Reinaldo Canato/UOL

UOL Testa: Qual o melhor celular?

Qual o melhor celular premium lançado em 2016?

Do UOL, em São Paulo

  • Lucas Lima/UOL

    Da esq. para dir., celulares iPhone 7 Plus, Motorola Moto Z e Galaxy s7 Edge

    Da esq. para dir., celulares iPhone 7 Plus, Motorola Moto Z e Galaxy s7 Edge

Em um ano marcado pela crise econômica, as principais marcas do mercado não lançaram nenhum modelo de celular premium por menos de R$ 3.000. Foi o que aconteceu com o iPhone 7 e 7 Plus, Galaxy S7 e S7 Edge, Moto Z, Zenfone 3 Deluxe, Xperia XZ e G5 SE, os melhores modelos da Apple, Samsung, Lenovo, Asus, Sony e LG em 2016.

Alguns desses modelos, porém, já baixaram de preço. Uns mais, outros menos: o Galaxy S7 chegou por R$ 3.799 e já pode ser achado nas lojas online por R$ 2.249, o que ainda é bastante. Já o G5 SE foi bem além: ele chegou aqui pelo absurdo preço de R$ 3.499, mas já pode ser achado por aí por R$ 1.798, uma redução de quase 50%.

Agora que a temporada de lançamentos de 2016 está no fim, que tal compararmos as qualidades e defeitos destes modelos e avaliar seus respectivos custos-benefícios na situação atual?

Usabilidade e design

  • iPhone 7 e 7 Plus: 138,3 x 67,1 x 7,1 mm / 138 g (7); 158,2 x 77,9 x 7,3 mm / 188 g (7 Plus)
  • Galaxy S7 e S7 Edge: 142,4 x 69,6 x 7,9 mm / 152 g (S7); 150,9 x 72,6 x 7,7 mm / 157 g (S7 edge)
  • Moto Z: 153,3 x 75,3 x 5,19 mm / 136 g
  • Zenfone 3 Deluxe: 156,4 x 77,4 x 7,5 mm / 170 g
  • Xperia XZ: 146 x 72 x 8,1 mm / 161 g
  • LG G5 SE: 149,4 x 73,9 x 7,3 mm / 156 g

Reprodução
Ao lado do iPhone 7, Galaxy S7 se destaca por não ultrapassar limites do design

Com exceção do iPhone 7, todos esses modelos têm mais de 14 centímetros de altura. Dois deles têm mais de 15 cm. A maioria deles também supera os sete centímetros de largura. Ou seja, estamos definitivamente na era em que o termo em inglês "phablet" --misto de telefone e tablet-- deixou de ser coisa de nicho para se tornar praticamente uma regra, devido à vontade popular de telas maiores.

Estratégias interessantes estão sendo adotadas para tornar confortável o uso de celular grande, como curvas e texturas nas bordas e na traseira. Mas é inegável que as fabricantes foram longe demais e chegaram a um teto nas medidas dos aparelhos. Dito isso, o iPhone 7 e o Galaxy S7 se destacam justamente por ainda estarem pisando no freio e mantendo um tamanho aceitável para a maioria das mãos.

Coincidência ou não, dois belos designs do ano também são os do iPhone 7 e do Galaxy S7, pois ambos apostam na limpeza de detalhes na frente, liga metálica com acabamento sofisticado e cores metalizadas aprovadas pelo público. Mas talvez o mais elegante do ano tenha sido o Xperia XZ na versão "azul floresta", com um belo acabamento fosco. Também vale mencionar o Zenfone 3 Deluxe, superfino e na cor dourada, que deram um real ar "premium" a ele.

Lucas Lima/UOL
Zenfone 3 deluxe apresentou desempenho bipolar em teste de desempenho

Desempenho

  • iPhone 7 e 7 Plus: processador A10 Fusion quad-core 2,34 GHz (7) e 2,23 GHz (7 Plus); 2 GB de memória RAM (7) e 3 GB (7 Plus)
  • Galaxy S7 e S7 Edge: processador Exynos 8 8890 octa-core 2,3 GHz; 4 GB de memória RAM 
  • Moto Z: processador Snapdragon 820 quad-core (1,8 GHz), 4 GB de memória RAM 
  • Zenfone 3 Deluxe: processador Snapdragon 820 (2,15 GHz) e 821 (2,4 GHz); 6 GB de memória RAM 
  • Xperia XZ: processador Snapdragon 820 (2,15 GHz); 3 GB de memória RAM 
  • LG G5 SE: processador Snapdragon 652 octa-core (1,8 GHz), 3 GB de memória RAM

Quem acompanha tecnologia sabe que as especificações de um aparelho podem enganar. Um caso clássico é a linha iPhone: mesmo com menos memória RAM que a concorrência ou um processador que a própria Apple não divulga sua velocidade --esta é obtida apenas em comparativos de desempenho--, o celular da maçã é sempre um dos campeões de performance.

E parece ser o caso novamente: o iPhone 7 Plus foi excelente no teste do UOL, e o iPhone 7 conta com o mesmo processador. A diferença está na memória RAM, que no 7 Plus é 1 GB maior que o do "irmão". Mas a performance do Galaxy S7 Edge foi igualmente exemplar. Por outro lado, o Zenfone 3 Deluxe foi um pouco "bipolar", apresentando rapidez bem acima da média em muitos processos mas também uns travamentos sem explicação aparente.

Em cima do muro estão o Moto Z, Xperia XZ e LG G5 SE, que embora tenham apresentado desempenho satisfatório e ficarem próximos do iPhone e do Galaxy no uso cotidiano, também tiveram alguns problemas com aquecimento.

Tela e áudio

  • iPhone 7 e 7 Plus: 4,7 polegadas em resolução Retina HD (7); 5,5 polegadas em resolução Full HD (7 Plus)
  • Galaxy S7 e S7 Edge: 5,1 polegadas em resolução Quad HD (S7); 5,5 polegadas em resolução Quad HD (S7 Edge)
  • Moto Z: 5,5 polegadas em resolução Quad HD
  • Zenfone 3 Deluxe: 5,7 polegadas em resolução Full HD
  • Xperia XZ: 5,2 polegadas em resolução Full HD
  • LG G5 SE: 5,5 polegadas em resolução Quad HD

Divulgação
G5 SE apresentou destaque em suas telas

Ao ler essas especificações, é quase um gigante empate técnico entre os concorrentes, pois todos têm entre cinco e 5,5 polegadas. E tanto a resolução Full HD quanto a Quad HD são ótimas para o usuário médio, embora a segunda seja melhor. Mas talvez a métrica melhor a ser avaliada seja a de pixels por polegada (ppi, na sigla em inglês), porque é ele que determina a densidade da imagem mostrada. Quanto mais denso, mais definido e menos cansada sua vista ficará.

Os níveis de ppi dos aparelhos são: 326 e 401 para iPhone 7 e 7 Plus; 577 e 534 (S7 e S7 Edge); 535 (Moto Z); 386 (Zenfone 3 Deluxe); 424 (Xperia XZ) e 554 (G5 SE). Então o campeão é o Galaxy S7, seguido de perto pelo G5. É bem difícil de achar pixels a olho nu nas telas deles. Mas todos os demais trazem telas muito boas nesse quesito, mesmo os com menor densidade (Zenfone 3 Deluxe e iPhone 7).

Sobre o áudio, os destaques ficam para o iPhones 7 e 7 Plus, que apesar de terem adotado os alto-falantes estéreo tardiamente em relação a outras marcas, o resultado ficou ótimo. O Xperia XZ também veio com estéreo, como em modelos anteriores da Sony, mas a qualidade dos aparelhos da Apple se sobressaíram. Pena que os iPhones e o Moto Z também tiveram destaque negativo ao abolir a tradicional entrada de fone de ouvido.

Câmera

Divulgação
Xperia XZ pode ser interessante se você gostar de selfies

  • iPhone 7 e 7 Plus: 12 MP principal e 7 MP frontal (7); dupla de 12 MP principal e 7 MP frontal (7 Plus) 
  • Galaxy S7 e S7 Edge: 12 MP principal e 5 MP frontal
  • Moto Z: 13 MP principal e 5 MP frontal
  • Zenfone 3 Deluxe: 23 MP principal e 8 MP frontal
  • Xperia XZ: 23 MP principal e 13 MP frontal
  • LG G5 SE: dupla 16 MP/8 MP principal e 8 MP frontal

De cara podemos dizer que a mais inovadora foi as do G5 SE, a primeira das grandes marcas a adotar um sistema de duas lentes. Uma é regular, e a outra é grande angular para panorâmicas. O usuário opta entre elas antes do clique. Já a do iPhone 7 Plus também é dupla, mas elas combinam as duas imagens para gerar efeitos de profundidade e ampliar a qualidade do zoom digital. Outra boa inovação sobre o mesmo tema.

Mas para as pessoas, o que importa no fim é ter boas imagens, certo? Então no aparelho da LG a entrada de luz acabou comprometida, enquanto a do iPhone 7 é excelente em várias situações, mas perde alguns detalhes em fotos noturnas. Na avaliação do UOL, o melhor no saldo geral foi mesmo o Galaxy S7. Mesmo que tenha um sensor abaixo da média dos premium, conseguiu melhores cliques na maioria dos cenários, inclusive à noite.

Por outro lado, se você é fã de selfies, vale dar uma olhada no Xperia XZ. Além do sensor potente, o foco dele é bem acima dos concorrentes. Já as câmeras do Zenfone 3 Deluxe e do Moto Z possuem disparo contínuo, algo legal a se considerar. Veja o nosso comparativo de imagens para entender melhor as nuances entre cada câmera.

Sistema operacional e recursos extras

Karim Sahib/AFP
Com produção de sistema operacional próprio, iPhone se destaca no quesito

  • iPhone 7 e 7 Plus: iOS 10
  • Galaxy S7 e S7 Edge: Android 6.0
  • Moto Z: Android 6.0 (atualizado para 7.0)
  • Zenfone 3 Deluxe: Android 6.0
  • Xperia XZ: Android 6.0
  • LG G5 SE: Android 6.0

Este quesito é uma disputa polêmica. O iOS 10 disputa sozinho contra um batalhão de celulares Android que sofrem modificações de cada fabricante. A forma como flui bem o sistema operacional nos aparelhos da Apple tem a ver como a empresa controla todas as etapas da produção, enquanto as outras empresas precisam pegar o "pacote básico" do Android e mudá-lo conforme suas necessidades.

As mudanças no Android de modo geral tendiam a deixar o sistema mais lento, visualmente esquisito ou ocupando espaço demais na memória. A Lenovo opta por mudar o mínimo possível, mas acrescenta recursos como assistentes de voz e de gestos próprios. Nesse ponto é um dos melhores Android em funcionamento no Brasil. O trabalho de adaptação da Samsung e da Sony também são competentes, mas ainda deixam alguns apps obrigatórios sem a opção de desinstalá-los.

Deixamos aqui então um empate técnico entre iPhone 7/7 Plus e o Moto Z, que fazem mais ou menos a mesma coisa em seus respectivos sistemas. Porém, o Moto Z ainda se sobressai por ter reinventado a forma como usamos acessórios no celular: os Moto Snaps, que "colam" magneticamente na traseira do aparelho e dão novos recursos a ele, foram uma das grandes inovações do ano.

Divulgação
Moto Z tem sobra de 10% a 15% de bateria em um dia de uso moderado

Bateria

  • iPhone 7 e 7 Plus: 1.960 mAh (7) e 2.675 mAh (7 Plus)
  • Galaxy S7 e S7 Edge: 3.000 mAh (S7) e 3.600 mAh (S7 Edge)
  • Moto Z: 2.600 mAh
  • Zenfone 3 Deluxe: 3.000 mAh
  • Xperia XZ: 2.900 mAh
  • LG G5 SE: 2.800 mAh

Aqui é mais um caso em que as especificações enganam um pouco. O Moto Z é o que tem menor capacidade de bateria, mas até que sai bem, tendo sobra de 10% a 15% em um dia de uso moderado. Já o Zenfone 3 Deluxe e o Xperia XZ decepcionam um pouco, pois ficam praticamente zerados à noite nessas mesmas condições. A linha Galaxy S7 é que lidera bem, com destaque para os 3.600 mAh do S7 Edge.

Quase todos os modelos possuem algum tipo de carregamento rápido, que dá cerca de um terço de carga em 15 a 30 minutos em média na tomada. Os iPhones são as exceções. Como está agora, o iPhone 7 ainda está bem atrás dos demais, e ainda não carregam rapidamente.

Custo-benefício

Divulgação
G5 SE está com o preço desvalorizado, mas Galaxy S7 é mais potente e por um bom preço

Os preços médios desses aparelhos normalmente são diretamente proporcionais ao tempo em que estão nas lojas. Quanto mais tempo, maior a chance de terem barateado. A exceção à regra é justamente a linha iPhone, que até fica mais barata em uma promoção aqui e ali, mas via de regra permanecem quase tão caros quanto no dia do lançamento.

Como dito no começo, a maior desvalorização aconteceu com o G5 SE (preço mais barato de R$ 1.798). Pode ter a ver não só com o tempo de mercado (surgiu no país em junho), mas também com a concorrência forte ou com a estratégia arriscada de cobrar caro por um produto com processador e RAM abaixo do modelo gringo.

Já os modelos lançados no Brasil no segundo semestre ainda estão relativamente caros, como os iPhones (a partir de R$ 3.079), o Zenfone 3 Deluxe (R$ 3.899) e o Xperia XZ (R$ 3.999).

Assim, nossas escolhas seriam o Galaxy S7 normal, lançado no começo do ano e já um pouco "menos caro" (R$ 2.399) ou o Moto Z, que no pacote com Moto Snap de bateria extra sai por pelo menos R$ 2.339. Agora, se ainda estiverem caros para o seu bolso, pode tentar o G5 SE, mais barato. Afinal, mesmo com a desvalorização e os (poucos) problemas, ele traz uma tela ótima, bom desempenho, câmera dupla e o interessante conceito modular.

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