Celular vai substituir PC? Aparelho da Samsung chega perto desse "sonho"

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

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    Samsung DeX tem tamanho diminuto e é prático

    Samsung DeX tem tamanho diminuto e é prático

Faz anos que nós ouvimos o velho papo de que celulares vão substituir computadores. Esse "sonho" até agora não ocorreu, apesar dos smartphones cumprirem várias funções que antes eram exclusivas do PC. Contudo, o Samsung DeX, um novo aparelho da marca sul-coreana que funciona como um dock, chega bem perto de realmente transformar o celular em um PC, apesar de contar com alguns problemas.

O Samsung DeX é compatível até agora com três celulares da empresa: a linha Galaxy S8 (S8 e S8+) e o Galaxy Note 8. Para usar o produto, o interessado deverá contar com um monitor para ligar via HDMI, um teclado e mouse (ligados via bluetooth ou USB), além de um carregador (pode ser o mesmo que vem com os celulares).

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Sim, é só isso: você não precisa de um desktop. Na verdade, o DeX funciona como um desktop. E, nos testes feitos pelo UOL Tecnologia, se saiu bem na missão 

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Dock conta com entradas para USB, ethernet, HDMI e também aceita conexões bluetooth

Intuitivo e fácil de usar

Já existiram outras tentativas de fazer o celular funcionar como um computador. Microsoft, HP, Motorola e Asus tiveram suas versões parecidas em algum nível com o DeX, mas nenhuma foi adiante por problemas diversos na tecnologia. A novidade da Samsung, lançada juntamente ao Galaxy S8 no início do ano, já se destaca por ser realmente funcional.

De tamanho diminuto e circular, o DeX é bem portátil. Uma leve pressão em seu topo libera o encaixe do celular (parecido com carregadores sem fio). Ao DeX, você pode ligar um monitor ou televisão via cabo HDMI, teclado e mouse (via USB ou Bluetooth). Há até uma porta ethernet se você preferir usar internet via cabo do que o 4G ou Wi-Fi do seu celular.

Assim que tudo estiver conectado (é preciso também ligar o DeX a uma fonte de energia com o carregador que vem com o smartphone), o celular começa a funcionar no monitor (ou TV) conectado. Logo no início é apresentada uma tela bastante semelhante a um computador Windows. Alguns apps principais aparecem no que seria a área de trabalho da tela. Ao pé, também como no sistema da Microsoft, são exibidas as principais ferramentas para controlar o DeX.

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Tela de início do Samsung DeX em uma TV

O primeiro ícone, um conjunto de pontinhos no canto esquerdo, te leva para a janela com todos os aplicativos instalados no seu celular. O segundo mostra apps abertos, como o botão presente em celulares Android. Já o terceiro é um ícone que te leva de volta para a tela início.

A continuação desse rodapé no monitor é composta ainda dos aplicativos abertos minimizados, além de itens semelhantes ao visto no topo dos displays dos smartphones. Estão ali ícones do Wi-Fi, do bluetooth, da bateria, data e hora, entre outros. O uso de tudo isso é bem intuitivo, exatamente por lembrar muito um misto de computador e celulares que já estamos acostumados.

Apps funcionam?

A dúvida principal ao usar o DeX era: os apps vão funcionar? Porque é até bem possível criar um ambiente de celular em um computador (apesar de no caso você sequer precisar do computador), mas o difícil é reproduzir os apps com fluidez e dinamismo na tela. Mas testamos e garantimos: sim, o uso é bastante eficiente.

Os cliques do mouse e do teclado são dinâmicos e praticamente instantâneos. É como se você estivesse usando o touch do celular ou mesmo o mouse em um computador. Todos os aplicativos podem ser abertos no ambiente DeX e usados. No entanto, podem surgir alguns problemas.

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Vários aplicativos abertos no Samsung DeX em uma TV

Quando você abre apps de terceiros, é comum aparecer a seguinte mensagem: "algumas funções deste aplicativo podem não ser aceitas no DeX". De fato isso até ocorre (e os apps podem ser melhorados com o tempo, se o produto fizer sucesso). Mas o que mais incomoda é que nem todos os aplicativos podem ser abertos em tela cheia.

Na verdade, a maioria não é aberta em tela cheia no aparelho. Os poucos que contam com a opção da janela de tela cheia (no topo direito de cada app, como no computador) são do Google e da própria Samsung, além da Microsoft (como o pacote Office).

Como muitos apps que usamos são reproduções de sites no computador (e-mail, Netflix, Facebook, Twitter, etc), isso é facilmente resolvido ao abrir esses sites pelo Chrome e selecionar a opção "versão para desktop nas configurações". Mas o ruim é ter que selecionar essa opção em todo site que você visita - isso poderia ser automático, né? 

O modo multitarefa também tem seu pró e contra. No DeX, é possível abrir várias janelas ao mesmo tempo, o que não ocorre em smartphones. No entanto, as janelas que estão funcionando em segundo plano ficam em stand-by, sem se atualizarem automaticamente até que você coloque ela no primeiro plano. 

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É possível jogar Super Mario Run, mas não em tela cheia - seu toque é substituído pelo clique do mouse

É possível, também, jogar os games do seu celular em um monitor usando o DeX. Contudo, a experiência nem sempre será boa nesses casos.

O game Super Mario Run, por exemplo, se porta bem nessa versão – você substitui o toque na tela pelo clique do mouse no app. Já Temple Run foi impossível de ser jogado, até porque o game conta também com recursos como inclinar o celular.

Uso profissional

Pelo que podemos perceber, o DeX até agora se mostra mais interessante para um uso profissional. A praticidade dele encanta e o fato de você poder simplesmente posicionar o celular em um dock e usar tranquilamente com teclado e mouse é bem útil – você pode utilizar o Word, Excel, PowerPoint e todos esses outros programas que está acostumado a mexer no trabalho.

O legal é ter toda sua vida sempre à mão – usando o aparelho, não há mais o computador de casa, o computador do trabalho e o celular. Tudo pode virar a mesma coisa e o que você estava fazendo no DeX continua valendo no celular mesmo se você desconectar da plataforma. Apesar disso tudo, vale a recomendação: evite levar trabalho para casa, né?

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Samsung DeX tem bom uso profissional - na foto, editor de texto da Samsung aberto

Por outro lado, tive problemas com o teclado. A pontuação reproduzida na tela não era exatamente fiel ao teclado físico – e olha que alteramos essa opção nas configurações do telefone. O som também não saiu pela TV apesar da conectividade HDMI, apenas pelas caixas de som do Note 8 que usamos. Caso queira, você pode comprar um acessório bluetooth e parear com o celular para resolver isso.

Preço do pacote assusta

O DeX parece muito bom obrigado, mas o preço de todo o pacote que você precisa para fazer a brincadeira funcionar é o que acabará afastando os usuários. Primeiro o dock: ele custa pelo menos R$ 580 em sites varejistas. E com uma caixa que vem só o dock e nada mais, nem cabos (você vai precisar usar os do celular).

É claro que você também precisará de um smartphone moderno. E, entre os três compatíveis com o DeX, o mais barato é o Galaxy S8, que pode ser achado por a partir de R$ 3 mil. Já está ficando mais caro que um computador, né?

Além do dock e do celular, você precisará inicialmente de um teclado bluetooth e mouse bluetooth. Um kit com ambos os componentes da Dell pode ser encontrado por R$ 140. E, lógico, é necessário também um monitor ou televisão, que nunca são baratos – custará no mínimo R$ 300. Mas esses ao menos você pode usar os que têm em casa – contanto que tenham saída HDMI. 

Tudo muito caro, né? O jeito é esperar a tecnologia se popularizar nos próximos anos, já que existe demanda para isso. Quem não quer trocar o computador para usar o celular para sempre? Meu veredito é que eu ainda não trocaria o computador pelo DeX, mas o caminho foi pavimentado. 

Enquanto espera, é bom também a Samsung fazer um pente fino e ajustar alguns defeitos do próprio DeX. Até lá, muitas das falhas, sendo que algumas dependem de soluções de aplicativos externos à marca, também poderão ser resolvidas.

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