Sacanagem! Conferência de bitcoin aluga clube de strip-tease e se arrepende

Lily Katz

Da Bloomberg

  • Jorge Corrêa/UOL

A North American Bitcoin Conference encerrou 10 horas de discursos convidando os 5.000 participantes para o que chamou de festa para fazer contatos (networking party). "Foi um dia longo", dizia a descrição. "Venha conosco ao E11even para fazer alguns contatos e R&R. Ou para dançar."

A agenda não mencionava que o evento de networking seria realizado em um clube de strip-tease de 1.850 metros quadrados em Miami, elogiado nos sites de resenhas pelas acrobacias aéreas e por uma atitude relativamente permissiva em relação aos toques físicos.

Durante o encontro, garçonetes com tops reveladores e lingerie serviram drinques e quando o evento tecnicamente acabou, às 23:00, muitos participantes continuaram com seus crachás da conferência e seguiram se divertindo.

"Nós somos um grupo de caras na casa dos vinte anos com muito dinheiro. Gostamos de garotas nuas", disse Jeff Scott, um trader de criptomoedas de Nova York.

Ele conseguiu uma mesa para 12 pessoas com o analista de um hedge fund e os diretores de duas startups e disse que para ele a noite não foi muito diferente de uma típica noite em um clube de strip-tease. "Se você não gosta, tudo bem, mas não pode esperar que a gente deixe de gostar."

Nem todo mundo concorda com isso. Assim como aconteceu antes deles com os magos das finanças e com os empreendedores da tecnologia, os primeiros entusiastas da criptomoeda enfrentam expectativas mais convencionais de decência e decoro.

O CEO da Dash Core Group, patrocinadora corporativa do evento, disse que não sabia que o lugar era um clube de strip-tease e que ficou "profundamente decepcionado". Várias mulheres que participaram da conferência disseram que se sentiram pouco à vontade na festa; muitas preferiram não ir.

'Um erro'

Moe Levin, CEO da Keynote, que organizou a conferência, em um primeiro momento defendeu o lugar escolhido, que descreveu como "o cenário ideal para fazer contatos". As apresentações de mulheres nuas foram suspensas até as 23h e se depois o lugar se tornou pouco confortável para alguém, não foi culpa da conferência, disse ele em entrevista por telefone.

Poucas horas depois, ele voltou atrás em suas declarações, uma demonstração em tempo real das dores de crescimento dessa indústria emergente. "Organizar a festa de networking no E11even foi um erro", escreveu ele por e-mail. "Sempre procuramos ser inclusivos e criar um ambiente seguro."

A Keynote também tomará medidas para melhorar o equilíbrio de gênero na conferência do próximo ano, começando por convidar mais mulheres para falar em painéis. Neste ano, 85 dos 88 slots para apresentadores foram preenchidos por homens, de acordo com uma lista publicada na internet.

Os primeiros tempos das criptomoedas foram dominados quase exclusivamente por homens, mas isso está mudando, mesmo que lentamente. Em 2015, uma pesquisa indicou que mais de 90% dos usuários de bitcoin eram homens; um ano depois, outra pesquisa estimou a proporção em cerca de 87%.

Depois, a disparada dos preços do ano passado transformou o bitcoin em um investimento mais generalizado e uma pesquisa realizada em janeiro concluiu que os homens representavam 71% dos usuários nos EUA.

"A festa foi uma mensagem para as mulheres de que 'Tudo bem, mas este não é o lugar de vocês", disse Zineb Belmkaddem, uma trader de criptomoedas de Washington, que pagou cerca de US$ 1.000 para participar da conferência e que não foi à festa. "É um clube do Bolinha."

--Com a colaboração de Max Abelson e Peter Eichenbaum

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