Contrariando Zuckerberg, funcionários do Facebook criam força-tarefa para apurar proliferação de notícias falsas

Dave Lee

Nos Estados Unidos

  • Karen Bleier/AFP

A polêmica envolvendo o Facebook e a vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana não dá sinais de arrefecimento. A rede social é acusada de não filtrar histórias falsas que poderiam ter beneficiado o bilionário. De acordo com o site Buzzfeed, funcionários do Facebook criaram uma força-tarefa não oficial para estudar o assunto, contrariando o próprio criador do site, Mark Zuckerberg, que havia publicado um post negando as acusações.

Segundo o Buzzfeed, um funcionário que não quis se identificar disse que "Mark e todos na empresa sabem que notícias falsas correram soltas na plataforma durante toda a campanha eleitoral".

Procurado pela BBC, o Facebook não respondeu aos pedidos de comentário sobre as acusações.

Já o Google anunciou, na segunda-feira, medidas para prevenir que sites produzindo notícias falsas obtenham receitas de publicidade. Horas depois, o Facebook divulgou planos semelhantes.

Zuckerberg

O Facebook negou acusações feitas pelo Gizmodo, um site de notícias de tecnologia, de que o filtro de notícias falsas teria sido criado antes da eleição, mas ficou engavetado por temores de que poderia dar a impressão de que a rede social estaria censurando visões conservadoras.

Este assunto ganhou força nos EUA por conta do fato de que, segundo pesquisas, dois terços dos 156 milhões de americanos com contas no Facebook usam a rede social como principal fonte de notícias.

Zuckerberg tem rechaçado as acusações de que conteúdo falso é um problema sério no Facebook.

No sábado, ele publicou um longo texto em sua página, dizendo que "mais de 99%" do conteúdo que a pessoas veem no Facebook é autêntico".

"Há uma quantidade muito pequena de notícias falsas, e elas não estão limitadas a um partido ou mesmo à política. Isso faz com que seja bastante improvável que conteúdo enganoso tenha influenciado o resultado da eleição", escreveu o bilionário.

A estatística de 99% acabou sendo vista como piada, já que se refere ao conteúdo geral publicado no Facebook.

Em maio, o Facebook foi alvo de acusações de que sua equipe de editores trabalhando na sessão de trending topics estava removendo histórias pró-Trump.

A rede social negou que fosse o caso, mas acabou com a equipe de editores para parecer mais neutra - as histórias passaram a ser escolhidas por um algoritmo.

Google

O Facebook não foi a única empresa a receber críticas. O Google se viu às voltas com a embaraçosa situação em que uma notícia falsa sobre o resultado da eleição - a vitória de Trump no voto popular - aparecia até esta terça-feira no alto dos resultados de buscas específicas sobre a apuração.

A empresa anunciou também que vai impedir sites publicando notícias falsas de usar sua plataforma de anúncios (a AdSense) para ganhar dinheiro.

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