De olho na segurança

Tenso: estudo alerta que risco de ciberataque em armas nucleares é alto

Do UOL, em São Paulo

  • Wikimedia Commons

    Segurança de armas nucleares é colocada em dúvida por estudo

    Segurança de armas nucleares é colocada em dúvida por estudo

Os sistemas de armas nucleares de países como Estados Unidos, Reino Unido e outros correm um risco "relativamente alto" de sofrerem um ciberataque. A informação aparece em um estudo da Chatham House, organização especializada em pesquisas de assuntos internacionais.

Segundo a pesquisa, a ameaça tem recebido pouca atenção dos envolvidos em planejamento militar nuclear e na aquisição de armas.

Isso vem à tona em um momento em que o mundo vê ameaças tanto da Coreia do Norte quanto dos Estados Unidos com armas nucleares – o presidente norte-americano Donald Trump inclusive citou ter um botão "maior" do que o norte-coreano para disparo.

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A entidade culpa essa falta de atenção por dificuldades dos governos em acompanhar as mudanças do mundo atual, falta de funcionários que entendem do assunto e também lentidão de mudanças institucionais.

A Chatham House lembra que os sistemas das armas nucleares foram criados antes do avanço computacional. Por isso, pouco espaço foi dado ao potencial de vulnerabilidades envolvendo os sistemas.

"Como resultado, a estratégia nuclear atual frequentemente não olha para o uso generalizado da tecnologia digital nos sistemas. A probabilidade de ciberataques em sistemas de armas nucleares é relativamente alta e está em avanço com as ameaças seja de grupos estatais ou não estatais", afirma o estudo.

Exemplos de riscos

A pesquisa cita os relatos de que os Estados Unidos haviam se infiltrado na cadeia de suplemento do sistema de mísseis da Coreia do Norte, contribuindo para a falha de um teste em abril de 2017. Os silos dos misseis balísticos intercontinentais Minuteman, dos EUA, também são considerados particularmente "vulneráveis a ciberataques".

Outros exemplos lembrados são o tráfico ilícito entre a Moldávia e a Geórgia de materiais nucleares e radioativos, um grupo da Bélgica afiliado ao Estado Islâmico que monitorava os movimentos de um cientista nuclear e mísseis alemães que teriam sido hackeados em 2015.

"Tem várias vulnerabilidades pelas quais alguém malicioso pode se infiltrar em armas nucleares sem o conhecimento do Estado. Erro humano, falhas de sistemas, vulnerabilidades no design e falhas na cadeia de suprimento representam um problema comum de segurança em sistemas de armas nucleares", aponta o relatório.

Problemas militares para cuidar do assunto também foram criticados pelo estudo. Os autores chegaram a citar o novo porta-aviões britânico, que aparentemente usava em sua sala de controle o mesmo sistema desatualizado do Windows que acabou envolvido na falha de ransomware  WannaCry na metade do ano passado.

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