Gigantes da tecnologia admitem interferência russa e falam em plano de ação

Colaboração para o UOL

  • Drew Angerer/Getty Images

    Representantes do Facebook, Twitter e Google testemunham diante de um subcomitê do Judiciário do Senado em audiência sobre crime e terrorismo em Capitol Hill, Washington, EUA

    Representantes do Facebook, Twitter e Google testemunham diante de um subcomitê do Judiciário do Senado em audiência sobre crime e terrorismo em Capitol Hill, Washington, EUA

As investigações do governo americano sobre a influência russa continuam, mesmo um ano após a eleição de Donald Trump. O ex-chefe da campanha do atual presidente foi preso nesta segunda (30). Nesta terça-feira (31), foi a vez de representantes de empresas de tecnologia, como Facebook, Twitter e Google, serem sabatinados por senadores dos EUA sobre como influências externas podem ter afetado a percepção dos americanos sobre os candidatos.

Além disso, as empresas apresentaram números que dão uma ideia da influência desses conteúdos nas plataformas.

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Na sessão com duração de quase duas horas, as empresas de tecnologia reconheceram o uso de suas ferramentas por cidadãos russos e que veicularam publicidade, direcionadas e concebidas para disseminar desinformação entre os eleitores.

A postura das empresas chama a atenção, pois logo após as eleições todas elas negaram que suas plataformas tenham sido usadas por grupos ligados à Rússia.

Facebook, o grande alvo

A maior rede social do mundo, com dois bilhões de usuários, foi o principal alvo dos senadores, sobretudo por ser uma das principais fontes de informação do eleitorado. Colin Stretch, conselheiro geral do Facebook, disse que conteúdos geridos por russos alcançaram 126 milhões de pessoas --um terço da população dos Estados Unidos.

O tipo de desinformação espalhada pelo Facebook era publicações, na maioria das vezes, patrocinadas com mentiras e voltada para públicos com potencial para acreditar nisso.

Um dos posts, de uma página chamada Heart of Texas, dizia que a candidata Hillary Clinton tinha desaprovação de 69% dos veteranos de guerra. Quem criou o conteúdo para impulsioná-lo, decidiu que ele deveria chegar para usuários com idade de 18 a 65 anos, moradores do Estado do Texas e que mostrassem interesse por patriotismo.

Sobre o fato de não ter notado isso antes, Stretch disse que antes os ataques sofridos na rede envolviam roubo de conta e que desde 2014 monitora ataques patrocinados por Estados. "Só agora que verificamos sofisticadas técnicas de disseminação de informações falsas", afirmou.

Ainda que a empresa mostre contrição pelo ocorrido, em setembro o Facebook revelou que recebeu pelo menos US$ 100 mil da Internet Research Agency, uma agência russa de trolls acusada de espalhar posts falsos durante o período eleitoral nos Estados Unidos.

O que o Facebook promete fazer

A empresa prometeu contratar mais pessoas para revisar propagandas e contas falsas que espalham informações falsas --a companhia diz que pelo menos 10 mil pessoas trabalham direta ou indiretamente com isso e que até o fim do ano serão 20 mil pessoas. Além disso, visando transparência, a rede permitirá que os usuários vejam todas as propagandas de uma página.

Zuckerberg diz que segurança prejudicará lucros

Dono do Facebook, Mark Zuckerberg se manifestou sobre a questão nesta quarta (1º). O CEO da rede social disse já ter expressado seu desapontamento pela Rússia ter tentado usar a plataforma para "semear desconfiança" e relatou novos investimentos em segurança.

"Estamos investindo tanto em segurança que isso irá impactar nossa rentabilidade. Quero deixa claro nossa prioridade: proteger a nossa comunidade é mais importante do que maximizar nossos lucros. Dirigi meus times a investirem tanto em segurança --acima de outros investimentos que fazemos-- que isso impactará significantemente nossa rentabilidade daqui pra frente. Queria que os investidores ouvissem isso diretamente de mim", afirmou, em post em sua rede social.

O dono da rede social afirmou que os russos tentaram diminuir os valores da rede social. "O que eles fizeram é errado e nós não vamos aceitar isso", sentenciou. "Quando nós (do Facebook) colocamos na cabeça que vamos fazer uma coisa, nós fazemos", afirmou, listando ações que a rede social fará.

Entre as atitudes tomadas, estão ajudar o governo norte-americano a entender o que ocorreu, trabalhar com outras companhias de tecnologia para identificar e responder a novas ameaças no que chama de "ameaça à segurança nacional envolvendo a internet", e, claro, investimentos em pessoas e tecnologias para evitar que isso ocorra novamente no futuro.

Confira o comunicado aos investidores na íntegra:

Twitter e a desinformação

O segundo principal alvo dos senadores foi o Twitter. A rede, que contabiliza 300 milhões de usuários, foi usada por russos para espalhar rumores sobre candidatos e até uma "nova forma de votar".

Em um dos posts, havia uma imagem com as hashtags da campanha de Hillary (#iamwithher = estou com ela) e uma imagem pedindo para os eleitores economizarem o tempo nas zonas eleitorais e votarem na candidata via SMS --esse tipo de desinformação é considerada crime nos Estados Unidos, e o tuíte foi posteriormente deletado pela rede.

De acordo com a rede, após investigar atividades suspeitas, foi constatado que apenas 0,01% das contas do site tinham alguma ligação com a Rússia --o que para a rede mostra uma participação pequena.

O que o Twitter promete fazer

Uma das primeiras medidas pela rede foi impedir que veículos de comunicação ligados ao governo russo, como o RT (Russia Today), pudessem fazer propagandas na plataforma. Além disso, a companhia diz que vai doar dinheiro para pesquisas acadêmicas sobre o uso do Twitter durante as eleições.

Google não é social

Já o Google, que foi a empresa menos questionada pelos senadores, começou seu discurso reconhecendo que houve uso de má-fé de seus serviços por agentes russos da desinformação.

A companhia contabilizou US$ 7.000 gastos em propaganda, e no YouTube foram detectados 18 canais com 1.108 vídeos de conteúdo político ligado à causa russa --somando pouco mais de 300 mil visualizações durante as eleições.

O Google fez questão de dizer que esta audiência veio de outras plataformas sociais --aparentemente, a estratégia da empresa era se distanciar das duas outras, uma vez que mídias sociais são mais suscetíveis à disseminação de desinformação e que o Google fracassou em páginas do tipo.

O que o Google promete fazer

Ainda que considere que o alcance da propaganda de desinformação foi baixo em seus produtos, o Google prometeu tornar mais transparente o processo para fazer propagandas políticas na rede, ao publicar um relatório mostrando quem está pagando pela peça publicitária.

Como o Twitter, o Google espera trabalhar com instituições da sociedade civil, governos e outras empresas para evitar que este tipo de abuso do uso das plataformas volte a ocorrer.

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