Facebook decide manter postagens polêmicas que sejam de interesse público

Do UOL, em São Paulo

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    "Vamos permitir mais itens que as pessoas acham interessante, mesmo que violem nossas normas", diz a empresa

    "Vamos permitir mais itens que as pessoas acham interessante, mesmo que violem nossas normas", diz a empresa

Retirar postagens polêmicas no Facebook normalmente costuma render ainda mais polêmicas. Após ter sofrido tantas críticas, a rede social publicou um comunicado que confirma que mudará sua abordagem de remoção de conteúdo para considerar, eventualmente, o "interesse público" acima de sua política interna.

"Nas próximas semanas, vamos começar a permitir mais itens que as pessoas acham interessante, significativo, ou importante para o interesse público --mesmo que de outro modo poderiam violar as nossas normas. Nossa intenção é permitir mais imagens e histórias sem que representem riscos de segurança ou exibição de imagens gráficas para menores e outras pessoas que não querem vê-los", diz a nota.

Assinado por Joel Kaplan, vice-presidente de políticas públicas globais do Facebook, e por Justin Osofsky, vice de operações globais e parcerias de mídia, o texto dá a entender que as críticas envolvendo o contexto das postagens foram ouvidas e assimiladas pela direção da rede social.

"Observar os padrões globais para a nossa comunidade é complexo. Se uma imagem é notícia ou historicamente significativa é altamente subjetivo. Imagens de nudez ou violência que são aceitáveis em uma parte do mundo podem ser ofensivas --ou até mesmo ilegais-- em outro. Respeitar as normas locais e sustentar práticas globais é algo que muitas vezes entra em conflito", dizem os executivos.

O Facebook ainda não sabe muito bem como isso vai acontecer, mas diz que quer contar com a ajuda de diversas instâncias e experiências para isso.

"Vamos trabalhar com a nossa comunidade e parceiros para explorar exatamente como fazer isso, tanto por meio de novas ferramentas quanto de abordagens para execução. (...) Estamos ansiosos para trabalhar em estreita colaboração com especialistas, editores, jornalistas, fotógrafos, policiais e defensores da segurança sobre como seria o melhor para os tipos de itens permitidos".

Em junho de 1972, um avião da Força Aérea Vietnamita bombardeou a vila de Trang Bang com napalm. A garota do centro, Kim Phuc, tinha nove anos, e sobreviveu

Toda nudez será castigada?

O Facebook já tem um histórico considerável de confusões envolvendo retirada de postagens. Normalmente fotos com pessoas parcialmente ou totalmente nuas não demoram a sair do ar, por estarem em desacordo com a política de comunidade da rede social --mesmo que sejam imagens de conotação política ou artística.

No início de setembro, a empresa pediu desculpas por ter censurado uma foto icônica da Guerra do Vietnã de uma menina nua tentando escapar de um bombardeio de napalm. A medida desencadeou uma onda de indignação, inclusive da primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, que repostou a fotografia e disse que o Facebook estava buscando "editar nossa história comum".

Alguns exemplos recentes disso no Brasil foram fotos de mulheres amamentando, de grávidas, de um pai tomando banho com o filho e até mesmo de um casal gay se beijando no perfil do Bate-papo UOL.

Por outro lado, as ferramentas de denúncia do Facebook também podem ser usadas de forma inadvertida por grupos contrários aos posicionamentos sociopolíticos de uma página.

Isso ocorreu no ano passado, quando cinco páginas ligadas aos direitos das mulheres e aos direitos LGBTT foram removidas pelo Facebook depois de receberem denúncias anônimas de conteúdo impróprio. As autoras dos sites "Feminismo sem demagogia", "Jout Jout Prazer" e "Moça, Você é Machista" atribuem a ação a ataques de grupos com discursos de ódio.

Em 2013, no auge de uma onda de manifestações políticas no Brasil, o Facebook foi acusado por alguns usuários de remover conteúdo político, mas a empresa negou. "Não removemos conteúdos com base no número de denúncias recebidas (...) Quando um conteúdo é denunciado, ele só é removido se violar nossos Termos de Uso", disse o Facebook Brasil na época.

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