Sustos mais reais: "Stranger Things" volta apostando em novas tecnologias

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Netflix

A espera está chegando ao fim e o retorno ao mundo invertido está cada vez mais próximo. Nesta sexta-feira (27), a Netflix lança os novos episódios de "Stranger Things", série que caiu nas graças do público pelo ar de mistério e pegada nostálgica após a primeira temporada lançada no ano passado.

Eleven, Will, Mike, Dustin e Lucas estarão de volta e a segunda temporada promete envolver os fãs com ainda mais suspense e inovação tecnológica. Sim, é isso mesmo. De acordo com a Netflix, todas as cenas dessa nova temporada foram feitas com recursos, câmeras e equipamentos muito melhores do que os da primeira.

Em entrevista exclusiva ao UOL Tecnologia e a alguns veículos internacionais, Tim Ives, diretor de fotografia da série, contou alguns detalhes técnicos sobre as filmagens. Segundo ele, a experiência para o espectador deve ser muito mais real.

Ives ressaltou que os equipamentos de filmagem e edição utilizados agora foram bem mais avançados do que os usados na primeira temporada. Os espectadores podem esperar belas cenas feitas por drones, mais câmeras em movimento e muito mais cenas panorâmicas.

"Nós tivemos muito mais tecnologias disponíveis para a segunda temporada. Alguns recursos raramente foram usados na primeira porque não estavam disponíveis na época", comentou ao exemplificar, por exemplo, o uso de drones durante as gravações.

"Novas tecnologias nos ajudam a ter mais confiança, ter imagens melhores", destacou.

Imagens com resolução 4K

Um dos destaques feitos por Ives foi em relação ao uso de equipamentos compatíveis com captura de imagens com resolução 4K (também chamado de ultradefinição) durante as cenas da segunda temporada.

A tecnologia adotada possui quatro vezes mais pixels que na resolução Full HD, já disseminada em muitos modelos de televisões, computadores, telas de celulares e tablets. Na prática, quanto mais pixels, melhor a qualidade na imagem transmitida. E, para se ter uma ideia, no 4K existem 8,3 milhões de pixels. Já a resolução Full HD conta com 2 milhões de pixels.

Sobre isso, Ives destacou que esse avanço na qualidade das imagens vai trazer aos espectadores uma experiência muito mais rica. "Usando o 4K temos muito mais resolução. Nós gostamos de usar isso. Tudo parece muito mais bonito, super claro. Se torna um filme mais bonito", explicou.

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Comparação entre imagem com HDR e sem a tecnologia

O uso da resolução 4K tem ganhado cada vez mais o mercado mundial. Filmes, séries e até mesmo aquele vídeo feito por você usando alguns modelos de smartphones têm adotado a tecnologia de ultradefinição de imagens. No entanto, a produção de conteúdo 4K ainda é bem cara e isso influencia diretamente o valor dos produtos compatíveis com transmissões relacionadas.

É preciso lembrar também que a tecnologia 4K pode ser uma vantagem para os consumidores mais ávidos por vídeos na Netflix, mas a conexão precisa ser boa. Caso contrário, os engasgos e travamentos serão constantes, já que as transmissões exigem velocidade mínima de 25 Mbps (megabits por segundo).

Cenas com muito mais cores com HDR

Outra tecnologia adotada na produção da segunda temporada de "Stranger Things" foi a HDR (High Dynamic Range), considerada por Ives extremamente importante durante as filmagens.

O recurso basicamente ajuda a dar mais nitidez às cores e a equilibrar áreas de muita ou pouca iluminação na imagem. Na prática, o diretor de fotografia explica que as imagens ficam mais detalhadas, mais limpas e com cores mais destacadas, sejam no aspecto sombrio presente na série ou sejam nas cenas feitas em ambientes mais claros.

Para Ives, a tecnologia ajudou a deixar as "cenas que dão medo" ainda mais reais e isso ajudará na imersão do espectador ao assistir aos episódios. "Ele permite um alto contraste [de cores] quando tem fogo, sombras", acrescentou.

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Vestidos de Caça-Fantasmas, Mike, Dustin, Lucas e Will parecem estar surpresos em cena da segunda temporada de "Stranger Things"

Sobre o futuro da série em termos tecnológicos, Ives brincou: "vamos ver o que a temporada 15 vai usar de tecnologia". Se a série já é um sucesso usando as tecnologias de hoje em dia, imagine daqui a 15 temporadas...

E como posso aproveitar tudo isso?

Bom, todo o cuidado e investimento em levar melhores experiências de imagens para o internauta possui um custo.

Primeiramente, é preciso ter equipamentos (como televisores, smartphones, computadores) compatíveis com a resolução 4K.

Em seguida, o usuário deve assinar o plano da Netflix (caso não tenha assinado) que permita acesso a todos os conteúdos com a resolução 4K. Aqui no Brasil ele custa R$ 37,90 por mês.

Uma vez que tenha o plano 4K, é só acessar a parte de buscas do serviço e pesquisar os termos: "4K" ou "UltraHD". Todos os títulos com essa resolução aparecerão na tela. 

Uma informação importante a ser destacada é que os episódios das séries da Netflix funcionam mesmo em aparelhos que não tenham suporte ao 4K. A diferença é que a qualidade das imagens não será tão detalhada.

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