"Japonês" põe voz do Google, David Bowie e Nirvana para cair no frevo

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

Um japonês que descobriu o frevo e decidiu recriar remixes com a robótica voz da tradutora do Google e misturas com sucessos do rock. Essa psicodélica história é real, e só podia ter acontecido na internet às vésperas do Carnaval. Só um detalhe é fantasia: o tal japonês é um personagem.

Quem está por trás do pseudônimo "Lee Pesaka", que divulgou nos últimos dias em uma conta na plataforma social de áudio Soundcloud, versões frevo para canções de David Bowie, Nirvana, Joy Division, Tame Impala e Pixies, além de colocar a voz feminina do Google para entoar clássicos de Olinda como "Batutas de São José", "Morena Tropicana", o hino do Bloco Elefante de Olinda e "Oh! Bela"?

A resposta permanecia um mistério até que o UOL descobriu: o produtor musical William Paiva confirmou ser o autor da "greia", gíria pernambucana para "brincadeira". William participou dos grupos Máquinas na Pista e Diversitrônica e da dupla Mad Mud, com pegada eletrônica. Também produziu discos de bandas como Mombojó, Mellotrons e Nervoso e Os Calmantes, além de ter codirigido com Filippe Lyra o curta-metragem de animação "Voltage", de 2009.

Ideia antiga

O sucesso das versões inusitadas chamou a atenção de foliões e/ou roqueiros de todo o Brasil nas redes sociais, ainda mais que em tempos recentes grupos têm investido na mistura de rock com frevo, como o "Tá Bom a Gente Freva" e a Orquestra Rockfônica. Neste ano haverá em Olinda a estreia do "Bumba Meu Bowie", inspirado no ídolo do rock David Bowie, morto em janeiro.

Paiva explica a ideia do personagem. "Tenho lá meu próprio Soundcloud, o /williampaiva, onde tem minhas coisas autorais. Achei que ia ser confusão demais colocar lá um projeto de greia que existe totalmente por acaso. Já tinha o perfil do japonês, mas é uma outra história. Uma vez achei uns compactos de bandas japonesas antigas. Tinha pensado em fazer uns hip-hop com eles, mas nunca fiz e aí o perfil ficou lá, esperando uma oportunidade".

O músico sempre teve a ideia de misturar rock e frevo antes mesmo da atual moda. Há alguns anos fez algumas versões como um teste para um possível bloco próprio, que acabou não acontecendo. Neste ano, procurando frevos instrumentais para sua filha de quatro meses ouvir, teve a ideia de unir esses instrumentais à voz do Google.

"A piada maior que há nisso é que a voz canta a letra certinho do começo ao fim, coisa que nenhum folião, por mais dedicado que seja, consegue fazer no meio de um bloco", brinca. Nesse processo lembrei dos tais frevos com rock que eu tinha salvo em algum lugar. Aí eu dei um grau rapidinho e subi pro Soundcloud do japonês".

Para montar as paródias, o processo é bem simples para ele, que já tinha o conhecimento e as ferramentas à mão. "Tenho uma sessão pronta no computador com uma batucada de frevo, que é a mesma em todas as músicas, e uns instrumentos de sopro. No YouTube estavam aparecendo as vozes isoladas dos grandes hits do pop e do rock. Como sei tocar as músicas, não leva mais que uma hora para fazer um frevo desses".

E agora, quais são os planos do japonês frevista? "Acho que mais nenhum. Até quarta (de Cinzas) ninguém vai ter condições nenhuma de ficar no computador fazendo música. Eu acho que a piada só funciona no Carnaval, mas sei lá. Vai que depois eu tenho outra ideia dessas e cai no gosto do povo. Tudo pode acontecer. A internet é cheia dessas coisas, né?".

Reprodução
"Lee Pesaka", pseudônimo do produtor do Recife William Paiva (à dir.), lança versões curiosas de frevos na internet

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