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De olho na segurança

Mulheres são maiores vítimas de vazamentos na internet; saiba se proteger

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a ONG SaferNet traz dados bem pouco animadores para a luta feminina: as mulheres são as maiores vítimas dos crimes virtuais. Elas correspondem a 65% dos casos de cyberbullying e ofensa (intimidação na internet) e 67% dos casos de sexting (mensagens de conteúdo íntimo e sexual) e exposição íntima. O número de casos de vingança pornô no Brasil, que atingem majoritariamente mulheres, quadruplicou nos últimos anos.

O levantamento foi feito a partir dos pedidos de ajuda e orientação registrados no canal de ajuda a vítimas da ONG, que monitora crimes na internet em parceria com Ministério Público, Polícia Federal e Secretaria de Direitos Humanos.

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que transforma em crime a divulgação de "nudes" sem consentimento da pessoa. O texto, que altera parte da Lei Maria da Penha, reconhece como violência doméstica a distribuição "de imagens, informações, dados pessoais, vídeos, áudios, montagens ou fotocomposições da mulher, obtidos no âmbito de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade". A punição passaria a ser de três meses até um ano de cadeia, além de multa, para os envolvidos. A pena aumenta caso a vítima tenha algum tipo de deficiência ou se a a distribuição tiver motivo torpe --caso da vingança pornô, em que ex-companheiros espalham imagens degradantes de uma pessoa como "punição" pelo fim do relacionamento. O texto ainda aguarda aprovação no Senado.

A SaferNet orienta que as vítimas de crimes virtuais façam denúncias --nos canais da ONG, elas são anônimas-- e pressionem para que o sistema jurídico abarque cada vez mais o número crescente de casos (veja mais abaixo). "A internet hoje funciona como uma caixa de ressonância para aquilo que esta acontecendo na sociedade", ressalta Thiago Tavares, presidente da entidade no Brasil. "Acabou aquela a teoria do 'brasileiro cordial'."

Falta muito para que a Justiça e a sociedade garantam a proteção das mulheres em todos os ambientes, inclusive na internet. Para evitar que você fique ainda mais exposta, veja as orientações que os especialistas em segurança digital dão para prevenir violências virtuais. 

Cuidado com o nude

Em mãos erradas, nudes podem ser usados para humilhar pessoas, e costumam se propagar com uma rapidez muito difícil de rastrear. Prefira fazer a imagem de nudez em câmeras offline e apague a foto pouco depois de tirá-la. Tome cuidado também com novas amizades nas redes sociais, evite usar webcam com estranhos e não divulgue dados pessoais, como endereço físico, telefone ou que bens possui, para pessoas que acabou de conhecer ou só conhece online.

Evite compartilhar

Fotos e vídeos estão constantemente na mira de pessoas mal-intencionadas. Para não ter sua privacidade exposta na internet, é recomendável evitar o compartilhamento de dados pessoais e o armazenamento de fotos íntimas em sites não seguros. Também é importante não mandar imagens por e-mail, mensagem de texto e/ou por comunicadores instantâneos (Facebook, Hangout, Skype, Whatsapp etc).

Cuidado com o ciúmes

Sob o argumento de que se trata de um sinal de confiança mútua, muitos brasileiros compartilham suas senhas de redes sociais. Esse comportamento é arriscado. Se você acha tranquilo deixar outra pessoa ter acesso aos seus perfis, só tenha consciência do que está fazendo. Se um dia o relacionamento com seu par acabar, por exemplo, saiba que sentimentos como vingança e ciúme podem motivar maldades. Antes disso acontecer, que tal impor limites? 

Crie pastas separadas

Ter fotos íntimas salvas no celular ou armazená-las em contas de e-mail pode facilitar o acesso por hackers que buscam por esse tipo de conteúdo para chantagear suas vítimas. Para evitar esse risco, a melhor opção é armazenar suas fotos usando pastas separadas e com utilização de senhas. Evite copiar esse conteúdo. Quanto mais versões de uma imagem você tiver, mais medidas de precaução terá de tomar para evitar vazamentos. 

Privacidade nas redes

Você publica toda a sua vida nas redes sociais? Suas postagens são públicas? Atenção: você é uma potencial vítima de golpistas. É importante revisar configurações de segurança e privacidade para que suas postagens sejam, por padrão, apenas para amigos. Quando você compartilha tudo publicamente, você está mostrando sua vida a desconhecidos.

Evite a nuvem

Em nenhuma hipótese, guarde fotos íntimas na nuvem (Dropbox, Google Drive, Skydrive, iCloud etc.), pois esses dispositivos são alvos constantes dos hackers. Além disso, redobre a atenção para aplicativos que carregam automaticamente as fotos para a nuvem, com o Google Fotos.

Autenticação em 2 etapas

Muitos programas já têm ferramentas que preveem dois passos (a senha e outro dado que assegure que apenas o dono da conta consiga acessá-la, como SMS ou ligação por voz com código de verificação). O WhatsApp, por exemplo, pede senha e código enviado na hora de logar. Dá para habilitar a função em outros serviços populares como Facebook, Google e Twitter, assim ninguém vai ter acesso aos seus perfis.

Senhas complexas

Se você ainda usa senhas fáceis, pare agora. O melhor é combinar letras, números e caracteres especiais. Evite usar seu nome, aniversários ou informações óbvias e fáceis de conseguir. O ideal é ter uma senha diferente para cada perfil que você cria. Mas, como essa é uma precaução bem difícil de seguir, tente não usar a mesma combinação para tudo. A dica é criar combinações por grupo: uma para redes sociais, outra para bancos, outra para sites de e-commerce, etc. Ou opte por programa ou aplicativo gerenciador de senhas para cuidar de todas elas para você. Outra medida importante para impedir que arquivos íntimos caiam nas mãos erradas é a criação de senhas para aplicativos. O PSafe Total Android, gratuito na Google Play, por exemplo, disponibiliza a ferramenta de Cofre, permitindo que usuários protejam galerias de fotos, Facebook, WhatsApp, Tinder, Grindr e outros apps.

Lembre-se do logout

Muita gente ainda usa computadores ou celulares de forma compartilhada e costuma cometer um grande erro: deixar contas de Facebook, Google e afins logadas. Não adianta apenas fechar o navegador, pois muitos deles estão configurados para memorizar a conta. O jeito é sempre sair da conta (logout) e configurar o navegador para que não memorize logins e senhas. Assim, o logout é automático.

Programa anti-invasão ajuda

Em aparelhos novos, instale imediatamente programas antivírus, anti-spyware (que detecta programas que "espiam" o que o usuário faz) e firewall (tipo de "muralha" digital que permite somente o envio e recepção de dados autorizados pelo usuário). Mantenha todos esses programas sempre atualizados. Um site fala se o seu login em alguma rede social já foi invadido de alguma forma; vale pesquisar suas contas por lá. 

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Fui vítima. E agora?

Registre um boletim de ocorrência: O compartilhamento de materiais com teor íntimo ou sexual sem consentimento é crime. Reúna tudo o que foi divulgado e vá até uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência (BO), relatando o que houve. Você também pode preservar as provas registrando uma Ata Notarial em qualquer cartório ou tabelionato de notas. O documento tem plena validade jurídica, ou seja, não poderá ser contestado em um futuro processo judicial.

Procure um advogado: Com as provas, o BO e a Ata Notarial (que não é obrigatória) em mãos, fale com um advogado - de preferência, especializado na área de Direito Digital.

Fale abertamente sobre o assunto: Vergonha ou medo só reforçam a impunidade. Por isso, é importante garantir seus direitos e não se calar sobre o assunto, pois a culpa nunca é da vítima. Além disso, procure apoio de amigos e familiares.

Notei um crime, o que eu faço?

Guarde a URL: Para investigar, a URL específica é necessária --no Facebook ou Twitter, por exemplo, é só clicar na data e hora do post para chegar no endereço certo. Se forem várias ofensas, guarde a URL do perfil também. Tire prints (capturas de tela), mas a URL é fundamental, porque as empresas guardam registros (logs) dos seus usuários e poderão ser obrigadas pela Justiça a fornecê-los.

Ignore os agressores: Não alimente os agressores, os "haters" --eles costumam fazem isso para ganhar audiência. Também não compartilhe o conteúdo, mesmo se for para acrescentar um comentário indignado. Isso é contraprodutivo, porque expõe mais a vítima.

Registre o conteúdo efêmero: Em apps com conteúdo efêmero, como Snapchat ou Instagram, tire um print ou use um app que possa salvar o que acontece na tela.

Salve o que rola no WhatsApp: Se for no WhatsApp, é importante não apagar o conteúdo no desespero. No app, você tem uma função de enviar a conversa por e-mail, na qual pode anexar as mídias (fotos e vídeos).

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