Google e Facebook aderem a protesto por neutralidade da rede

Todd Shields

Quantos ativistas virtuais são necessários para salvar a regulamentação da era Obama preferida do Vale do Silício?

Organizadores de um protesto virtual cujo objetivo é acabar com o plano do Partido Republicano dos EUA de revogar as normas de neutralidade da rede torcem para que o número mágico seja 70.000. Essa é a quantidade de sites e organizações ? que inclui a Amazon.com, o Google, o Facebook e até mesmo o veículo favorito do presidente Donald Trump, o Twitter ? que se comprometeram a participar.

Na quarta-feira, os grandes sites comerciais se somarão aos ativistas e empresas virtuais para informar aos usuários da internet sobre as mudanças planejadas em Washington ? e para pedir que eles entrem em contato com o Congresso dos EUA e com a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), cujo presidente nomeado por Trump, o republicano Ajit Pai, detém uma maioria e pretende abolir a lei que impede interferências com o tráfego web.

O protesto surge em um momento em que legisladores do Partido Democrata voltam a chamar atenção para o assunto. Os senadores democratas Ron Wyden, de Oregon, e Brian Schatz, do Havaí, pediram na segunda-feira que a FCC garanta que seu sistema informático esteja preparado para suportar o aumento projetado da quantidade de comentários. Ambos os senadores defendem a conflitada lei.

A FCC já recebeu 5,6 milhões de comentários sobre o assunto antes do prazo final para considerações, 17 de julho. Em maio, um comentário do comediante John Oliver transmitido pela TV desencadeou uma onda de mensagens para a FCC.

Mark Wigfield, porta-voz da FCC, não quis comentar sobre os protestos.

Os organizadores esperam que essa onda de manifestações possa fazer com que a FCC desista do caminho que aparentemente está tomando para revogar a lei que proíbe que provedores de banda larga, encabeçados por AT&T, Comcast e Verizon Communications, bloqueiem ou reduzam a velocidade de dados, por exemplo, para prejudicar concorrentes ou favorecer serviços afiliados.

"Estamos tentando facilitar que pessoas reais comentem e façam com que sua voz seja ouvida", disse Evan Greer, diretor de campanha do Fight for the Future, um grupo sem fins lucrativos que ajudou a organizar o protesto. "Ajit Pai deixou claro que não está interessado em ouvir o povo. Ele está ouvindo as empresas de cabo e pretende conceder-lhes o que elas desejam."

Os defensores da iniciativa de Pai afirmam que a lei de neutralidade reivindica uma autoridade excessiva sobre provedores de banda larga, desestimula o investimento necessário para propagar o serviço de internet rápida a mais pessoas e que um mercado competitivo vai garantir que os provedores de banda larga administrem o tráfego de forma justa.

Entre os quase 70.000 indivíduos, sites e organizações que aderiram à iniciativa estão o serviço on-line de música Spotify, o site de artesanato Etsy e o site de compartilhamento de vídeo Vimeo, da IAC/InterActiveCorp, de acordo com Greer. Porta-vozes do Facebook, da Netflix e do Google, que pertence à Alphabet, confirmaram a participação, sem dar mais detalhes. A Amazon.com está participando, de acordo com os organizadores do protesto.

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Todd Shields em Washington, tshields3@bloomberg.net.

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