WhatsApp

Só temos os telefones de nossos usuários, diz diretor do WhatsApp

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

Envolvido em uma nova polêmica com a Justiça brasileira, o WhatsApp e sua empresa-mãe, o Facebook, foram novamente procurados para fornecer dados pessoais de usuários, desta vez, suspeitos de cometerem tráfico de drogas em Sergipe.

Mas segundo Matt Steinfeld, diretor de comunicação do WhatsApp, não adianta o Judiciário do país pedir informações como dados de perfis dos usuários ou o conteúdo das mensagens trocadas, porque a empresa não teria essa informação. Segundo especialistas, o Marco Civil da internet prevê que as empresas guardem registros de acessos dos usuários e as forneçam à Justiça.

O diretor disse em entrevista ao UOL por telefone que todo o conteúdo das mensagens é criptografado, e as únicas pessoas que as acessam são quem as enviou e quem as recebeu. O único dado que fica nos servidores da companhia, na Califórnia, segundo ele, são os números dos telefones celulares. Perguntado se a Justiça pediu esses números e se a empresa os concedeu, Steinfeld não pode dizer por conta do sigilo de Justiça do caso. A empresa não possui funcionários no Brasil, por isso, o vice-presidente do Facebook foi preso nessa manhã por descumprir as ordens judiciais anteriores.

Veja abaixo a entrevista:

UOL: Quais são os dados e informações que a Justiça brasileira está pedindo ao WhatsApp e ao Facebook, neste caso em particular? E por que essas empresas afirmam não poder dar esses dados?
Matt Steinfeld: Eu não posso falar sobre esse específico caso porque está correndo em segredo de Justiça. O que eu posso dizer é que os oficiais de Justiça têm pedido ao Facebook e ao WhatsApp informações que não temos. O Whatsapp não está armazenando o conteúdo das mensagens em seus servidores. Assim que as mensagens são enviadas pelo WhatsApp, não temos gravação disso nos servidores. Isso fica entre a pessoa que enviou e a pessoa que a recebeu. Isso é o primeiro ponto.

O segundo ponto é que nos últimos dois anos nós estivemos trabalhando em lançar a criptografia end-to-end (de ponta a ponta). Isso significa que quando uma mensagem é enviada entre duas pessoas no WhatsApp, elas são embaralhadas em uma série de números e letras. Então não podemos ter acesso a elas. Isso é realmente para a segurança e privacidade das pessoas que estão se comunicando pelo WhatsApp. Isso também significa que nós mesmos também não podemos ter acesso ao conteúdo das mensagens. Então, a Justiça deve ter uma posição melhor para dizer especificamente o que querem neste caso. Tudo que podemos dizer é que estamos cooperando o máximo e que podemos fornecer a arquitetura do serviço do WhatsApp.

UOL: Vocês responderam oficialmente aos pedidos da Justiça de Sergipe nos últimos três meses com as informações solicitadas? O que vocês responderam a eles, exatamente?
Matt Steinfeld: De novo, não podemos dizer exatamente o que falamos a eles por causa do sigilo de Justiça, mas o WhatsApp colaborou como pôde dando detalhes da arquitetura do app. Também podemos dizer que o WhatsApp não coleta muita informação das pessoas. A única informação que precisamos para criar a conta é do número de telefone. Não pedimos ou compartilhamos localização, nem pedimos ou compartilhamos nomes reais, fotos ou coisas do tipo. De maneira geral, a informação que o WhatsApp mantém dos usuários é muito limitada, porque é a forma que o serviço funciona.

UOL: Então vocês mantêm esses números de telefones em seus servidores?
Matt Steinfeld: Precisamos dos números, é como elas estarão aptas a conectar no serviço. Se eu entro no WhatsApp e adiciono seu número em meu catálogo de endereços, é como eu estarei apto a achá-lo no serviço. Então sim, o número é algo que precisamos manter, mas é a única informação pedida para usar o WhatsApp.

UOL: Vocês deram os telefones das pessoas investigadas pela Justiça brasileira, então?
Matt Steinfeld: Como disse, não posso falar como ocorreu nessa investigação específica porque está sob sigilo. Desculpe, só podemos falar sobre a abordagem geral.

UOL: Essas decisões da Justiça contra o WhatsApp e o Facebook são comuns em outros países? Nesses casos, como o problema é resolvido?
Matt Steinfeld: Não estou autorizado a comentar sobre outras empresas, mas o que posso dizer, para deixar mais claro, é que o WhatsApp tem um número muito limitado de empregados sediados, todos na Califórnia (Estados Unidos) e não tem escritório no Brasil ou outros países. Isso é tudo o que posso dizer sobre isso.

UOL: O WhatsApp contratou há poucos dias uma assessoria de imprensa no Brasil. Isso é uma consequência do problema que a empresa enfrentou em dezembro do ano passado? 
Matt Steinfeld: Como o WhatsApp é muito popular no Brasil, obviamente queremos investir em educar as pessoas em como o produto funciona, os recursos que disponibilizamos e responder a questões da população brasileira. É um dos motivos pelos quais estamos no telefone com vocês hoje (risos). Emitimos um comunicado porque muitos jornalistas brasileiros estão nos procurando com perguntas, e queremos ajudar. Muitas empresas de fora têm assessorias no Brasil, isso não é nada de mais.

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