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Pequim vai julgar e punir habitantes com base em ranking de comportamento

Bloomberg News

21/11/2018 14h30

O plano da China de julgar 1,3 bilhão de pessoas com base em seu comportamento social ficou um pouco mais perto de se tornar realidade já que Pequim adotará um programa de pontos vitalício até 2021 que atribui pontuações personalizadas para cada habitante.

A capital coletará informações de diversos departamentos para recompensar e punir cerca de 22 milhões de cidadãos com base em suas ações e reputação até o fim de 2020, segundo um plano publicado no website do governo municipal de Pequim na segunda-feira. Quem tiver um crédito social melhor receberá benefícios "preferenciais", e aqueles que violarem as leis terão mais dificuldades na vida.

O projeto de Pequim vai aprimorar os sistemas de listas negras, de modo que as pessoas consideradas pouco confiáveis "não conseguirão dar nem um passo sequer", segundo o plano do governo. A agência Xinhua noticiou a proposta na terça-feira e o relatório publicado no website do governo municipal tem data de 18 de julho.

A China faz experimentos há tempos com sistemas que pontuam seus cidadãos, recompensando o bom comportamento com a simplificação de serviços e punindo ações ruins com restrições e penalidades. Os críticos afirmam que essas medidas apresentam muitos riscos e podem gerar sistemas que reduzem os seres humanos a algo próximo de um boletim escolar.

Plano ambicioso

A iniciativa de Pequim, no entanto, é uma das mais ambiciosas até o momento entre as mais de 10 cidades que estão levando adiante programas similares.

Hangzhou lançou seu sistema de crédito pessoal no início do ano, recompensando "comportamentos pró-sociais", como trabalho voluntário e doações de sangue, e punindo aqueles que violam as leis de trânsito e cobram taxas indevidas. Até o fim de maio, residentes chineses com pontuações ruins foram impedidos de reservar mais de 11 milhões de voos e 4 milhões de viagens de trem de alta velocidade, segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China.

Segundo o plano do governo de Pequim, diferentes agências conectarão bancos de dados para ter um retrato mais detalhado das interações de cada habitante com uma série de serviços. A proposta prevê o trabalho conjunto de instituições governamentais como órgãos de turismo, órgãos reguladores do setor corporativo e autoridades de trânsito.

O monitoramento do comportamento individual na China se tornou mais fácil quando a vida econômica passou para a internet por meio de aplicativos como o WeChat, da Tencent, e o Alipay, da Ant Financial, plataforma central para efetuar pagamentos, obter empréstimos e organizar o transporte. As contas geralmente são vinculadas a números de celulares, que, por sua vez, exigem identificação do governo.

A versão final do sistema nacional de crédito social da China continua incerta. Mas em um momento em que as regras que obrigam redes sociais e provedores de internet a eliminar o anonimato estão sendo aplicadas cada vez mais e os sistemas de reconhecimento facial se tornam mais populares entre os órgãos policiais, as autoridades provavelmente terão mais facilidade do que nunca para apanhar -- e punir -- desde dissidentes da internet até aqueles que não pagam passagem em trens. (Com a colaboração de Dandan Li)