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Além de "brinquedo 3D" de luxo, Xperia XZ1 ainda é um ótimo celular

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

O Xperia XZ1 é provavelmente o último celular que a Sony lançará no Brasil este ano, e se for o caso, ele meio que resume o ano da empresa japonesa em celulares: traz quase os melhores recursos que a empresa tem à mão mas ao mesmo tempo todos os problemas que a impedem de decolar mundialmente e também no nosso país.

A principal inovação do top de linha é que ele é o primeiro celular comercial a trazer de fábrica um software gerador de modelagem 3D que funciona a partir da sua câmera. A Microsoft chegou a realizar um protótipo dessa tecnologia em meados de 2011, mas que não foi muito adiante.

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Márcio Padrão/UOL

Um aplicativo próprio do Xperia XZ1 permite que o usuário use quatro formatações de escaneamento 3D; rostos, cabeças, comidas e objetos avulsos. Por meio de tutorial, ele vai explicando como posicionar o celular em relação ao objeto, bem como os movimentos ao redor dele para capturar tudo em três dimensões na proporção certa.

Reprodução
Resultado do app de criação 3D do Sony Xperia XZ1

O resultado é visto no app e pode ser compartilhado em redes sociais (com um link para o site da Sony), usado em animações de realidade aumentada com a câmera do celular (falaremos disso mais embaixo), em um papel de parede no celular, em vídeos 3D engraçados (com a ajuda de um app avulso, o Shadow Avatars) e até em impressões 3D. 

O formato do arquivo 3D gerado pelo celular é o .obj --estranhamente a Sony não optou pelo .stl, o mais usado para esse tipo de impressão.

Talvez por ser algo muito novo, o criador de 3D do smartphone é meio temperamental: durante as escaneadas, é comum aparecer avisos que informam que não há luz suficiente, que você está se mexendo muito rápido, ou que você precisa voltar ao ponto inicial do processo. Ele permite continuar o processo mesmo após as falhas detectadas, mas elas (supostamente) comprometem a qualidade do resultado.

Usei bastante o aplicativo e em várias condições de luz, mas os problemas do recurso foram além: exige muito espaço livre ao redor do objeto --para escanear cabeças é recomendável o(a) modelo estar sentado(a) e bem parado(a) por uns dois minutos-- e volta e meia o escaneamento não consegue refinar as bordas e detalhes. Por exemplo, se tentar com um cubo em uma mesa, parte da mesa abaixo dele é escaneada junto.

Além do 3D

Independente desse carnaval 3D meio complicado, o Xperia XZ1 é um celular bem interessante e versátil. Sua câmera principal de 19 MP, por exemplo, é bem boa. A Sony costuma mandar bem nesse quesito e tem mantido a tendência própria de sensores com muitos megapixels, enquanto outros celulares top de linha se mantiveram entre 12 e 16 MP.

Mais megapixels não garantem boas fotos, mas a câmera é boa independente disso. O modo automático dela é rápido, tanto na leitura de luz quanto no foco e na diferença de tempo entre os cliques. As fotos quase sempre ficam muito bonitas em boas condições de luz e eventualmente rendem boas imagens à noite também.

Vem ainda com um bom modo manual --regula foco, ISO, velocidade, exposição e balanço de branco-- e apps próprios da Sony para fazer umas graças nas fotos e vídeos, como "fotos com som", panorâmicas e efeitos de realidade aumentada. É neste último que você vai transformar sua cara 3D em um dinossauro ou "Mini Me" dançante na sua mesa.

Repórter do UOL no meme "Deal With It" em 3D, feito com o celular Sony Xperia XZ1
Meme "Deal With It" em avatar 3D, feito com o Sony Xperia XZ1
Imagem: Reprodução

Repórter do UOL vestido de dinossauro em vídeo 3D, feito com o celular Sony Xperia XZ1
Repórter vestido de dinossauro em vídeo 3D, feito com o celular Sony Xperia XZ1
Imagem: Reprodução

Outros recursos legais foram herdados do Xperia XZ Premium, lançado no começo do ano: o modo preditivo, que prevê movimentos ou sorrisos em frente à lente e mostra opções de fotos realizadas antes mesmo de você clicar; e a supercâmera lenta que filma um instante a 960 frames por segundo.

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Ficam aqui os mesmos prós e contras do modelo anterior: quando funcionam bem, são ótimos, mas o preditivo nem sempre é ágil ou inteligente o suficiente, e o slow-motion é escuro, bem granulado e de filmagem limitada ---dura só dois segundos por vez.

No quesito desempenho, o processador Snapdragon 835 é hoje o melhor usado em celulares --seus rivais próximos são o Exynos 8895 ou o Apple A11 Bionic -- e pontuou muito bem no app de benchmark Geekbench 4 --1.899 no núcleo simples e 6.504 no multinúcleo.

Isso o põe como um dos melhores, e de fato na maior parte do tempo o XZ1 voa, mas nos números do Geekbench 4 ele ainda perde (por pouco) para modelos como o Galaxy S8, Galaxy S8+ iPhone 7 Plus e o próprio Xperia XZ Premium. Além disso, nos testes houve travamentos em aplicativos como Instagram e o pesado game "MC Versus".

De resto, temos um pouco de mais do mesmo em vários quesitos. A tela de 5,2 polegadas com resolução Full HD é linda, mas não chega a deslumbrar. Apesar do áudio externo ser estéreo, ele não causa muita diferença pros outros celulares, com o som ainda meio embolado. A memória é boa, indo no que está se tornando padrão entre tops de linha: 64 GB internos e 4 GB de RAM. O sensor de digitais no botão liga/desliga, na lateral, é bem rápido.

Márcio Padrão/UOL

O que decepciona mais é o design do Xperia XZ1, que ainda é o mesmo padrão Sony de sempre, com as bordas grandes em cima e embaixo. Em tempos de "telas infinitas", estamos esperando a Sony sair desse visual monolítico que apesar de ter seu valor, já dura anos e só deve agradar os fãs mais hardcore da empresa. Pelo menos no caso do XZ1 há resistência e boa pegada, com seu corpo de metal, vidro Gorilla Glass 5 e laterais curvas. Mas ele escorrega bastante.

E chegamos à bateria, que é o calcanhar de Aquiles do modelo. Em uso normal raramente rende 24 horas completas de uso moderado. A Sony foi ágil ao trazer o primeiro modelo com Android 8 Oreo ao Brasil, e ele conta com o famoso modo Stamina para economizar bateria, mas nem ele ajuda tanto assim: o máximo que cheguei foi a 36 horas de uso, em uma única ocasião.

E chegamos ao dilema de comprar ou não o Xperia XZ1 por seu preço sugerido no Brasil, de R$ 3.799. Ainda que a Sony tenha dado um freio na sua política de preços altos --seus modelos já alcançaram R$ 4.900 por aqui-- ainda é complicado apostar nesse modelo quando o Samsung Galaxy S8 já pode ser adquirido por quase R$ 1 mil a menos. Fora os ótimos concorrentes Moto Z2 Force ou LG G6 a R$ 3 mil e R$ 2.500, respectivamente.

No frigir dos ovos, se você tiver dinheiro sobrando e quer pagar de "early-adopter" com um celular com scanner 3D e uma boa câmera, este é definitivamente o smartphone para você. 

Ficha técnica: Sony Xperia XZ1

Tela: 5,2 polegadas com resolução Full HD HDR
Sistema Operacional: Android 8.0 Oreo
Processador: Qualcomm Snapdragon 835 (2,45 GHz)
Memória: 64 GB de armazenamento e 4 GB de RAM
Câmeras: 19 MP (principal) e 13 MP (frontal)
Bateria: 2.700 mAh
Dimensões e peso: 148 x 73 x 7,4 mm; e 156 g
Pontos positivos:
Pontos negativos
Preço: R$ 3.799

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