Os controles por gestos do iPhone X são o futuro?

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

Você se lembra quando usou um smartphone com tela sensível ao toque pela primeira vez na vida?

"Ué, não tem botões de verdade", "é muito ruim para digitar uma mensagem" e "o que acontece se a tela sujar ou quebrar?" eram algumas das questões existenciais que, então, permeavam nossa mente.

Hoje em dia todo mundo tem um celular desses e, no máximo, você coloca uma película protetora para proteger o valioso vidrinho que está no seu bolso.

Naquele distante 2007, a Apple conseguiu convencer as pessoas que um celular sem teclado físico era mais legal que os botões tradicionais. O primeiro iPhone foi um produto tão sedutor e impactante que levou a concorrência a seguir esse paradigma.

Você pode nunca ter tido um iPhone, mas é por causa da influência do gadget da Apple que as demais fabricantes criaram seus inúmeros smartphones Android para todos os gostos e preços. E um deles deve estar com você agora mesmo, com a tal tela touch.

Mas, até a primeira metade de 2017, tanto iPhones quanto os rivais ainda tinham suas âncoras no mundo pré-touch. Os celulares da maçã tinham seu infalível botão home. Os Androids já haviam abolido a interação física, mas ainda usavam botões virtuais no pé do aparelho. Até o iPhone X chegar e bagunçar tudo de novo.

O objetivo da Apple para marcar os 10 anos do seu filho querido era criar um modelo que indicasse novos caminhos na interação usuário-celular. 

Claro, a Apple não é a única empresa que tem isso em mente. Faz uns anos que estamos ensaiando o uso da voz para comandar os celulares, via Siri ou Google Assistant. A Motorola pôs neste ano um sensor de digitais que também te deixa navegar no celular com pequenos gestos deslizantes. E tem gente pesquisando telas que obedecem aos nossos dedos de longe, sem toque.

Mas agora tudo isso parece ensaio. No presente, o iPhone X é o primeiro celular lançado por uma gigante da tecnologia a dizer para o mundo: os botões morreram. Sejam físicos ou os virtuais do Android.

Como nos últimos anos você aprendeu o básico, passou para o segundo nível e agora seguirá uma nova cartilha de gestos que correspondem a comandos no celular que antes eram executados clicando em um ou mais botões. 

Tenho a mania de só usar o manual de instruções em último caso, pois consigo descobrir muita coisa por conta própria. Na minha experiência de alguns dias usando o X, me senti assustado e perplexo como nossos ancestrais encarando o monolito de "2001: Uma Odisseia no Espaço". Apanhei algumas vezes para descobrir sozinho o comando gestual para acessar a Central de Controle ou o multitarefas para alternar entre apps.

2001 macacos monolito
Imagem: Reprodução

Mas tentar instalar um aplicativo novo foi o mais dificil. Em uma certa etapa, a tela mostra o seguinte aviso na lateral direita: "Pressione duas vezes para instalar". Como conceitualmente o iPhone X quer que você faça tudo na tela, cliquei em cima da mensagem, dei duplo clique, deslizei de lá pra cá e vice-versa... nada dava certo.

Até que apelei para um tutorial no YouTube e entendi a mensagem: a Apple queria que eu pressionasse duas vezes o botão liga/desliga, que fica de fato na lateral direita do aparelho, mas é, veja só, um botão físico. Uma tremenda contradição. E depois usa o Face ID para enfim baixar o app. Entendo que é por questões de segurança, mas a impressão é que a burocracia aumentou com o iPhone X em vez de reduzir.

Com meus testes, eu já conseguia me virar bem nos gestos, mas fiquei com a sensação de ter sido temporariamente feito de bobo sem que houvesse um motivo real para isso. 

E agora?

É curioso que muito foi dito no lançamento do iPhone 7 sobre o fim da entrada de fone de ouvido. Ou a tela "infinita" com "buraco". Questionaram a eficiência do Face ID no caso do iPhone X. Mas a meu ver, o grande debate a ser levantado no longo prazo no X tem a ver com os gestos. O estranhamento é real: muita gente até devolveu o celular às lojas.

Mas estamos sendo muito duros com a Apple? Historicamente, as apostas da companhia de Steve Jobs e Tim Cook se mostraram certeiras. Desde o primeiro iPhone, as pessoas amam telas touch, e desde o iPhone 7 que está todo mundo criando fones Bluetooth.

As recentes versões Android provaram que a frente do celular realmente não precisa de botões físicos, mas as pessoas ainda gostam de ícones que façam o papel de botão como porto seguro, mesmo que ele consuma uma pequena fração da sua tela ininterruptamente. 

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