Pokémon Go

Entenda a realidade aumentada, recurso por trás do sucesso de Pokémon Go

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

O "Pokémon Go" é a nova febre do mundo e do Brasil. O atraso de sua chegada às terras tupiniquins em relação a outros países não o impediu de dominar as atenções por seu inovador modo de jogo, no qual o jogador caça monstrinhos em locais públicos usando a câmera e o GPS do celular.

Embalada pelo jogo, a imprensa de games e tecnologia retomou com força o termo "realidade aumentada". É um conceito que ganhou o mundo há alguns anos, com o surgimento de apps capazes de mesclar conteúdo virtual com as imagens do mundo real.

No entanto, Ken Perlin, professor de ciência da computação e fundador da New York University Media Research Lab, afirmou que o "Pokémon Go" não é baseado em realidade aumentada em uma entrevista à "Scientific American".

Argumenta ele: "Jogos como 'Pokémon Go' são muito mais entretenimento baseados em localização do que realidade aumentada. Há uma diferença entre apenas atacar uma imagem na frente de alguma coisa porque eu estou ali e alterar realmente nossa percepção da realidade. Se vemos uma criatura por um dispositivo em nossos olhos --em vez de vê-lo pelas telas de telefone--, então a criatura tornou-se uma extensão da nossa percepção comum da realidade".

O UOL conversou com Álvaro José Rodrigues de Lima, professor do departamento de Técnicas de Representação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Romero Tori, do Centro Universitário Senac, sobre essa tecnologia.

Os dois especialistas discordam de Perlin e consideram que "Pokémon Go" é sim baseado em realidade aumentada e explicam o conceito.

Afinal, o que é realidade aumentada?

Álvaro: "Temos um ambiente de realidade aumentada Quando filmamos um local, em tempo real, e inserimos objetos virtuais e as cenas formadas dão a impressão de que os objetos virtuais pertencem ao mundo real, temos um ambiente de realidade aumentada."

Romero: "É a criação de ilusão de que elementos virtuais fazem parte do ambiente real."

Como funciona a realidade aumentada?

Álvaro: "Geralmente, a realidade aumentada funciona com um programa preparado para identificar marcadores previamente colocados no mundo real e, assim, inserir na imagem capturada em tempo real objetos virtuais. Antigamente, o mais usual era a realidade aumentada baseada em PCs, com o uso de webcams. Atualmente, o uso de smartphones está cada vez mais popularizado."

Romero: "Até mesmo aquela atração antiga de parques de diversão, em que uma mulher se transforma em gorila, seria um tipo de realidade aumentada sem o uso de tecnologia sofisticada. Hoje, existem quatro formas principais. No primeiro, a câmera captura o mundo real, e o software inclui elementos virtuais sobre o vídeo (como no 'Pokémon Go'); no segundo, com óculos de realidade virtual e câmeras acopladas, o usuário vê o ambiente à frente com elementos virtuais; no terceiro, óculos com lentes semi-transparentes misturam o ambiente com imagens (como a Hololens, da Microsoft); 4. técnicas de videomapping projetam imagens sobre fachadas de prédios".

Temos que pegar! Um resumo de como funciona Pokémon Go!

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Para que serve e servirá a realidade aumentada nas nossas vidas?

Álvaro: "Já foram realizadas diversas experiências em áreas como: medicina, entretenimento e educação. No MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), o cirurgião utilizava um capacete e conseguia ver diretamente na cabeça da paciente a localização exata do tumor cerebral. No entretenimento, muito antes do "Pokémon Go", na Austrália foi realizada uma experiência chamada 'AR Quake', onde o usuário jogava esse jogo de tiro em primeira pessoa nas ruas, utilizando capacete, GPS e computador portátil."

Romero: "São infinitas as possibilidades. Essa técnica surgiu numa fabricante de aviões para que os engenheiros pudessem observar informações projetadas sobre as peças durante procedimentos de manutenção de suas aeronaves. Hoje existem aplicativos que permitem ao dono de um automóvel ver instruções visuais sobre como trocar uma peça apontando o celular para essa parte do carro. Há aplicativos que sobrepõem informações sobre as obras de arte. É possível manipular objetos virtuais de estudo como se esses estivessem sobre a mesa."

Quais são os próximos passos desta tecnologia?

Álvaro: "Hoje há diversos aplicativos comerciais disponíveis no mercado com finalidades deferentes. Alguns programas servem para designers, arquitetos e engenheiros desenvolverem seus projetos. Acredito que a realidade aumentada fará cada vez mais parte das nossas vidas. Por exemplo, com o desenvolvimento de óculos especiais para o motorista visualizar as instruções do GPS diretamente na lente, sem precisar desviar o olhar para o painel, significando melhoria na segurança no trânsito."

Romero: "Até pouco tempo seu uso era restrito a laboratórios de pesquisa e algumas empresas. Agora está se popularizando graças aos dispositivos móveis, que possuem todos os recursos necessários para se produzir o efeito. Trata-se de uma mídia já bastante evoluída. O que faltam são aplicações que façam da realidade aumentada uma necessidade, e não apenas uma curiosidade. Outros desafios: barateamento dos equipamentos e acessórios específicos, como os visores."

Jogo Pokémon Go faz mais sucesso que pornografia

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Veja abaixo algumas sugestões em apps que trabalham com realidade aumentada:

Divulgação

Flightradar24 (iOS, Android)

O objetivo deste app é identificar e trazer dados sobre os aviões que estão passando naquele momento no céu. Para isso, basta apontar a câmera do seu celular. Embora em nossos testes tenha apresentado pouca sincronia entre o voo e os dados, não deixa de ser interessante.

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Ingress (iOS, Android)

Produzido pela mesma Ninatic que criou o "Pokémon Go", o Ingress é um jogo de ficção científica na qual você é envolvido em uma trama sobre uma energia misteriosa e portais que ela está abrindo no nosso mundo. Com o GPS ligado, o game reconhece as ruas onde você está e mostra os exatos pontos onde os portais se abrem; você deve ir lá e combater as fontes de energia.

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Wikitude (iOS, Android)

O Wikitude permite escanear imagens de revistas que foram criadas especificamente para o app e mostrar mais recursos multimídia, como fotos, textos e vídeos. Usado nas ruas, ele também acrescenta informações extras sobre locais públicos.

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Toy Car RC (iOS, Android)

Esse é simples e eficiente: baixe o app em um celular, imprima ou baixe em outro dispositivo a imagem marcadora aqui e depois é só soltar o carrinho em cima da imagem marcadora. Você pode dirigi-lo pela sala e também pelos cenários virtuais. Ótimo para crianças.

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Layar (iOS, Android)

Mais voltado para a publicidade, o Layar permite usar imagens estáticas para criar experiências em realidade aumentada. A câmera do app reconhece a imagem e apresenta imagens em 3D ou conteúdos extras como mensagens de vídeo, música e apresentações de fotos.

Reprodução

Augment (iOS, Android)

Com o Augment você põe modelos 3D de diversas aplicações no mundo real. Dá para mudar de lugar, girar e até alterar o tamanho. Se uma loja de móveis disponibilizar pelo sistema do app um modelo de uma cadeira, você pode ver como ela ficaria em sua sala de estar antes de comprá-la de verdade.

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Skyview (iOS, Android)

Apps de astronomia são relativamente comuns, e eles usam os sensores de movimento dos celulares para mostrar onde está cada estrela do céu. A diferença no Skyview é que ele abre a câmera e mescla o ambiente em que você está com as imagens das constelações, seja dia ou noite.

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Aurasma (iOS, Android)

O Aurasma é praticamente uma comunidade de efeitos em realidade aumentada, pois ele oferece a chance de você criar a sua própria camada para sobrepor no alvo escolhido por você. Pode ser um modelo 3D, foto ou vídeo. E você pode brincar com as das outras pessoas e empresas que criaram seus modelos.

https://www.youtube.com/watch?v=_R9LWa1Zlcg

Zookazam (iOS, Android)

App educativo que cria bichos e objetos em 3D quando combinados com imagens impressas no papel ou na tela do computador. Serve mais para as crianças entenderem como é a fisionomia de um tubarão sem ter que encostar nele, por exemplo.

Divulgação

Anatomy 4D (iOS, Android)

Outro voltado para o aprendizado. Imprima ou baixe em um tablet essas imagens para servirem de marcadores. Daí com o app você consegue moldes em 3D do corpo humano e pode fracioná-lo em todos os seus sistemas: circulatório, muscular, ósseo, etc. Há ainda um modelo específico do coração humano.

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