, por meio de comando de voz. Também vai agir como uma espécie de babá eletrônica sobrecarregada para sua filha, Maxima.

Ah, também vai ajudá-lo no trabalho, em tarefas como construir mais serviços e "liderar de maneira mais efetiva" - o que, presumidamente, transforma Zuckerberg em um Tony Stark, talvez sem a armadura do Homem de Ferro.

Reprodução/Facebook/Mark Zuckerberg

Falta de sono?

Mas será que tudo isso veio das poucas horas de sono? De jeito nenhum. Pode até parecer algo meio fantasioso, mas Mark Zuckerberg é quase sempre bem sério em seus anúncios.

Ele está falando ao mundo que o investimento do Facebook em inteligência artificial - que já é bem alto - não é só um projeto paralelo, mas algo de extrema importância para a empresa.

Ele tem analisado o que a Apple está fazendo com a Siri, o Google com o Google Now e a Microsoft com a Cortana. E decidiu que esses assistentes pessoais ainda meio primitivos podem, de verdade, ser o próximo grande acontecimento na tecnologia.

Talvez ele também tenha brincado com o Amazon Echo, alto-falante sem fio que aprende a sua voz e responde a todo tipo de perguntas ou de comandos.

No momento, ele está em Las Vegas se preparando para a CES (International Consumer Electronics Show, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo) e já emprestou um Echo da Amazon.

Atualmente, o alto-falante só está disponível nos Estados Unidos. Mas até agora ele tem entendido bastante bem meu sotaque britânico, me dando informações sobre o noticiário e sobre o tempo quando eu pergunto e tocando Pulp quando eu peço um pouco de Jarvis Cocker.

Mas ele não entende quando eu pergunto sobre os resultados do jogo de críquete, ou quando eu quero saber o valor das ações da Amazon. A Alexa, a voz do Echo, me diz que não tem essas informações.

Assim, ainda há muito espaço para Mark Zuckerberg - e para os engenheiros de sua equipe - desenvolverem um assistente pessoal bem mais útil.

Quem duvida de que em alguns anos vamos ser capazes de falar com o Facebook e fazer com que ele nos ajude em nossas vidas e tome conta de nossas casas?

E mais um detalhe sobre o projeto desse pai de primeira viagem. Ao fazer esse anúncio a apenas alguns dias da CES, da qual o Facebook não participa, ele fez um lembrete para o mundo da tecnologia: não importa o que for anunciado em Las Vegas, sua empresa não ficará para trás.

No fim das contas, uma baita atualização de status. Agora, ele pode voltar a trocar fraldas.

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