"Mais sensação de realidade", diz brasiliense sobre migrar para TV digital

Jéssica Nascimento

Do UOL, em Brasília

  • Jessica Nascimento/UOL

    Clarice Oliveira recebeu o conversor por meio da Bolsa Família

    Clarice Oliveira recebeu o conversor por meio da Bolsa Família

Desligado há uma semana, o fim da transmissão do sinal analógico no Distrito Federal não é unânime entre os brasilienses. Brasília foi a primeira capital do país a desligar a transmissão analógica e permanecer apenas com o sinal digital.

A transição para a TV digital, inicialmente prevista para 26 de outubro, foi adiada após o Ibope apontar que, em 24 de outubro, apenas 84% dos domicílios da capital estavam aptos a receber o sinal digital. Já na última pesquisa, feita na semana passada, mostrou que houve progresso, mas ainda não unanimidade: 90% das residências estavam preparadas.

Apesar do número satisfatório, 75 mil kits para distribuição, segundo comunicado da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) ainda estavam disponíveis para serem retirados. Famílias beneficiárias dos programas sociais do governo têm direito a retirar o equipamento gratuitamente, com conversor, cabos e antenas.

Dona de casa, Clarice Oliveira, 56, recebeu o conversor por meio da Bolsa Família. A moradora de Samambaia, região administrativa que fica a 31 km do centro de Brasília, comemorou a ajuda. "Fiquei muito feliz quando assisti pela TV o anúncio de que íamos receber a ajuda. Ganho R$ 92 e não iria conseguir tirar do próprio bolso o dinheiro para pagar o conversor."

Na casa de Clarice, moram seis pessoas: os três filhos, marido e a mãe dela. Todos aprovaram a troca do analógico para o digital. "Agora, a imagem fica mais limpinha. Com mais qualidade, né? Dá uma sensação de realidade a mais. Fora que depois da mudança, novos canais na TV aberta apareceram. Aprovamos a mudança", diz a dona de casa.

O especialista em TV digital Alexandre Kieling, 55, acredita que com a mudança, o Brasil dá o primeiro passo para o futuro. Segundo o professor da Universidade Católica de Brasília, a TV passa a funcionar na mesma lógica dos computadores e, portanto, passa a integrar uma grande "ambiência midiática", ou seja, de um complexo sistema de produção, circulação e consumo de conteúdo audiovisual.

"É fato que se trata de um ambiente no qual a infraestrutura de transmissão terrestre é mais cara e que exige uma capacidade de dinheiro importante para sua plena implantação. Por outro lado, trata-se de um serviço gratuito e que é a única forma de acesso aos bens culturais --entretenimento e informação-- para mais da metade da população brasileira", explicou Kieling.

Jessica Nascimento/UOL
Ronie Von Pereira gastou R$ 70 para comprar um conversor para a TV

O mecânico Ronie Von Pereira, 40, conta que gastou R$ 70 para comprar um conversor para a TV da casa onde mora, em Sobradinho. Viciado em futebol e jornais, ele confessa que não hesitou em adquirir o aparelho quando recebeu a notícia do desligamento do sinal analógico.

"Só de pensar em ficar sem assistir à televisão, já entrava em pânico. Apesar de ter TV a cabo, gosto muito de assistir aos canais abertos, principalmente aquele jogo de domingo", explica.

Mudança não agradou a todos

O desligamento do sinal analógico de TV também chegou a outras nove cidades do entorno do Distrito Federal: Cristalina, Luziânia, Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso, Cidade Ocidental, Novo Gama, Formosa, Águas Lindas de Goiás e Planaltina. A mudança atingiu quatro milhões de pessoas, 12 emissoras e 25 canais.

O conversor, aparelho que transforma o sinal digital em um sinal compatível com a TV, deve ser instalado em cada aparelho televisivo na casa. Por conta do preço um pouco salgado, geralmente entre R$ 100 e R$ 150, alguns moradores ficaram sem o aparelho. A técnica administrativa Laís Ferraz, 25, está passando por essa situação.

"Não comprei porque estava sem dinheiro, além do trabalho que daria para passar a fiação da antena. O preço é um pouco caro, mas não absurdo. Porém, a qualidade do sinal onde eu moro é péssima. Quando chove ficamos sem sinal. Para ser sincera, o serviço prestado não vale a mudança. Preferia o sinal analógico", diz ela, que abandonou a televisão.

Apesar das opiniões diversas, o especialista Alexandre Kieling analisa que a mudança é positiva. Para ele, a troca é um avanço tecnológico que tem grande impacto social. "Ela traz a base da pirâmide (de classes sociais) a condição de acessar, de alguma maneira, a ambiência digital já frequentada pelas outras faixas dessa estrutura".

Próximas regiões

A segunda região que terá o sinal analógico desligado vai ser São Paulo, em março do ano que vem. Logo em seguida virão Goiânia, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador, entre outras. A expectativa é que a transição completa ocorra até 2023.

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