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Alô, Disney! Estas tecnologias trariam Carrie Fisher para próximo Star Wars

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

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    Os irmãos Luke (Mark Hamill) e Leia (Carrie Fisher) em "Star Wars: Os Últimos Jedi"

    Os irmãos Luke (Mark Hamill) e Leia (Carrie Fisher) em "Star Wars: Os Últimos Jedi"

Uma das personagens principais da saga "Star Wars", a General Leia Organa era interpretada pela atriz Carrie Fisher, que morreu em dezembro de 2016. Naquele mesmo ano, a Disney incluiu uma versão mais jovem de Leia em "Rogue One".

Com a mesma aparência que tinha em 1977 - quando ainda era "Princesa Leia" e não "General" - a personagem espantou o público pela verossimilhança. A própria Carrie Fisher achou que a Disney usara cenas antigas do primeiro "Star Wars" e ficou impressionada quando soube que era computação gráfica.

Rumores circularam em Hollywood de que Leia teria um papel importante no terceiro e último episódio da nova trilogia espacial e que, com a morte de Fisher, a Disney ficou num dilema: reescrever a história e remover a personagem, dando um final elegante para a líder rebelde, ou recriar as feições da atriz e manter o roteiro intacto?

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Na cena de "Rogue One", a atriz Ingvild Deila interpretou Leia no set e a equipe de pós-produção aplicou um modelo digital do rosto de Fisher sobre o dela, criando uma espécie de "máscara digital" da personagem - como em uma versão mais detalhada do que é feito em videogames atualmente.

Os especialistas da Lucasfilm e da Industrial Light & Magic descrevem a técnica como um "processo bastante trabalhoso e tecnológico de aplicar maquiagem". A recriação da jovem Carrie Fisher envolve também o uso de imagens de arquivo sobrepostas ao rosto da atriz.

Reprodução
Na imagem acima, você pode ver Carrie Fisher como a Princesa Leia em "Star Wars: Uma Nova Esperança" (esq.), e no lado direito, a reconstrução digital da personagem feita em "Rogue One" (dir.)

Essa é uma das técnicas que a Disney poderia usar para inserir a atriz Carrie Fisher em "Star Wars: Episódio IX".

Em uma época em que ferramentas de código aberto permitem que editores amadores insiram rostos de celebridades em filmes pornôs - e com resultados que convencem os espectadores desavisados - imagine o que a maior força do cinema mundial é capaz de fazer.

Confira as principais tecnologias que a Disney poderia usar para inserir Carrie Fisher no "Episódio IX":

  • CGI - Computer-Generated Imaginery: termo que pode ser traduzido como "imagens geradas por computador", é usado para designar qualquer imagem ou animação que não foi gravada por uma câmera e está inserida em um filme, série ou jogo. Animações em CGI são desenhadas diretamente no computador e muitas vezes são sobrepostas aos movimentos de atores reais, no processo chamado de "captura de movimentos". É a técnica usada em muitos games atuais e também em "Star Wars: Rogue One", por exemplo.
     
  • TensorFlow: ferramenta criada pelo Google e disponível em código aberto, o TensorFlow permite a criação e treinamento de redes neurais, para criar e detectar padrões e correlações, de forma análoga a que os seres humanos aprendem e raciocinam. Não é uma técnica de animação por conta própria, mas é usada para treinar computadores que substituem rostos em filmes, buscando em um banco de imagens do rosto desejado os movimentos e reações para cada cena.
     
  • Face2Face: esse software de reconhecimento facial permite editar e manipular as expressões e falas de uma pessoa em um vídeo em tempo real, alterando suas reações e as frases que a pessoa fala. A ferramenta captura as suas falas e expressões em uma câmera e mescla com o rosto da pessoa no vídeo. Seria possível, portanto, alterar cenas já gravadas por Carrie Fisher para se encaixarem no roteiro do próximo "Star Wars".
     
  • Adobe VoCo: apelidado de "Photoshop para áudio", o VoCo permite editar as palavras ditas por uma pessoa e até inserir frases que sequer foram pronunciadas. Para isso, tudo o que o VoCo precisa é de uma amostra de 20 minutos da voz da pessoa. Usar o VoCo é tão simples quanto escrever um texto - o algoritmo da Adobe ajusta a fala ao timbre e sotaque da pessoa. O programa ainda é um protótipo, afinal, há muitas questões éticas envolvidas em liberar uma ferramenta assim para o público em uma época em que as "fake news" se espalham pelas redes sociais.

Apesar de possuir tecnologia para recriar Carrie Fisher digitalmente, a Disney diz que optou por não fazer isso. A participação da General Leia será por meio de cenas que foram filmadas antes da morte da atriz, da mesma maneira que foi feito em "Os Últimos Jedi".

Direitos de imagem

A decisão de não renderizar novamente o rosto de Carrie Fisher sobre o de outra pessoa em "Star Wars" pode ser em parte por respeito à atriz ou por uma questão de direitos de imagem, como aconteceu com a inserção do ator Peter Cushing em "Rogue One". O ator morreu em 1994 e seu personagem, Grand Moff Tarkin, está no filme, com a mesma aparência que tinha no "Star Wars" de 1977 e com muito mais tempo de tela do que a Carrie Fisher digital.

Para incluir a imagem de Cushing no filme, a Disney precisou da aprovação do legado do ator: uma lei californiana de 1985 prevê que os estúdios precisam da aprovação das famílias dos atores e atrizes até 70 anos após suas mortes.

Reprodução
O ator Guy Henry emprestou sua interpretação e movimentos para a recriação de Peter Cushing, o governador Tarkim de "Rogue One".

Vanguarda dos efeitos especiais

"Star Wars" sempre esteve na vanguarda dos efeitos especiais, desde o uso de naves em miniaturas no final dos anos 1970, digitalização de cenários e personagens entre 1999 e 2005 e até mesmo nas melhorias técnicas em cada remasterização e relançamento dos filmes nos anos seguintes.

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  • http://tecnologia.uol.com.br/enquetes/2018/01/03/o-que-a-disney-deve-fazer-com-leia-no-proximo-filme.js

Para inventar novas tecnologias cinematográficas, George Lucas criou as empresas Industrial Light & Magic, THX e a Skywalker Sound. As pesquisas desenvolvidas por essas companhias teve impacto não só em "Star Wars", mas em toda a indústria do cinema: a Pixar nasceu da divisão de computação gráfica da Lucas Films.

Agora que a franquia pertence à Disney, parece não haver limites para o que pode ser feito com "Star Wars" e os filmes recentes são prova disso, seja com as sequencias de batalha espacial de cair o queixo em "Os Últimos Jedi", a perseguição da Millenniun Falcon em "O Despertar da Força" ou com a recriação de Leia em "Rogue One".

Mesmo assim, é bom ver que a Disney não aposta só em computação gráfica para dar vida ao universo de "Star Wars" e mantém a tradição da franquia de misturar cenários, bonecos e itens "de verdade" com as imagens geradas digitalmente: o robôzinho BB-8, a fonte de leite de Luke Skywalker, a própria Millenniun Falcon (que no passado era apenas parcialmente 'real') e um certo boneco sábio e esverdeado em "Os Últimos Jedi" são só alguns exemplos.

Divulgação
Segundo a Disney, há muitas cenas da general Leia Organa que foram gravadas por Carrie Fisher e que serão utilizadas no último episódio da nova trilogia de "Star Wars"

A estreia de "Star Wars: Episódio IX" está prevista para 2019. O próximo filme da saga é "Han Solo: Uma história Star Wars", que contará as aventuras do contrabandista antes dos eventos de "Uma Nova Esperança" e chegará aos cinemas no final deste ano.

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