Facebook quer desbancar o YouTube e virar plataforma de videoclipes

Lucas Shaw

  • Reprodução /YouTube

Um desfile de novos músicos da Universal Music aconteceu no Ace Hotel, no centro de Los Angeles, no sábado (11), antes da entrega dos prêmios Grammy, para uma sala repleta de executivos que vão garantir o sucesso ou o fim da carreira deles.

Profissionais de marketing das principais marcas e executivos do Spotify e do YouTube estavam na plateia. Espremidos entre as mesas dedicadas à Apple, imponente participante do setor de música virtual, e à Pandora Media, proprietária do maior serviço de rádio on-line do mundo, sentavam-se os executivos de um novo agente que está tentando fazer sucesso no ramo: Facebook.

A maior rede social do mundo intensificou seus esforços para chegar a um acordo abrangente com o setor, de acordo com entrevistas a gravadoras e associações comerciais. Um acordo abarcaria vídeos gerados pelos usuários que incluam músicas e poderia abrir caminho para que o Facebook obtenha mais vídeos profissionais do que as gravadoras.

"Esperamos que eles estejam caminhando para o licenciamento de música para o site todo", disse David Israelite, presidente da Associação Nacional de Editores Fonográficos dos EUA, um grupo do setor.

O interesse do Facebook em direitos musicais está indissociavelmente relacionado a seu crescente interesse em vídeo. Após afastar as propagandas dos meios impressos, as companhias de internet estão atacando a televisão, que atrai cerca de US$ 70 bilhões em publicidade por ano. Embora o Facebook enfrente a concorrência do Twitter e do Snapchat, seu principal rival é o Google, e os videoclipes são um dos tipos de vídeo mais populares do YouTube, um serviço do Google. O Facebook não quis que um de seus executivos desse entrevista.

Conceder a licença de músicas ao Facebook geraria enormes consequências para a indústria musical, que está lutando para ficar com uma parte do dinheiro obtido pelos serviços on-line. Com quase 2 bilhões de usuários e uma unidade próspera de publicidade, o Facebook poderia oferecer bilhões em novas vendas para a indústria musical.

Além dos ganhos de receita, a indústria musical poderia aproveitar um acordo com o Facebook, que tem sede em Menlo Park, na Califórnia, para pressionar mais o YouTube. Executivos do setor musical criticam a abordagem do YouTube ao controle dos direitos autorais, que consideram vaga ? embora o site de compartilhamento de vídeos seja o mais popular do mundo para a música, tenha catapultado vários artistas jovens ao estrelato e tenha fornecido ao setor US$ 1 bilhão em receitas com publicidade no ano passado.

Um acordo com o Facebook também poderia servir de modelo para acordos com outras empresas de redes sociais, como Snapchat.

Por outro lado, dar aos usuários do Facebook mais um meio de acesso gratuito à música poderia interromper o recente aumento de vendas que a indústria musical obteve com os serviços pagos, como Spotify.

As negociações com o Facebook são complexas e envolvem como evitar a violação dos direitos autorais em vídeos criados pelos usuários, por isso é possível que o acordo demore um par de meses ou mais.

O Facebook tranquilizou o setor musical afirmando que a companhia vai policiar a pirataria e compartilhar as receitas de publicidade. Os executivos também estão animados porque o Facebook contratou em janeiro Tamara Hrivnak, uma ex-executiva querida da indústria discográfica que também passou um tempo no YouTube.

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