Custava R$ 31 mil: como era primeiro celular do mundo

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Motorola

    Muito mais do que acontece hoje, o primeiro celular da história era um grande símbolo de ostentação

    Muito mais do que acontece hoje, o primeiro celular da história era um grande símbolo de ostentação

Pense em um celular caro hoje em dia. Provavelmente o preço chegaria próximo dos R$ 4 mil, no caso de um iPhone 7 Plus com 128 GB de memória. É, sem dúvidas, um valor alto, mas uma verdadeira pechincha diante preço cobrado pelo primeiro telefone celular da história.

Tratava-se do Motorola DynaTAC 8000X, aparelho que teve sua primeira unidade vendida em 13 de março de 1984 por US$ 3.995. Levando em conta a inflação norte-americana acumulada nesses 33 anos, o preço dele, hoje, seria algo em torno de US$ 9.358, ou R$ 30.995, considerando o câmbio atual.

À época, o máximo de mobilidade que os telefones tinham estava atrelada aos automóveis, que podiam ser equipados com telefones desde a metade da década de 1940.

A parte curiosa disso tudo é que, quando foi apresentado, esse primeiro celular não chamou muita atenção. O aparelho, que media colossais 33 cm de comprimento, 4,3 cm de largura e 8,8 cm de profundidade, pesava quase 800 gramas (um iPhone 7 Plus pesa 188 gramas) e tinha uma bateria que durava meia hora após passar dez horas carregando - pense bem antes de reclamar do tamanho, do peso e da duração da bateria do seu smartphone! - era tido como um capricho. Algo que os ricos da época teriam apenas para se exibir e que, na prática, seria de pouca utilidade.

Como a história mostra, essa opinião poderia estar mais errada.

Reprodução
O Motorola DynaTAC 8000X era enorme, o que mostra que a ideia de praticidade mudou muito nas últimas três décadas

Demorou para ficar pronto

Foram quase 40 anos entre os primeiros esboços conhecidos da telefonia celular e sua chegada ao mercado na forma do aparelho da Motorola. Em dezembro de 1947, um pesquisador da norte-americana AT&T havia criado um memorando do que seria um protótipo bastante arcaico de um sistema de antenas em forma de colméia, um conceito usado até hoje para evitar "buracos" de sinal  - considerando que tudo funcione corretamente, claro - quando se passa da área de cobertura de uma antena para outra.

Já nos anos 1960, outros dois engenheiros da AT&T criaram uma tecnologia que permite que a mesma frequência seja reutilizada. Na prática, isso significava que, na época, os telefones dos carros poderiam manter uma ligação mesmo trafegando entre áreas de coberturas de antenas distintas.

Isso foi especialmente importante se considerarmos que, inicialmente, as cidades eram cobertas apenas por uma antena, o que limitava bastante o acesso à tecnologia de telefonia móvel, independentemente de quanto a pessoa estivesse disposta a pagar por um telefone do tipo para o seu carro.

Já o período entre a idealização desse aparelho da Motorola e sua efetiva chegada ao público correspondeu a 12 anos. A ideia de compactar os componentes de um telefone de automóvel em um aparelho que coubesse na mão (com algum esforço, é verdade), surgiu após a Motorola se sentir ameaçada pela AT&T ter pedido ao governo norte-americano que apenas ela pudesse explorar a nova tecnologia. Como a empresa de telecomunicações possuía um braço de produção de eletrônicos, a Western Electric, seria natural que essa empresa também detivesse o mercado de telefonia móvel.

O resultado é que, em 1972, a Motorola apresentou duas unidades do DynaTAC e, com isso, sua alegação ao governo de que um monopólio na área atrapalharia o desenvolvimento tecnológico foi aceito e o pedido da AT&T, negado.

Uma vez definido que não haveria qualquer monopólio, o governo norte-americano demorou mais dez anos para regulamentar a nova tecnologia. A Motorola, por sua vez, usou esse tempo para aprimorar sua criação até ter um produto viável para ser vendido. Estima-se que foram gastos US$ 100 milhões na empreitada.

Sucesso inesperado

O DynaTAC 8000X foi apresentado pela Motorola em 6 de março de 1983, antes mesmo da Ameritech - empresa que resultou de um desmembramento da AT&T e, hoje, se chama Verizon - lançar o primeiro plano comercial de celulares em outubro daquele ano. Esse plano custava US$ 50 (US$ 122 considerando a inflação no período, o que corresponde a mais de R$ 400) por mês e tinha a taxa adicional de 40 centavos de dólar (correspondente a US$ 0,98 hoje, ou R$ 3,24) por minuto de ligação em horário de pico.

Reprodução/Motorola
A publicidade da época era associada a uma parcela abastada da população; no início dos anos 1980, não se imaginava que, algum dia, os celulares poderiam ser carregados no bolso, e não em maletas executivas

O lançamento comercial do DynaTAC 8000X ocorreu somente no ano seguinte, pelo preço que é citado no início deste texto. Até por isso, a expectativa de vendas era modesta, mas em seu primeiro ano de existência, foram vendidas cerca de 1.200 unidades do aparelho.

"Nós não desenvolvemos o aparelho para adolescentes, a não ser que fosse um adolescente com US$ 4 mil. Aos poucos eles deixaram de ser conveniência e se tornaram uma necessidade. Nós não conseguíamos produzí-los rápido o suficiente e nós não esperávamos esse tipo de demanda", afirma Rudy Krolopp, responsável pela área de design da Motorola à época em entrevista ao site Mashable.

O que se viu daí em diante foi uma popularização crescente do aparelho, com a entrada de outras fabricantes nesse mercado e, felizmente, uma considerável diminuição no tamanho e queda no seu preço.

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