Zuckerberg faz "turismo de desastre" sem querer ao demonstrar ferramenta

Do UOL, em São Paulo

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    Mark Zuckerberg demonstra nova ferramenta de realidade aumentada em vídeo ao vivo no Facebook, mesclando imagens de seu avatar 3D com a destruição causada pelo furacão Maria, em Porto Rico

    Mark Zuckerberg demonstra nova ferramenta de realidade aumentada em vídeo ao vivo no Facebook, mesclando imagens de seu avatar 3D com a destruição causada pelo furacão Maria, em Porto Rico

Mark Zuckerberg demonstrou pessoalmente uma das ferramentas da plataforma de realidade virtual Spaces, mas o resultado ficou esquisito e o CEO do Facebook foi criticado por parte dos veículos de tecnologia por realizar, ainda que sem querer, um "turismo de desastre" em Porto Rico.

Na última segunda (9), "Zuckerberg" e Rachel Franklin, diretora de RV social do Facebook, apareceram como avatares 3D em um vídeo ao vivo, tendo como pano de fundo locais destruídos de Porto Rico após a passagem do furacão Maria, há duas semanas.

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Essa ferramenta requer o uso do Oculus Rift, apetrecho de realidade virtual que é também um produto do Facebook. Ele custa no exterior US$ 499 (R$1.656).

O executivo disse no vídeo que além da assistência em dinheiro, o Facebook está oferecendo seus mapas alimentados por inteligência artificial para ajudar as equipes de busca e resgate na região. As ações estão ocorrendo em parceria com organizações como a NetHope e a Cruz Vermelha americana.

No entanto, a despeito das boas intenções de Zuckerberg, veículos como "The Guardian", "Gizmodo", "Mashable" e "The Next Web" apontaram problemas na iniciativa, como o fato dele ter optado por não ir pessoalmente ao local, já que neste ano viajou por todos os Estados americanos para conhecer melhor a realidade do país.

Além disso, o visual cartunesco dos avatares constrastava radicalmente com a paisagem destruída e pareceu inapropriado --algo similar ao que fez a modelo e atriz brasileira Nana Gouvea ao posar ao lado dos destroços do furacão Sandy, em 2012.

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Zuckerberg e Rachel Franklin chegam a trocar um "high five" (saudação com as palmas da mão) na frente de lares inundados. "Zuck" também disse que o recurso era "mágico".

Ao longo da transmissão, deixou a catástrofe de lado para "teleportar-se" para outros locais, como a superfície da lua --"um luxo não disponível para os milhões de porto-riquenhos que ainda lutam em meio a uma das piores crises da história da ilha", disse Tom McKay, do "Gizmodo"-- e seu escritório, onde seu avatar sem pernas é mostrado de forma diminuta ao lado do seu cachorro, Beast.

Apesar das críticas da imprensa, os comentários dos vídeos estão repletos de elogios à iniciativa de Zuckerberg. Um deles é do brasileiro Hugo Barra, vice-presidente de realidade virtual do Facebook e da divisão Oculus. "Parece ótimo, Mark e Rachel! Mal posso esperar para mostrar a todos as coisas incríveis que a equipe Oculus fez", disse Barra.

Após a repercussão, Zuckerberg se retratou em uma resposta dentro do próprio post. "Meu objetivo aqui era mostrar como a realidade vitutal pode conscientizar e ajudar as pessoas verem o que está acontecendo em outras partes do mundo. Eu também [fiz isso] para anunciar nossa parceria com a Cruz Vermelha para ajudar na recuperação [de Porto Rico]. Após ler alguns comentários, percebi que isso não estava claro, então peço desculpas a todos que ofendi."

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