Dicas de Tecnologia

Sites ajudam usuários a vender ou a comprar smartphones usados

Guilherme Tagiaroli

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    Sites brasileiros compram smartphones usados para depois revendê-los

    Sites brasileiros compram smartphones usados para depois revendê-los

O mercado brasileiro está cheio de smartphones. Só em 2013, foram vendidas 35,6 milhões de unidades, segundo a consultoria IDC. Além disso, para não ficarem para trás, as marcas lançam aparelhos com alta frequência. Nesse cenário, o que ocorre com os celulares inteligentes usados? Para solucionar esse problema, sites brasileiros servem de intermediários para a compra e venda desses dispositivos.

Chamada de "recommerce" (ou comércio de itens usados), esse tipo de atividade não é nova. Nos Estados Unidos, onde smartphones se popularizaram mais rápido, já há todo um comércio de aparelhos usados que são reformados e depois revendidos com uma margem de lucro. No Brasil, há pelo menos três serviços nesse ramo.

"Nosso objetivo é chegar a pessoas que querem trocar o celular que está parado e não têm paciência para lidar com sites de compra convencionais, nos quais é necessário ficar respondendo uma série de perguntas", explicou Gustavo Bohn, sócio-fundador do site Uzlet, que tem um mês de operação.

Atuando no mercado desde o início do ano, o Ziggo, com sede em Curitiba (PR), compra e vende smartphones e tablets de diversas marcas. Segundo Guilherme Macedo, sócio-fundador do site, a ideia do serviço veio após se frustrar ao vender um aparelho pela internet. "Queria vender um laptop em um site de compras, mas depois percebi que houve uma tentativa de fraude", disse.

Já a Brused, sediada em São Paulo, trabalha apenas com dispositivos Apple. "Para começar, pensamos que fazia mais sentido comercializar apenas gadgets da marca, pois eles desvalorizam menos e são mais fáceis de vender", afirmou Bruno Fuschi, cofundador e diretor financeiro do site.

Como funciona

  •  Para quem quer vender um aparelho usado

Ao entrar na página dos serviços, a pessoa interessada deve informar o modelo do aparelho, se ele está bloqueado (se está vinculado a uma operadora) e os detalhes de conservação. Na maioria das vezes, os sites contam com três divisões: ótimo, bom (com marcas de uso) e danificado (com algum item quebrado).

Após descrever seu eletrônico, o site sugere um preço pelo aparelho. Caso a pessoa concorde com o valor, ela deve enviar o gadget para a companhia. Ao chegar no local, é avaliado se, de fato, o celular está naquelas condições descritas. Em caso positivo, é feito um depósito em conta. Caso contrário, o eletrônico é devolvido.

Antes de ser vendido para um novo dono, as empresas dizem que dão uma geral no eletrônico: apagam todas as informações, fazem reparos necessários e limpam o dispositivo.

  •  Para quem quer comprar um aparelho usado

Funciona como um comércio eletrônico convencional. Os serviços contam com áreas específicas em seus sites com o modelo do aparelho e condição de uso. O pagamento pode ser feito via cartão de crédito, transferência bancária, boleto, PagSeguro, PayPal, entre outras formas.

Os sites costumam oferecer um tempo de garantia, caso haja algo de errado com o aparelho.

Valores cobrados

O preço oferecido pelos sites varia conforme modelo e estado de uso. Em uma simulação feita pela reportagem, foi oferecido por um iPhone 4S de 16 GB em bom estado (com marcas de uso) entre R$ 400 e R$ 600. Em um dos sites, um smartphone com mesma configuração é revendido por R$ 840.

A Apple não vende mais iPhone 4S com 16 GB, apenas com 8 GB de armazenamento. Na loja oficial da companhia, um aparelho novo com essa capacidade menor custa R$ 1.099.

Um smartphone Galaxy S4 em bom estado é comprado por esses serviços com valores que variam entre R$ 420 e R$ 640. Na área de venda desses sites, um aparelho com a mesma configuração é vendido por R$ 940. Em varejistas, o mesmo smartphone novo custa cerca de R$ 1.500.

Apesar dos preços baixos e a garantia assegurada por esses sites, o usuário deve ter em conta que ele vai comprar um aparelho de segunda mão. É como comprar um carro usado: a concessionária assegura o funcionamento do veículo, porém não se sabe quanto tempo permanecerá sem novos problemas.

Eletrônicos roubados

Para evitar a compra de celulares roubados, os sites criam processos para tentar barrar vendedores espertos. Como não existe um banco de dados centralizado com informações de aparelhos, os serviços usam algumas barreiras antes da aquisição.

"Não compramos gadgets Apple bloqueados via iCloud", disse Fuschi, da Brused. "Se a pessoa não tiver a senha, é bem provável que o smartphone seja roubado."

Outra informação pedida pelos sites é o Imei um número único presente em todo celular que é fabricado. Com esse número, é possível checar no Cemi, um banco de dados de aparelhos bloqueados alimentados por operadoras, se a situação está legal ou não. 

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