Apps de paquera empoderam mulheres, diz diretora de rival do Tinder

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    29.jan.2016 - A diretora de tendências do Happn, Marie Cosnard, que veio ao Brasil para a Campus Party 2016

    29.jan.2016 - A diretora de tendências do Happn, Marie Cosnard, que veio ao Brasil para a Campus Party 2016

O Happn é um app de relacionamentos que nasceu em Paris há exatos dois anos --em janeiro de 2014-- e hoje está presente em 35 cidades pelo mundo, incluindo três do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. É aqui que o app já possui sua maior base de usuários: 1,7 milhão no total, sendo 11 milhões no mundo. Para a diretora de tendências do Happn, Marie Cosnard, o crescimento do seu app, do Tinder e afins ajuda a empoderar mulheres.

"Estou ciente da cultura machista que existe no Brasil, é por isso que também estou aqui, pois quero entender o comportamento dos países em que atuamos. Mas graças ao app, uma mulher não precisa mais ficar presa a se relacionar a alguém de seu círculo de amizades. O Happn te dá liberdade para encontrar alguém interessante em qualquer outro lugar", explica Marie, que se apresentou nesta sexta-feira (29) na Campus Party, no Anhembi, em São Paulo. 

O programa funciona com o GPS ativado; se você passar próximo a uma pessoa que também se cadastrou no app, este mostrará o perfil dela na tela, e vice-versa. Se você dar um "like" anônimo, e a outra pessoa fizer o mesmo, um canal de bate-papo se abrirá para estender a conversa entre ambos e talvez um encontro, se ainda estiverem por perto. O objetivo é justamente este: levar seus usuários a se encontrarem mais rapidamente na "vida real".

As mulheres são favorecidas no aplicativo. Há um recurso chamado "charm", que é enviar uma notificação a mais para ser notado mais rapidamente. Enquanto os homens pagam um crédito para isso (US$ 1,99 para 10 créditos, ou R$ 0,78 por crédito), para as mulheres enviar "charms" é gratuito. Mas não é só isso, se no resto do mundo o Happn tem 40% de público feminino, no Brasil essa porcentagem é maior, de 45%.

O sucesso do Happn no Brasil, para Marie, era esperado, mas ainda assim uma surpresa. "A grande adesão se deve em parte à grande população do país. Mas São Paulo já conseguiu superar Londres: aqui temos cerca de 600 mil usuários, contra 500 mil de ingleses", compara.

O uso do Happn pode ocorrer em qualquer cidade do mundo, mas depende de certos fatores. "Você pode baixá-lo e usá-lo onde estiver, até em um deserto na Mongólia, mas é preciso que outras pessoas por perto também os usem. Nossa atuação por cidade é via anúncios nas redes sociais, mas a divulgação é bastante orgânica: se você falar para seus amigos, pode criar um efeito 'bola de neve' em cidades que ainda não realizamos marketing", sugere.

Marie defende que não teme a concorrência do Tinder porque confia no modelo do Happn, isto é, de facilitar a aproximação na vida real. "Na cidade grande estão todos ocupados, mas há pessoas que podem ser interessantes e que cruzamos com elas umas 25 vezes... pode ser o destino. Tem que haver química, pois quando você a vê de perto, a relação começa do zero. Para mim o nosso app trata-se de conectar as pessoas, não só para iniciar namoros".

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