Novos aplicativos aproveitam boom de economia dos bicos

Gabrielle Coppola

Bloomberg

Um dos motivos pelos quais Mustafa Muhammed finalmente cedeu e comprou um smartphone foi porque ele precisava achar emprego.

O cozinheiro de 57 anos estava cansado de usar o computador de uma biblioteca para procurar emprego e de ver como amigos recebiam indicações antes que ele por meio de alertas em seus celulares. Após comprar seu primeiro smartphone há cerca de dois anos, ele baixou um aplicativo para dispositivos móveis chamados Snagajob. Nesse verão no hemisfério norte, ele conseguiu uma vaga em no novo restaurante IHOP que abriu no Harlem após vê-la aparecer em sua caixa de mensagens.

"Este é o segundo emprego", diz Muhammed, que também trabalha no refeitório da Universidade Fordham. "Eu queria arrumar um pequeno extra para o verão. Não gosto de ser preguiçoso".

Snagajob

Snagajob é um de muitos aplicativos que surgiram nos últimos anos para servir a chamada economia dos bicos. Somente neste ano, startups de recursos humanos atraíram US$ 1,2 bilhão em venture capital, e grande parte dos fundos vai para empresas criadas para lucrar com a natureza fluída do trabalho temporário e por contrato, segundo a empresa de pesquisa CB Insights. Em um ano eleitoral dominado pelas inquietudes com a desigualdade econômica, Hillary Clinton e Donald Trump prometem gerar mais empregos de tempo integral. Mas o Vale do Silício aposta que a economia dos bicos veio para ficar.

"Há dois ou três anos, era bastante raro ter mais de um emprego", diz o CEO da Snagajob.com Inc., Peter Harrison. "Agora é realmente muito comum. A base sobre a qual estamos construindo nossa empresa é entre a diferença entre arrumar emprego e arrumar um turno".

Fundada em 2000 como painel de empregos online com foco no trabalho por hora "pouco qualificado", a Snagajob afirma que quase dobrou a receita obtida com empregadores nos últimos três anos. A empresa afirma ter 10 milhões de usuários mensais únicos e uns 425 empregados. Em junho, a companhia de Virgínia apresentou um aplicativo de mensagens por dispositivos móveis que permite aos empregadores designar turnos e aos trabalhadores trocá-los.

Europa, EUA

Aplicativos semelhantes também estão levantando voo na Europa. A Espanha, com um setor de serviços grande e 20 por cento de desemprego, se transformou em um laboratório de testes para startups que oferecem a simplicidade do uso no celular, da geolocalização e dos algoritmos que conectam pessoas para o recrutamento de empregos por hora. Três delas - a Job Today, a Jobandtalent e a Corner Job - levantaram cerca de US$ 87 milhões juntas neste ano.

As tendências na força de trabalho estão favorecendo esses aplicativos porque cada vez mais pessoas preferem escolher seus horários de trabalho. Nos EUA, embora elas prefiram empregos de tempo integral, políticas públicas aumentaram o incentivo para que empresas contratem trabalhadores temporários e contratados, diz Harrison do Snagajob. Para evitar pagar planos de saúde conforme exigido pelo Obamacare, muitas empresas garantem deliberadamente que os funcionários trabalhem menos de 30 horas por semana. É possível que elas também prefiram trabalhadores temporários para evitar pagar horas extras agora que a administração Obama expandiu a elegibilidade para milhões de americanos.

É claro, nem todos estão tão apaixonados pela economia dos bicos quanto o setor de tecnologia. "Essa glorificação da flexibilidade não está em sintonia com a realidade do que a maioria dos trabalhadores realmente quer", diz Carrie Gleason, que dirige a Fair Workweek Initiative, uma rede de grupos de ativistas que faz campanha para aprovar leis que sustentem horários previsíveis e horas garantidas em setores com salários baixos. A troca de turnos é "uma ferramenta de sobrevivência", diz ela. "Não é o ideal".

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