Jovem que barrou ataque cibernético ganha folga no trabalho por ser "herói"

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    No Brasil, computadores do Tribunal de Justiça de São Paulo foram infectados no ataque

    No Brasil, computadores do Tribunal de Justiça de São Paulo foram infectados no ataque

Como prêmio por ter impedido estragos ainda maiores na última sexta-feira (12), quando um ataque cibernético atingiu milhares de pessoas em dezenas de países, o analista de sistemas conhecido pelo apelido online MalwareTech vai ganhar uma semana de folga pela façanha. O rapaz de 22 anos  trabalha para uma empresa britânica de segurança --e tem sido tratado pela mídia do mundo todo como um "herói"

"O pesquisador de 22 anos ganhou mais uma semana de folga como recompensa pelo seu trabalho", diz o jornal britânico "The Independent", que publicou hoje matéria sobre o assunto.

Neste domingo (14), a Interpol divulgou que 200 mil vítimas foram atingidas em 150 países.

Reprodução/Twitter
Imagem associada ao perfil MalwareTech, nome usado online pelo jovem de 22 anos

"O analista de segurança cibernética já estava de folga quando decidiu investigar o ataque de ransomware [tipo de software malicioso que sequestra e bloqueia arquivos do usuário atingido em troca do pagamento de um resgate], após ficar sabendo do ataque global", diz o texto.

O fato de ter declarado que impediu "por acidente" que o vírus se propagasse transformou sua ação em algo ainda mais heroico.

"O chefe me deu outra semana como compensação por esta catástrofe de férias", ele disse.

Segundo a BBC, que o entrevistou, o jovem analisava o código que fazia funcionar o vírus responsável pelo ataque quando percebeu que o programa tentava contactar um endereço de internet incomum (iuqerfsodp9ifjaposdfjhgosurijfaewrwergwea.com), que não estava registrado.

Ele, então, gastou o equivalente a R$ 35 reais para "comprar" o endereço. Com isso, conseguiria analisar o comportamento do vírus, mas notou que, logo na sequência à operação de registro, a propagação do programa foi interrompida, como se um "botão de segurança" tivesse sido ativado, levando à sua autodestruição.

"Foi algo acidental. Passei a noite inteira investigando", afirmou. "Quando registrei o site, isso fez com que todas as 'infecções' pelo mundo se desativassem, por acreditar que estavam em uma máquina virtual. Sem querer, impedimos a proliferação do vírus."

Isso não significa que a ameaça foi afastada. Arquivos danificados pelo vírus ainda podem ser usados para chantagear seus donos. E analistas de segurança alertam que novas variações do programa que ignorem o "botão" vão aparecer. (com informações da BBC)

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber as principais notícias do dia de graça pelo Facebook Messenger? Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos