Novos iPhones poderão permitir mudança de operadora sem trocar o chip

Alex Webb

Da Bloomberg

  • Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

    Existe a possibilidade de a Apple introduzir chips eletrônicos, os eSIMs

    Existe a possibilidade de a Apple introduzir chips eletrônicos, os eSIMs

Cada lançamento do iPhone costuma ser boa notícia para as operadoras de telefonia móvel. O mais novo aparelho da Apple vem com melhorias que facilitam jogar, assistir filmes e baixar dados. Mais dados significam cobranças maiores.

Mas talvez a chegada da nova geração de iPhones, nesta quarta-feira (12), não seja tão bem-vinda. Existe a possibilidade de a Apple introduzir chips eletrônicos, os eSIMs. E mesmo se não acontecer desta vez, a migração para essa nova tecnologia parece inevitável.

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A especulação sobre eSIMs esquentou desde a queixa apresentada pela Apple ao Departamento de Justiça dos EUA contra Verizon Communications e AT&T, acusando as duas de conspirar para impedir sua introdução. O Departamento de Justiça está investigando o caso.

O clássico chip SIM é inserido no telefone manualmente, tornando inconveniente a troca de operadora. O usuário precisa ir a uma loja ou pedir entrega física do chip. O eSIM é virtual. Ou seja, teoricamente, bastaria mudar a configuração do aparelho para trocar de operadora.

É quase certo que isso aceleraria a competição de preços. Sempre que fica mais fácil pular de uma operadora para outra, os consumidores aproveitam para buscar planos mais vantajosos.

A perda de clientes ("churn", no jargão do setor) dispara. Foi o que aconteceu na Espanha quando entrou em vigor a regra que reduziu o prazo para troca de operadora para menos de 24 horas.

A fabricante europeia de chips STMicroelectronics deu uma grande indicação a investidores sobre os eSIMs em maio, ao revelar que esperava colocar seu próprio dispositivo em um smartphone popular até o final do ano. Logo ficará claro se a empresa estava se referindo ao iPhone, mas é difícil imaginar que as operadoras de telefonia móvel poderão resistir a essa tecnologia por muito tempo, considerando sua utilidade para os consumidores. A Apple certamente vai apresentar argumentos neste sentido. A tecnologia já é usada em alguns iPads e a STMicro fornece um tipo de eSIM para o Apple Watch.

A Apple não pode ignorar totalmente as preocupações das grandes operadoras. Afinal, essas empresas gastam pesado no marketing do iPhone e vendem os aparelhos nas lojas. Ainda assim, a gigante da Califórnia está disposta a usar seu poder de fogo, como ocorreu na queixa ao Departamento de Justiça.

Embora o eSIM possa reduzir alguns custos logísticos para companhias como Verizon e AT&T, no longo prazo, ficará mais difícil fazer a diferenciação entre operadoras. O consultor de telecomunicação da Northstream, Bengt Nordstrom, coloca a questão nos seguintes termos: "Da perspectiva do usuário, se você perguntar que serviço ele usa, ele responderá que é usuário de iPhone ou Samsung, não da operadora."

Talvez faça sentido para a Apple e outras fabricantes de smartphones manter a clássica entrada para o SIM junto com o eSIM no curto prazo. Isso daria tempo para as operadoras se adaptarem e não terem tantas objeções.

O perigo para as operadoras é que a migração para eSIM torne-as ainda mais parecidas com empresas de eletricidade ou de água e esgoto. As ações de telecomunicação já são as de pior desempenho em 2018 no Stoxx 600, índice de referência do mercado acionário europeu.São poucas as pessoas que ainda não têm um smartphone, então a batalha é por participação do mercado e não por novos usuários. A ideia de uma nova guerra de preços não anima.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

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