Por que o assistente do celular de futuro será como uma pessoa real

Lilian Ferreira*

Do UOL, em Belo Horizonte

  • iStock

A inteligência artificial quase tão boa quanto a inteligência humana. Esse é um dos próximos grandes objetivos do Google. 

Reprodução
App do Google identifica objetos das fotografias para subdividi-las por temas
Para isso, é preciso que as máquinas aprendam, assim como nós fazemos --sem serem previamente programadas para fazer uma tarefa. E saibam como reconhecer uma árvore numa paisagem ou um cachorro no meio de roupas. Mas isso não é tarefa simples, já que o mundo não tem só padrões pre-determinados. 

Isso vale também para separar seus e-mails, classificar suas fotos, traduzir placas, reconhecer sua voz e trazer a melhor resposta quando você faz uma pergunta capciosa para o Google Now.

Antes, a caixa de spam procurava por viagra, por exemplo, e classificava apenas os e-mails com essa palavra. Agora, ele aprende com seu uso e com os e-mails que você recebe, para fazer uma separação mais inteligente -- o spam da Black Friday é classificado automaticamente.

Os programas, então, não resolvem problemas, mas aprendem a resolver. Para isso, eles traçam padrões em cima de uma base de dados enorme.

As máquinas aprendem mais devagar e cometem mais erros, mas estão sendo treinadas. Homens sabem o contexto em que estamos; máquinas, não"

Berthier Ribeiro-Neto, diretor de engenharia do Google

Tiago Camolesi, engenheiro de software da empresa, lembra que uma criança aprende o que é um gato ao ver o animal uma ou duas vezes, a máquina precisa de muitos dados para identificar. A empresa realizou um evento para contar seus investimentos no aprendizado das máquinas, no prédio do Google em Belo Horizonte, nesta terça-feira (29).

Segundo Camolesi, a máquina produz um classificador, usa a matemática para traçar uma reta que separa padrões a partir do mundo real e do uso. Por exemplo, é amarelo, branco, preto, pode ser um gato; é rosa, azul ou verde, não deve ser. Mas só um parâmetro não é suficiente. A partir daí cria-se uma "rede neural" que cruza diversos padrões. Para reconhecer fotos, por exemplo, são usados 25 milhões de parâmetros.

Para transformar sua foto em um pintura no Prisma, também é usado o aprendizado do programa; que detecta quais partes da foto serão adaptadas. 

Reprodução/Instagram
Aplicativo Prisma transforma fotos em obras de arte em poucos cliques

Mas a tecnologia também é usada para diagnóstico médico, para cálculos no grande colisor de partículas, risco de crédito e até para um carro autônomo dirigir. Um site do MIT faz perguntas morais para reunir um banco de dados de como as pessoas tomariam decisões sobre caso de acidentes, como atropelar uma criança ou um idoso, se não é possível desviar dos dois. O banco poderá ser usado para carros automáticos aprenderem o padrão de decisões e resolverem o que fazer quando em um acidente.

Hoje, 10% dos processadores do Google já estão com aprendizado de máquina, em produtos como Google Tradutor, Google Fotos, Gmail e Inbox, além de YouTube, Android, Google Maps, assistente pessoal e reconhecimento de fala.

Então, não se assuste quando perceber que a assistente do Google já é peça fundamental do seu dia a dia: mostrando fotos do seu filho, respondendo e-mails sozinha por você, permitindo que você leia e fale em qualquer língua e até dirigindo seu carro.

*A jornalista viajou a convite do Google

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber as principais notícias do dia de graça pelo Facebook Messenger? Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos