Falha em servidor norte-coreano revela os poucos sites que podem ser acessados do exterior

Saira Asher

BBC News

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    A maioria dos sites está em coreano, mas há páginas em inglês também

    A maioria dos sites está em coreano, mas há páginas em inglês também

A Coreia do Norte notoriamente restringe o acesso à internet para seus cidadãos, mas alguns de seus sites podem ser acessados fora do país.

Poucos sabiam dessa possibilidade ou tinham ideia da quantidade de sites norte-coreanos que podiam ser acessados no exterior. Mas uma falha no principal servidor do país nesta semana permitiu que fosse feito um levantamento mais preciso desses sites.

Essa lista foi tornada pública por um engenheiro baseado nos Estados Unidos. Ela indica que há 28 sites norte-coreanos disponíveis na internet, a maioria em coreano e alguns em inglês.

Nesse sites, como já era esperado, há muit apropaganda governamental. Mas também há páginas com informações básicas sobre os ministérios e o turismo no país. Também é possível encontrar na lista páginas especializadas em receitas culinárias e em filmes.

E como essa lista foi divulgada?

Em foto divulgada pela agência de comunicação estatal em setembro de 2016, o presidente Kim Jong-un participa de teste de lançamento de um novo foguete
Foi assim: o engenheiro baseado nos EUA - que não foi identificado - enviava constantemente ao principal servidor (Domain Name System, conhecido pela sigla inglesa DNS) de gerenciamento de registros da internet da Coreia do Norte um pedido automatizado de acesso a todos os domínios de internet do país.

Essa solicitação geralmente era ignorada; o servidor norte-coreano estava configurado para rejeitar esse tipo de pedido.

Provavelmente por uma falha no sistema, na noite de terça-feira, a lista completa de sites foi liberada. O engenheiro, em seguida, a tornou pública na internet, conforme relata o site TechCrunch. Ele pediu ajuda a internautas para explorar em detalhes o que mostra cada uma das páginas norte-coreanas.

Observadores e analistas especializados em Coreia do Norte já sabiam da existência de muitas dessas páginas na internet, mas desconheciam a extensão da presença online do país. O fato de serem menos de 30 sites surpreendeu.

"Quando a Coreia do Norte traz um novo site, eles nunca divulgam. Ou alguém descobre por acidente ou aparece num programa de busca", diz Martyn Williams, que comanda o site North Corea Tech em San Francisco, na Califórnia (EUA).

"Sabíamos sobre a existência da maioria deles, mas não tínhamos certeza do que mais existia".

Para os não iniciados, aqui está o que se pode ver ao se navegar pelos sites norte-coreanos.

1. Um monte de notícias sobre as atividades do "líder supremo"

A maioria dos sites são em coreano, mas alguns, como o rodong.rep.kp - o site do principal jornal local, o Rodong Sinmun - tem uma versão também em inglês.
Ele inclui uma seção dedicada à agenda diária do líder norte-coreano, Kim Jong-un, intitulada "as atividades do líder supremo".

A visita de Jong-un a uma fazenda de frutas, onde ele fez uma breve explanação, aparentemente, sobre fruticultura, ganhou destaque no site. O discurso ao Movimento Juvenil Kimilsungist-Kimjongilist também foi destacado.

A presença do líder norte-coreano em um teste de um novo tipo de foguete também dominou as manchetes.

Para Williams, "estes sites são realmente para fazer com que a voz da Coreia do Norte apareça no cenário global, como se fosse um membro normal da comunidade internacional".

"Nós nunca sabemos se é verdade porque não há nenhuma maneira de verificar de forma independente", completa o responsável pelo site North Corea Tech.

2. Falta sofisticação aos sites norte-coreanos

Muitos dos sites norte-coreanos são dolorosamente lentos para carregar e muito básicos no visual e conteúdo. Muitos deles não são atualizados com freqüência.

Os que têm como foco as notícias são atualizados diariamente, mas só apresentam propaganda estatal, diz Chad O'Carroll, do NK News, um site que monitora a mídia norte-coreana. Ele observa que são pouco acessados, mal concebidos e nada amigáveis.

Há um esforço mínimo para reproduzir o visual de sites de notícias internacionais. "Eles não tentam imitar meios de comunicação ocidentais. Quando você vai no site, fica óbvio que são notícias da Coreia do Norte. Não há sofisticação para ser como um meio de comunicação internacional ágil", diz Williams.

3. Para o mundo saber que a Coreia do Norte tem uma cena cultural

O site cooks.org.kp é todo em coreano e recheado de imagens com as "famosas receitas da Coreia".

Oferece ainda uma lista de todos os principais restaurantes na Coreia do Norte, incluindo o Okryugwan - que vende macarrão frito ao estilo Pyongyang. Também destaca o restaurante Pyongyang Carne de Cachorro, cuja especialidade está no nome do estabelecimento.

O site explica por que a culinária norte-coreana é tão boa. Resposta: "Gosto e aroma, cores bonitas, variedade e é saudável para o corpo."

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Por sua vez, o korfilm.com.kp destaca a indústria cinematográfica norte-coreana.

O site promove o Festival Internacional de Cinema Pyongyang, que está em andamento. Explica como participar e avisa que há três tipos de filme para assistir: "filmes de arte, documentários e filmes de animação".

Quando o engenheiro conseguiu, por meio da falha momentânea do sistema, quebrar a armadura virtual norte-coreana, ele postou a lista e provocou uma frenesi em fóruns de tecnologia.

No entanto, a lista não ajudou a expandir o parco conhecimento que se tem sobre a intranet da Coreia do Norte - um sistema interno que permanece misterioso e fechado, de acesso limitado aos seus cidadãos e que não se conecta à internet.

Provavelmente, esta seria muito mais reveladoras sobre a realidade da vida e do dia a dia no país de Kim Jong-un.

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