Cientistas criam 'cor' mais preta do mundo. E ela vai enganar seu cérebro

Do UOL, em São Paulo

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    Acredite: estes dois objetos têm o mesmo molde e só diferem na cor

    Acredite: estes dois objetos têm o mesmo molde e só diferem na cor

O que é a cor preta para você? Bom, esqueça todos os objetos do nosso mundo que vêm rapidamente à sua cabeça. Isso porque cientistas criaram uma tecnologia que gera a tonalidade mais preta já feita por humanos até hoje, capaz de confundir o seu cérebro completamente ao observar um objeto nesta coloração.

A novidade é tão negra que é chamada por alguns como a experiência mais próxima de ver um buraco negro que podemos chegar – claro, se todos tivermos sorte, nunca teremos que estar próximos de um buraco negro nessa vida.

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Chamada de Vantablack, a tecnologia não é nem considerada cor, mas sim a ausência da cor. E é isso que a tonalidade faz, ao absorver quase toda a luz – 99,96% da luz, para ser exato. A primeira versão da tecnologia foi lançada em 2014 e, em março deste ano, os cientistas da Surrey NanoSystems, empresa responsável pelo projeto, apresentaram uma versão ainda mais preta de sua coloração.

Olhar para objetos que contêm o Vantablack é diferente de olhar para qualquer outro produto escuro que estamos acostumados. Com a coloração criada em laboratório, é impossível até de diferir formas e profundidade – nosso cérebro simplesmente tem um "tilt" e não enxerga nada, então é pintada pelo observador de preto.

Como esse "superpreto" é possível?

Essa substância é criada por cientistas a partir de nanotubos de carbono. O nome Vantablack, inclusive, vem de sua origem: Vertically Aligned NanoTube Arrays (Conjunto de Nanotubos Verticalmente Alinhados).

One normal statue, and one statue painted in Vantablack.

Um centímetro quadrado da cor contém cerca de um bilhão de nanotubos de carbono espaçados perfeitamente entre si. Quando a luz entra no objeto, ela acaba ficando presa dentro dele e convertida em calor.

Esses nanotubos são criados próximos ao laboratório, em condições que deixam ele posteriormente criar a cor mais negra já feita. Eles são feitos com refletores poderosos que fazem a temperatura de sua superfície atingirem 430º C ou até mais.

"Nanotubos de carbono são como lâminas de grama muito longas. Imagine se você é um humano andando em meio a uma grama de 300 metros de altura o quão pouca luz iria chegar em você. É dessa forma, mas em uma escala minúscula", explicou à CNN Ben Jensen, cofundador do Surrey NanoSystems.

A função original do Vantablack envolvia a engenharia espacial, mas desde a primeira versão de 2014 diversos outros pedidos já chegaram ao laboratório envolvendo múltiplas possibilidades para a cor. Mas não ache que o Vantablack pode ser "pintado" em qualquer superfície.

"Há um conceito errado de que é uma tinta preta. Não é. É algo que é feito através de meios muito complexos, definitivamente não é algo que você possa pintar do nada", afirma.

Astronomia, relógio, arquitetura...

Segundo a CNN, desde que o material foi desenvolvido pela primeira vez há três anos, os cientistas receberam inúmeros pedidos de designers, arquitetos, astrônomos e engenheiros aeroespaciais. E houve também algumas solicitações bizarras, como pessoas que querem se enrolar nessa cor e outras que querem comer (?) a tonalidade.

Até agora, o Vantablack já foi usado em diferentes áreas. Uma companhia da Suécia, por exemplo, está usando a tonalidade para forrar o interior de um telescópio óptico que será acoplado a um satélite. A função do Vantablack será de bloquear a luz dispersa pelo sol e das luzes da cidade da Terra.

Assim, eles querem ter certeza que a luz que entrará no telescópio seja da atmosfera apenas, a fim de melhorar modelos climáticos e previsões do tempo. O material também ajuda cientistas a chegar às profundezas do universo, ao prevenir reflexos indesejados em telescópios.

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Relógio feito com o Vantablack ao fundo

A arquitetura também terá seu impacto. O arquiteto Asif Khan disse à CNN que o objeto torna objetos 3D em apenas 2D, o que em sua área seria "tão poderoso quanto desligar a gravidade". Ele está construindo um ambiente para a Olimpíada de Inverno de 2018, na Coreia do Sul, forrado com a cor – e planeja colocar luzes brilhantes ao longo do Vantablack para simular o céu noturno em plena luz do dia.

A tecnologia também já foi usada em uma edição limitada da marca suíça de relógios MCT. Colocados contra um fundo em Vantablack, os ponteiros e outros elementos do relógio parecem estar flutuando em um vácuo. O relógio custava US$ 95 mil (R$ 310 mil).

É bom ainda lembrar: o Vantablack é mais caro por quilo do que diamantes ou ouro. Então não pense, por enquanto, em pintar sua casa com essa tonalidade.

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