Compartilhar atos terroristas nas redes sociais incentiva o terror?

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

Após o tiroteio que deixou ao menos nove mortos em um shopping center em Munique (Alemanha), nesta sexta-feira (22), a polícia alemã solicitou à população que evitasse compartilhar imagens do ataque nas redes sociais e as encaminhasse diretamente a eles.

"Não apoie os criminosos", justificaram as autoridades locais. Mas será que a propagação de informações e imagens de casos similares a esse seja no Facebook, no Twitter ou em qualquer outra plataforma incentiva o terror?

"É muita ingenuidade achar que o não compartilhamento de informações nas redes sociais é a solução para o terrorismo", afirmou Pollyana Ferrari, professora da pós-graduação de Tecnologia da Inteligência e Design Digital da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Segundo ela, diante da proporção dos atos, é quase impossível impedir a sua repercussão. "Se não estiver na internet, o que é quase impossível, vai estar nos jornais, nas rádios e nas TVs de todo o mundo."

Na opinião de Ferrari, o uso das plataformas digitais em casos como o de Munique pode ter efeitos positivos. Ela cita a possibilidade do uso das redes para que sobreviventes se comuniquem com familiares, para a identificação das vítimas e até mesmo para a propagação de pistas sobre os possíveis autores da ação. "De uma maneira geral, o seu uso é muito mais positivo do que negativo."

Muito mais do que dar voz ao terror, como acrescenta Celso Fortes, diretor executivo da agência digital Novos Elementos, a propagação de atos terroristas nas redes contribuem para a construção de um movimento contra o terror. "Tende a gerar uma revolta e a mobilizar a população para cobrar soluções das autoridades. A opinião pública é o maior poder que existe."

Em vez de pedir que a população evitasse compartilhar fotos, segundo Ferrari, a polícia alemã deveria ter incentivado a população a usar as redes para se unir contra o terror e propagar o amor. Algo similar ao que aconteceu na Bélgica, após os ataques terroristas de Paris de novembro, quando o Twitter e o Facebook foram invadidos por imagens divertidas de gatos. E os alemães parecem ter curtido a ideia e repetiram a ação.

Terror nas redes sociais

Não é novidade nenhuma que os terroristas também se beneficiem das redes sociais, seja para a propagação de seus atos como para o recrutamento de novos aliados. "Isso, no entanto, não quer dizer que as plataformas são ruins e devem ser extintas para acabar com o terrorismo. Essa não é a questão", enfatiza Ferrari.

Como explica Fortes, a internet é como uma arma que pode ser usada tanto para o bem como para o mal, quem define isso é o seu usuário. "É como uma arma de fogo, que pode ser usada para proteger e fazer o bem ou para matar. Mas de quem é a culpa: de quem atira ou da arma? No caso das redes sociais é a mesma coisa. Quem é culpado: a internet ou usuário?", questiona.

Para ele, uma ação necessária é conscientizar os usuários para que tipo de conteúdo que ele absorve nas redes sociais. "É como sempre digo: programas sem audiência saem do ar. Se os terroristas estão lá, é porque de alguma forma eles têm audiência. O grande problema está no comportamento humano, não no meio –que no caso é a internet."

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