Robôs do Facebook criam uma "linguagem" que só eles entendem em experimento

Do UOL, em São Paulo

  • Dado Ruvic/Reuters

    Experimento do Facebook resultou em uma conversação que só robôs entendiam

    Experimento do Facebook resultou em uma conversação que só robôs entendiam

Um experimento com robôs do Facebook gerou uma "linguagem" nova que apenas as máquinas envolvidas no teste eram capazes de entender. A pesquisa foi realizada no centro de pesquisa de inteligência artificial da rede social e envolvia chatbots (robôs capazes de conversar por texto com humanos).

Segundo a imprensa internacional, a intenção do teste era inventar um robô que aprendesse a negociar ao imitar o comércio e os truques humanos ao negociar bolas, chapéus e livros. A experiência foi bem até o Facebook colocar os dois robôs, chamados de Alice e Bob, para negociar entre eles e esquecer de especificar para que a negociação fosse feita em inglês compreensível.

Quando as máquinas passaram a interagir entre si, começaram a fazer sua própria forma de comunicação. De acordo com os pesquisadores, a conversa levou à "divergência da linguagem humana à medida que os agentes desenvolveram sua própria linguagem para negociar".

Apesar de boa parte da repercussão sobre o assunto envolver pânico, não há com o que se assustar neste caso. Os robôs apenas adaptaram a linguagem humana para seus próprios propósitos e para tornar a conversa mais prática – como códigos são usados por uma equipe de soldados, por exemplo. Mas que é bizarro, é.

"Não havia recompensa para permanecer no inglês. Os agentes saíram da linguagem compreensível e inventaram códigos para eles mesmos. Como ao dizer 'the' cinco vezes você interpreta que eu quis dizer que quero cinco cópias deste item. Isso não é diferente do jeito que comunidades de humanos criam atalhos na conversação", relatou Dhruv Batra, pesquisador do Facebook, ao site FastCo.

Os pesquisadores ainda disseram que humanos não conseguiram decifrar a linguagem dos robôs e traduzir de volta para o inglês. Mas aparentemente havia algumas regras nas falas das máquinas. A maneira como os chatbots continuavam salientando seu nome parece ser uma parte da negociação, não uma falha no modo como as mensagens são lidas.

De fato, algumas das negociações chegaram a ser concluídas nessa bizarra linguagem, segundo o The Independent. Depois de encerrar a conversa incompreensível, o Facebook disse que o projeto marcou um importante avanço para criar "chatbots que podem raciocinar, conversar e negociar, todos eles passos chaves para construir um assistente digital personalizado".

Veja trecho da conversação dos chatbots em inglês:

Bob: i can i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have zero to me to me to me to me to me to me to me to me to

Bob: you i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have a ball to me to me to me to me to me to me to me

Bob: i i can i i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have a ball to me to me to me to me to me to me to me

Bob: i . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have zero to me to me to me to me to me to me to me to me to

Bob: you i i i i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have 0 to me to me to me to me to me to me to me to me to

Bob: you i i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have zero to me to me to me to me to me to me to me to me to

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