Carne enlatada e Monty Python: de onde veio a palavra "spam"?

Victor Ferreira

Do Gamehall, em São Paulo

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Se você usa a internet - e, a menos que alguém tenha imprimido este texto por razões inexplicáveis, você está usando ela neste momento -, sabe bem o quão irritante é lidar com o "spam", as mensagens indesejadas que invariavelmente encontram um caminho para sua caixa de entrada.

Embora hoje em dia existam filtros que nos ajudem a lidar com este problema, em algum momento algum e-mail falando sobre uma cura milagrosa ou aumento para pênis (ou os dois) vai aparecer nas suas notificações, ou um perfil obviamente falso vai fazer um pedido de amizade no Facebook.

As pessoas têm lidado com spam de uma forma de outra desde as origens da internet, nos anos 1970 (e até mesmo na época dos telegramas), mas o que muitos não devem saber é a estranha - e, logicamente, bem nerd - origem do termo para este tipo de mensagem.

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Enlatado inglês

Lançado pela Hormel Foods Corporation em 1937 no Reino Unido, SPAM é um enlatado de carne de porco condimentada. A origem da palavra em si não é de conhecimento público, mas as principais teorias é de que ela seja um acrônimo de "spiced ham" até a sigla para "Specially Processed American Meat" (Carne Americana Especialmente Processada) ou "Specially Processed Army Meat" (Carne para Exército Especialmente Processada).

Podendo ser servida quente ou fria, a carne está longe de ser qualquer tipo de iguaria, mas acabou sendo a salvação de muita gente durante os dias da Segunda Guerra Mundial, e logo virou ingrediente de muitos pratos em restaurantes ingleses.

E aí que entra o Monty Python, um dos maiores e mais influentes grupos de comediantes de todos os tempos.

Em uma esquete na segunda temporada de seu programa "Monty Python's Flying Circus", exibido originalmente em 1970, um casal visita uma lanchonete em praticamente todos os itens do cardápio tem SPAM (e muito SPAM), para o desgosto da esposa.

Na lanchonete também estão vikings que adoram SPAM ao ponto de cantar uma música especial sobre SPAM, nomeada apropriadamente, "The SPAM Song".

Por que vikings? Porque Monty Python.

OK, mas e daí?

Bom, é sempre importante lembrar que, em seus primeiros dias, a internet era povoada quase exclusivamente por geeks, que além de tecnologia curtiam revistas em quadrinhos, filmes de ficção científica e - sim -, Monty Python.

Mesmo nos anos 1980, em grupos de chat, algumas pessoas mandavam várias mensagens com uma versão gigante da palavra "SPAM" criada usando arte ASCII, em referência ao canto dos vikings na esquete. Pela velocidade extremamente lenta da conexão na época, esta imagem poderia demorar muito tempo para ser carregada.

Com a popularização da rede Usenet, mensagens repetitivas em vários canais diferentes começaram a surgir, bloqueando tópicos de interesse dos usuários. Possivelmente o primeiro a definir este tipo de coisa especificamente como "spam" foi o americano Joel Furr, em clara referência à piada do Monty Python.

Embora vários termos tenham existido para definir estas mensagens - "flooding" (inundações, em tradução livre) era outro particularmente popular - "spamming" começou a se tornar sinônimo com este fenômeno, e em 1998 o dicionário Oxford trouxe uma definição extra para a palavra: "mensagens irrelevantes e inapropriadas enviadas pela internet para grupos ou usuários".

Assim, "spam" deixou de significar apenas um tipo de enlatado vendido em poucos países fora do Reino Unido, e agora está mais associado a uma das coisas mais chatas da web.

E não, a Hormel Foods Corporation não ficou nem um pouco feliz com isso... embora, curiosamente, não seja contrária à esquete em si, considerando que deixou Eric Idle chamar o musical da Broadway baseado em "Monty Python e o Cálice Sagrado" de "Spamalot".

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