Na Uber, homens têm 82% dos cargos tecnológicos e mulheres ganham mal

Eric Newcomer

Da Bloomberg

  • Foto: Divulgação

A Uber Technologies ampliou o número de mulheres que trabalham em cargos de tecnologia em 2,5 pontos percentuais no ano passado, mas ainda está atrás de seus pares do Vale do Silício.

A empresa com sede em São Francisco começou a divulgar dados sobre diversidade no ano passado depois que um relato de assédio sexual amplamente divulgado, escrito pela ex-engenheira de software Susan Fowler, sacudiu o setor. Em seu segundo balanço anual, a Uber anunciou, na terça-feira, que 18% dos funcionários da empresa em cargos de tecnologia em todo o mundo são mulheres.

Apple, Facebook e Google divulgaram participações maiores de mulheres em cargos técnicos. A média de seus números é de 21%.

O relatório da Uber, que revela salários baixos para mulheres e minorias, é o primeiro divulgado desde que Dara Khosrowshahi assumiu como CEO, em setembro.

Ele prega uma mensagem de inclusão e diversidade, mas os dados mostram que a mudança na demografia tem sido lenta.

Khosrowshahi ainda não contratou nenhuma executiva sênior que reporte a ele. Seus novos diretores de operações e jurídico são homens e ele escolheu Zane Rowe, da VMware, como principal candidato para chefiar o setor de finanças, noticiou a Bloomberg na semana passada.

"Meu foco na Uber não terá um empurrão. Meu foco é desenvolver as grandes mulheres que já temos na Uber e fazer com que se tornem mulheres excelentes na Uber", disse Khosrowshahi, em conferência, neste mês.

No geral, as mulheres representam 38% dos funcionários da empresa de carona compartilhada, 1,9 ponto percentual a mais que há um ano. Nos EUA e no Canadá, porém, a representação feminina diminuiu.

Assim como no restante do setor de tecnologia, brancos e asiáticos são predominantes na Uber. Juntos, os dois grupos representam 95% dos executivos e 81% dos funcionários. Apenas 2,8% dos executivos da Uber nos EUA são negros.

A primeira grande contratação de Khosrowshahi foi Tony West, um ex-funcionário do Departamento de Justiça e da PepsiCo, que é negro.

Em janeiro, a Uber nomeou Bo Young Lee como diretora de diversidade e inclusão. Ela reporta a Liane Hornsey, a chefe de recursos humanos. Lee reconhece que há muito trabalho pela frente.

"Tenho todos os motivos para acreditar que a Uber é capaz de evoluir e os colegas atestarão que posso ser incansável na busca por transformar organizações e responsabilizar líderes", escreveu Lee em postagem de blog no LinkedIn, na semana passada. "Sou teimosa e só estarei satisfeita quando souber que transformei a Uber em um lugar no qual todas as pessoas se sentem mais legitimadas, vistas, valorizadas e incluídas."

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