Winamp: como era ouvir música no computador nos anos 1990

Do UOL, em São Paulo

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    A maioria das pessoas que usavam o computador para ouvir música na segunda metade dos anos 1990 se deparava com essa tela; o Winamp foi extremamente popular pela sua versatilidade e possibilidades de personalização

    A maioria das pessoas que usavam o computador para ouvir música na segunda metade dos anos 1990 se deparava com essa tela; o Winamp foi extremamente popular pela sua versatilidade e possibilidades de personalização

Para ouvir sua música preferida saindo das caixinhas dos populares kit multimídia em computadores da década de 1990 - as placas de som Soundblaster 16 eram um luxo na época - invariavelmente escolhia um desses dois caminhos: colocar um CD no drive do PC ou utilizar os famigerados arquivos MP3, obtidos por vias legais ou não. Em ambos os casos, porém, havia algo em comum: o player preferido para discos e arquivos era o Winamp.

Lançado há pouco mais de 20 anos , em 21 de abril de 1997, o Winamp foi criado por Justin Frankel  e Dmitry Boldyrev, ex-estudantes da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Em sua estreia, ele se tratava de um aplicativo bastante simples e só na primeira revisão, cerca de um mês depois, ele começou a ter o visual que o tornou popular e que estrearia de vez na versão 1.006, de junho de 1997.

Além de simplesmente reproduzir músicas, o aplicativo tinha outros atrativos. É provável que, em alguns deles, a maioria dos usuários só mexesse para parecer descolado, caso do equalizador, ou simplesmente achasse bonitinho de ver, mas não sabia para o que servia, caso do espectrômetro.

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Criada por dois ex-estudantes da Universidade de Utah, nos EUA, a Nullsoft fez fama com o Winamp e tinha uma simpática lhama como símbolo

E, claro, haviam as skins: quem estivesse enjoado do visual sóbrio do programa, poderia personalizar cores ou baixar e instalar esquemas visuais já prontos. Da mesa maneira, plugins ajudavam a dar novas funções ao polivalente aplicativo, incluindo a possibilidade de assistir a vídeos.

Disputas judiciais e decadência

O grande sucesso do Winamp veio com a versão 2.0, de setembro de 1998. Foi nela que algumas características, como a já citada possibilidade de instalar skins, estrearam.

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Versão mais popular do aplicativo, o Winamp 2 foi a preferida dos usuários por ser leve e fácil de usar; seu sucessor, Winamp3, marcou o início da decadência do aplicativo

Apesar da popularidade em alta, a Nullsoft - empresa formada pelos criadores do aplicativo - acabou enfrentando alguns problemas judiciais envolvendo o decoder utilizado para reproduzir os arquivos no programa. Essa disputa, com uma empresa chamada Playmedia, acabou resultando em um acordo extrajudicial entre as duas companhias, com valores não declarados.

No ano seguinte, a Nullsoft foi comprada pela AOL em um negócio de US$ 80 milhões.

Os anos de ouro do aplicativo, porém, terminaram com a chegada do Winamp3, em 2002. Essa versão era excessivamente pesada e não era compatível com plugins e skins do Winamp 2, o que fez com que muitos usuários se mantivessem no programa antigo ou, pior, migrassem para concorrentes como o Windows Media Player.

O resultado é que essa versão durou pouco tempo e, cerca de um ano depois, o Winamp 5 chegava ao mercado. Foi a última versão "cheia" do programa, que depois só ganhou atualizações pontuais, caso do Winamp 5.5, de 2007, e o 5.6, em 2010.

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A possibilidade de personalizar a aparência do Winamp era um dos seus grandes atrativos; basicamente, era possível encontrar skins de todo o tipo para o aplicativo

Já em novembro de 2013, a AOL anunciou que descontinuaria o aplicativo dentro de um mês, deixando de oferecer novos downloads ou atualizações. No início do ano seguinte, a Nullsoft acabou sendo vendida para uma empresa belga chamada Radionomy.

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Última versão do aplicativo, o Winamp 5.6 surgiu em uma época na qual o uso de MP3 players e smartphones já era popular

Alguém precisa de um Winamp?

Mais do que marcar a adolescência de muita gente, o Winamp acabou sendo uma tradução fiel da indústria da música. O auge de sua relevância aconteceu junto com o "boom" do formato MP3 e das polêmicas envolvendo a pirataria de músicas - alô, Napster.

Com o lançamento dos MP3 players, em especial o iPod, a popularização dos smartphones, que contavam aplicativos nativos para reprodução de músicas, e a adoção em massa de serviços de streaming como o Spotify e o Deezer, a decadência de aplicativos dedicados para músicas no computador acabou sendo natural.

Hoje em dia, poucas pessoas estão dispostas a escavar a Internet em busca de arquivos MP3, gastar espaço do computador para armazená-los e, ainda, precisar de um aplicativo para reproduzi-los. Com isso, o Winamp acabou virando peça de museu, mas é inegável que ele teve uma morte bastante honrosa.

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