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De olho na segurança

Contas do Instagram são hackeadas no Brasil; saiba como evitar

Do UOL, em São Paulo

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    Contas do Instagram hackeadas

    Contas do Instagram hackeadas

Nas últimas semanas a reportagem do UOL Tecnologia foi informada de contas do Instagram sendo hackeadas no Brasil.

Em comum, o que ocorre é que o(a) dono(a) da conta não consegue mais entrar no Instagram com seu próprio login e a respectiva senha. A partir disso, em alguns casos tudo permaneceu idêntico na conta, mas em outros o nome de usuário e a descrição do perfil foram alterados, e conteúdo pornográfico começou a ser postado.

Pelo menos desde o ano passado que o problema vem ocorrendo pelo mundo. O blog da empresa de segurança Symantec detalhou o caso em agosto, e disse que seriam "scammers" (golpistas virtuais) usando essas contas fantasmas para atrair usuários a clicarem em suposto conteúdo adulto.

Essas contas também são chamadas de "fembots" (robôs fêmeas) no jargão de tecnologia. Se você clicar no link das descrições, será direcionado a páginas falsas que vão render dinheiro aos golpistas.

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Contas do Instagram "fembots"

Nesta quinta-feira (23) o Instagram anunciou que liberou para todos os usuários a verificação em dois fatores, recurso que dá mais segurança ao usuário. Se você habilitar (em Opções > Conta > autenticação em dois fatores), o Instagram vai enviar um código por SMS necessário para logar na conta.

A reportagem ouviu vítimas de cinco casos de hacking no Brasil. A gestora de empresas Ingrid Luiggi contava com duas contas, uma sobre seu blog de viagens e outra pessoal. Esta última foi invadida e teve o nome trocado para outro, uma combinação estranha de letras e números. Após três dias, conseguiu recuperar após entrar em contato com a central de ajuda do Instagram. Não houve maiores problemas além disso.

"Eu mandei e-mail para o Instagram, mandei uma foto minha com meus dados pessoais e depois de um ou dois dias, mandaram um link para restabelecer a senha. Tive que entrar com o nome bizarro que estava e mudei a senha. Minha conta era e ainda é bloqueada, só amigos podem ver", disse.

A jornalista Kátia Lessa também tinha duas contas e só uma delas foi invadida. No caso dela, só ficou sabendo que seu nome de perfil foi trocado quando clicou em uma marcação para o perfil dela no post de uma amiga.

"Um dia usei a conta do site e quando tentei voltar à conta pessoal pelo app, deu 'senha incorreta'. Quando cliquei na marcação da minha amiga, aparecia um nome russo no lugar, com números no final. O e-mail de recuperação e as informações da descrição também foram trocadas. As fotos estavam todas lá, mas adicionaram algumas pessoas que não conheço", diz.

"Ainda uso associação de contas no app, mas me senti um pouco mais tensa. Mudei a senha do Instagram e de outras as redes sociais também", conta a jornalista, que disse ter tido problemas para achar orientações e recebido uma ajuda de um funcionário do aplicativo só depois de ter pedido ajuda publicamente no Facebook.

Já com a filha adolescente da advogada Daniela Fonseca, a situação foi pior porque começaram a subir vídeos pornográficos enquanto mantinham as fotos anteriores da jovem. Neste caso, a reação do Instagram foi rápida: em três horas a conta hackeada saiu do ar. "Ela [a filha] ficou muito nervosa, chorou com isso. Conseguiu recuperar a conta depois, mas ela não está usando mais porque traumatizou", disse Daniela.

Os editores de vídeo do UOL Denis Armelini e Paulo Castro também tiveram problemas. O primeiro também teve perfil alterado e conteúdo sexual postado sem permissão, enquanto o outro teve a conta completamente apagada. "Recebi três avisos de tentativas de invasão por e-mail, mas os ignorei, achando que eram pessoas conhecidas tentando acessar. Só depois vi que tinha sumido", descreveu Castro.

Além dos cinco casos ouvidos pela reportagem, relatos no Twitter nos últimos dias apontam que o número de vítimas pode ser bem maior.

Lá fora, casos recentes de hacking no Instagram ocorreram com o cantor Ozzy Osbourne, com Briana Jungwirth, ex-namorada de Louis Tomlinson, integrante do grupo pop One Direction, e Chloe Khan, participante do reality show "Celebrity Big Brother", que tiveram todas suas fotos apagadas.

Como evitar?

Procurado por duas semanas, o Instagram não emitiu comunicado oficial sobre as invasões. No entanto, a reportagem ouviu uma fonte ligada ao app que confirmou que a política de recuperação de conta envolve o usuário procurar a equipe de atendimento na central de ajuda do app. Lá existe uma área chamada "Contas invadidas por hackers", onde a vítima responde a algumas perguntas para entender o caso e confirmar sua identidade.

Se o próprio usuário iniciou a denúncia, será orientado a enviar uma foto sua segurando um documento de identificação, além de um papel com uma série de números enviados pela equipe, como se fosse um "token" similar àquela chave enviada por SMS para logar no WhatsApp. Isso evitaria que pessoas mal intencionadas tomem conta da conta, como por exemplo um ex-namorado vingativo.

Para se precaver de um futuro ataque, a assessoria de imprensa do Instagram enviou as recomendações abaixo --muitas delas servem para todas as contas que você tiver na internet, tanto de redes sociais quanto por e-mail.

  • Escolha uma senha forte com pelo menos seis números, letras, acentos e caracteres especiais (como ! e &) que seja exclusiva para o Instagram
  • Troque a senha regularmente
  • Seja cauteloso com a senha, mantendo-a só com você
  • Mantenha o seu e-mail seguro, trocando as senhas dele também
  • Faça o logout em smartphones ou computadores compartilhados
  • Pense antes de autorizar uso da conta em apps terceiros (principalmente se forem apps fora das lojas oficiais)
  • Viu um conteúdo ou conta suspeitos ao usar o app? Denuncie ao Instagram
  • Acha que sua conta foi hackeada? Denuncie
  • Não clique em links suspeitos ou desconhecidos na internet
  • Com dúvidas? Acesse a central de ajuda deles

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