Notebooks híbridos x tablets pro: qual será seu próximo gadget?

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

Há uns 20 anos era fácil. A única forma de obter computação pessoal era por meio do PC de mesa, com gabinete, teclado, monitor e mouse. Depois veio o notebook, precursor da computação móvel. Daí o smartphone e o tablet permitiram levar a internet e aplicações no bolso e na mochila. Mas agora o tablet ficou maior e mais potente. O tablet vira notebook e vice-versa. Onde acaba um e começa o outro? E mais: você precisa ter algum deles?

Desde 2013 os notebooks experimentam telas sensíveis ao toque. E não se restringiram apenas a ter tela touch: os conversíveis viram a tela de diversos modos e ângulos, e os computadores híbridos --ou "2 em 1" permitem destacá-la, transformando-a em um tablet grande. A tendência surgiu ainda na época do Windows 8, mas promete deslanchar com o Windows 10, sistema da Microsoft pronto para transitar entre todos os dispositivos: PCs, laptops, celulares e tablets.

Já nos últimos meses surgiram tablets avançados, com telas a partir de 12 polegadas, configurações próximas às dos notebooks de médio nível e periféricos como teclado e caneta responsiva. Incluindo o "pro" no nome, querem mirar profissionais que produzem conteúdo. Exemplos disso são a linha Surface da Microsoft, nascida em 2012 e que atualmente está nos modelos Pro 4 e Book; o iPad Pro da Apple, lançado em setembro; e o recém anunciado Galaxy TabPro S, da Samsung.

Tais modelos borram um pouco os limites entre notebooks híbridos e tablets "pro". E a confusão pode piorar porque há ainda os tablets corporativos "de verdade", vendidos com hardware e softwares específicos restritos a empresas e com características distintas dos dois primeiros. Todos eles são bem parecidos, com algumas sutilezas que os diferem.

Divulgação/Apple
iPad Pro com teclado

Tablet com teclado ou tela destacável?

Para os especialistas ouvidos pelo UOL Tecnologia, o que define a categoria híbrida, ou "2 em 1" (como chamam as fabricantes) é ter um teclado físico destacável e acoplável a uma tela touch, que por sua vez é quem deve armazenar a CPU, permitindo que o modelo atue tanto como tablet quanto como notebook. Assim, apesar do nome, os tais tablets pro da Samsung, Microsoft e Apple citados acima estariam confortáveis na categoria dos híbridos.

Além disso, os notebooks conversíveis também poderiam entrar na categoria híbrido. Na definição de Mikako Kitagawa, analista do Gartner, computador híbrido "é um dispositivo que tem dobradiças flexíveis com visor girando 360 graus ou com uma tela que pode ser separada da unidade principal". Para ele, a principal divisão entre híbrido e tablet seria o teclado ser vendido como opcional, como acontece com o Surface. Já o Galaxy TabPro S, cujo teclado vem junto, seria um híbrido.

Os tablets voltados exclusivamente ao setor corporativo são vendidos de forma restrita e preparados para usos e soluções específicos que atendam a empresas de diversos perfis, com segurança em criptografia, por exemplo.

Divulgação/Samsung
Galaxy TabPro S, da Samsung

Tablet também produz conteúdo

O que diferencia uma ou outra categoria acaba sendo também o marketing das próprias empresas. É a visão do analista de pesquisa da IDC Brasil Pedro Hagge. "Acho que a mensagem que as empresas querem passar é que esses modelos [de tablets] também podem produzir conteúdo, e não apenas consumi-lo, pois os tablets inicialmente só tinham esse fim. Só pelo fato do sistema ser Windows mostra que esses produtos têm proposta diferente do Android, que enfrenta preconceito para ser implementado nas empresas".

Talvez por isso criou-se a categoria dos tablets vendidos para empresas como uma categoria à parte. "O nosso tablet corporativo Elitepad, por exemplo, pode ser anexado a docking stations e jaquetas (extensões) de produtividade, para área médica, de segurança e outros. Dessa forma, tem todas as conexões de um 'note' , sem perder nada na performance e nas portas", diz Augusto Rosa, diretor de produtos de PCs corporativos da HP no Brasil.

Divulgação
Surface Pro 4, da Microsoft

A presença do Windows 10 pode deixar os dispositivos ainda mais parecidos. "Ele fortalece muito esse tipo de dispositivo. É um movimento que vem do Windows 8 e agora consolidou com o 10 por ser um sistema mais consistente para ambos, desktops e tablets. Para a empresa que já trabalha com Windows, fica mais fácil a migração e gerenciamento entre esses dispositivos" diz Carlos Girão, gerente de vendas da Daten, fabricante brasileira voltada ao varejo, empresas e escolas.

Gustavo Lang, diretor de Windows da Microsoft Brasil, explica como o novo software atua: "uma ferramenta permite que o Windows 10 se adapte automaticamente ao tipo de uso. Quando o dispositivo está acoplado a um teclado e mouse, o sistema funcionará com um layout mais adequado para um notebook, facilitando a navegação. Ao destacar a tela para usá-lo como tablet, o Windows se readaptará, com os aplicativos ocupando toda a tela para uma melhor navegação touchscreen".

A MIcrosoft não quis se pronunciar sobre questões envolvendo o Surface, pois o produto não tem previsão para ser vendido no país. A Samsung e a Apple também não falaram sobre o assunto desta reportagem.

Divulgação
ElitePad, da HP

Preços e pouca oferta são barreiras

Corporativos ou não, o fato é que híbridos e tablets avançados encontram as barreiras de sempre para emplacarem de vez no Brasil: preços altos e poucos modelos disponíveis. A segunda questão existe justamente em decorrência da primeira; afinal, se é caro, atenderá a um público de nicho e por isso as empresas não arriscam trazer mais produtos --ainda mais em época de crise econômica no Brasil.

Mesmo assim, o mercado está otimista com a versatilidade desses filões. "Nós fabricantes estamos investindo nos '2 em 1' porque trazem mais alternativas de solução, e com isso estou protegendo o investimento das empresas. Acho que vamos ter essa migração ocorrendo muito rápido. E se ganha em escala, reduz o preço e a oferta melhora", especula Augusto Rosa, da HP, empresa que não tem como foco tablets para usuário final.

"Talvez atenda melhor ao consumidor algo que vire uma coisa só. O notebook reduz de tamanho, o tablet cresce e se chega num formato único. Mas com as empresas reduzindo custos, o alcance do produto ainda é limitado e o preço é alto. O iPad Pro veio a mais de R$ 7 mil para cá. Mas em compensação, o x360 (híbrido da HP) teve grande sucesso de vendas. Enquanto não tiver a combinação entre bom hardware e preço competitivo, não vai deslanchar", analisa Hagge, da IDC.

E se fizerem sucessos daqui a alguns anos, será que finalmente aposentaremos os PCs de mesa, notebooks e até mesmo os ultrabooks? "Se você pode usar um tablet com teclado à parte, o ultrafino perde um pouco o sentido. É possível que esses mercados não morram, mas sejam parcialmente canibalizados", diz Hagge. Já Girão acredita na coexistência: "ainda há demanda (para PCs), pois nem todo usuário precisa levar o equipamento do escritório para casa".

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