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Apesar de ótimo, celular da Asus não cumpre alta expectativa de câmera

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

Por que as pessoas adoram selfies? Acredito que seja por dois motivos. O primeiro é antigo: porque as pessoas gostam de se ver em fotos, mesmo quando a fotografia se baseava em filme de celulose. O segundo é técnico: porque ficou mais fácil desde que a câmera frontal se tornou um grande ativo dos smartphones. O Zenfone 4 Selfie Pro, da Asus, uniu essa paixão mundial com a nova moda das câmeras duplas.

A Asus ganhou alguma moral no mercado brasileiro de celulares por se mostrar uma alternativa de bom custo-benefício no segmento intermediário "high", ou seja, naqueles modelos que não são top de linha mas trazem algumas especificações de peso, além do preço "menos caro" que os tops (geralmente entre R$ 1.500 e R$ 2.500 nos preços atuais).

Márcio Padrão/UOL

Neste ano a empresa de Taiwan apostou alto na fotografia, então o Zenfone 4 Selfie Pro se vende como a excelência em selfies por uma série de armas. A maior delas é a câmera frontal com duas lentes: uma convencional e outra grande angular MP que alcança até 120° do campo de visão.

No entanto, os resultados dos testes na câmera frontal se mostraram um pouco aquém do que eu esperava de um modelo "selfie pro". E os problemas se repetiram em parte na câmera traseira também.

Cadê as cores?

Um clássico da Asus em celulares é o excesso, para o bem e para o mal. Ao abrir a câmera do Selfie Pro, o usuário vai ter tanta opção que vai ter que gastar uns minutos para desbravar tudo.

Na câmera traseira você desliza para cima e encontrará modos "beleza" --aqueles filtros de maquiagem que se mal aplicados fazem o rosto parecer a noiva do Chucky--, panorama, animação GIF, câmera lenta, intervalo de tempo --um tipo de vídeo superacelerado-- e super resolução, além do automático e manual.

Achou pouco? Deslize para baixo e encontre nove tipos de filtros à la Instagram, com nomes subjetivos como "moderno", "retrô" etc. Nas configurações do modo manual, chamado de "Pro", você pode criar imagens em DNG, uma extensão de arquivo RAW (formato de fotografia profissional) criado pela Adobe. E ainda à direita da tela tem um botãozinho que cria um modo retrato --de fundo desfocado-- criado artificialmente.

Márcio Padrão/UOL

Já a frontal tem menos modos de captura: apenas o GIF, beleza e panorama de selfie --ah, tem flash LED próprio. Mas um destaque deste celular é ser um dos primeiros modelos --se não o primeiro-- a filmar na alta resolução 4K na câmera frontal, além de 60 quadros por segundo (em Full HD). Para quem faz vlog com o próprio celular, isso é de fato um diferencial.

E temos a alternância de lentes. A normal traz um sensor de 12 MP que conta com tecnologia DuoPixel, que dobra os pixels da foto capturada para gerar uma imagem de alta resolução --daí os 24 MP. Já no modo grande angular, a resolução máxima é bem menor, de até 5 MP.

Mas a resolução não é algo tão sério. Os maiores problemas de ambas as câmeras do celular são os tons muito escuros --que não raro distorce as cores mais vivas da foto--, o autofoco fraco e a luz levemente estourada do modo automático. O modo HDR ajuda a corrigir a luz, mas as cores continuam meio alteradas em algumas situações. Veja as diferenças no boneco abaixo:

Márcio Padrão/UOL

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À luz do dia, pelos motivos citados, há uma certa instabilidade. À noite, porém, o resultado é via de regra decente e dá para experimentar bastante no modo manual.

Márcio Padrão/UOL

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A lente angular, feita para caber multidões nas selfies, é um pouco ambígua: o centro da imagem é convencional, mas há um efeito "olho de peixe" apenas nas laterais. A meu ver, não ficou algo muito coerente, pois parece que as linhas entortam nas bordas como se fosse um defeito, e não uma "proposta".

Márcio Padrão/UOL

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Polivalente no resto

Se o futuro comprador do Zenfone 4 Selfie Pro for apresentado a ele sem saber do nome, é possível que a resposta seja mais positiva. Alta expectativa de câmera à parte, o aparelho se sai muito bem em outras frentes.

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O visual dele é muito bonito e o corpo leve e limpo de detalhes passam uma ótima impressão. O UOL testou um de cor vermelha na traseira, de alumínio opaco, que vai chamar a atenção em uma prateleira de loja cheia de modelos pretos.

Mas não está livre de falhas: além de ser grande em mãos pequenas ou médias --um problema comum em quase todo os modelos atuais, vale lembrar-- ele acabou quebrando uma parte do vidro na extremidade da tela com Gorilla Glass 5, a versão mais avançada e resistente deste tipo de vidro, ao cair no chão a uma altura de cerca de 1,20m. Daí recomendo que compre uma capa protetora se quiser ficar mais tranquilo.

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A tela de 5,5 polegadas com resolução Full HD e iluminação Amoled é acima da média do segmento, com tamanho confortável para qualquer função e cores bem vivas. Já o sensor biométrico, que voltou a ficar na frente do celular --em outros Asus ficava atrás-- é um pouco mais lento que os da concorrência, com uma taxa de erros um pouco alta, não lendo a digital na primeira tentativa umas três de 10 vezes.

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A combinação do processador Snapdragon 625 mais 4 Gb de memória RAM rendeu um desempenho bem alto para a categoria, com respostas ágeis e nenhum travamento de app. No benchmark Geekbench 4 marcou 3.932 no multinúcleos e 821 no núcleo simples, na mesma faixa do J5 Pro (Samsung) e Xperia XA1 Ultra (Sony).

O Android 7.1 da Asus melhorou o estilo em relação aos outros anos; está mais limpo e com menos apps pré-instalados, com destaque para seu gerenciador de celular (que elimina processos e limpa memória. Apesar de ser algo bem questão de gosto aqui, ele ainda não é tão legal quanto o trabalho que Motorola, Samsung, Sony e LG fazem no Android, mas quem adquirir o modelo deve se acostumar em questão de dias.

E a bateria de 3.000 mAh é apenas ok nos números, mas na vida real foi melhor que o esperado, rendendo um dia e meio de uso moderado --em alguns casos foi até o final da tarde do dia seguinte.

Vale?

Pelo preço sugerido de R$ 1.500, o Zenfone 4 Selfie Pro entrega um pacote bem interessante e que não deve muito para concorrentes como o Moto Z2 Play (Motorola), o Galaxy A7 2017 (Samsung) e Q6 Plus (LG) --na verdade até os supera em alguns pontos, como bateria e variedade de recursos na câmera.

A despeito da sua câmera meio irregular, o usuário médio de celulares talvez se importe pouco com as deficiências e curta o fato de poder colocar toda a turma da faculdade na mesma selfie. E a resistência comprometida da tela é algo para ficar atento, assim como em outros modelos da concorrência também. Mas no frigir dos ovos, o custo-benefício do modelo compensa.

Ficha técnica: Asus Zenfone 4 Selfie Pro

Tela: 5,5 polegadas Full HD Amoled
Sistema operacional: Android 7.0 (interface Zen UI)
Processador: Snapdragon 625 (2 GHz)
Memória: 32 GB e 3 GB de RAM / 64 GB e 4 GB de RAM
Câmeras: 16 MP (principal) e dupla de 24 MP + 5 MP (frontal)
Dimensões e peso: 154,02 x 74,83 x 6,85 mm; e 147 g
Bateria: 3.000 mAh
Pontos positivos: Bonito e leve; desempenho ágil; variedade de recursos de câmera
Pontos negativos: tela propensa a quebras; tamanho grande; sensor de digitais falho; câmera com cores lavadas e luz estourada
Preço: R$ 1.499

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