Estudo tenta explicar por que mulheres motoristas da Uber ganham menos

Victor Ferreira

Do Gamehall

  • Getty Images/iStockphoto

    Mesmo com sistema de gênero neutro, mulheres ainda recebem menos

    Mesmo com sistema de gênero neutro, mulheres ainda recebem menos

Mesmo em um ambiente movido por algoritmos que não são programados para distinguir gêneros, as mulheres ganham remunerações menores. A conclusão é de um estudo da Universidade de Stanford, nos EUA, que analisou os dados de quase 2 milhões de motoristas da Uber entre janeiro de 2015 e março de 2017.

O levantamento surpreendeu os pesquisadores ao mostrar que as motoristas ganham 7% menos do que homens, embora não exista qualquer discriminação de salário por gênero vinda do aplicativo de transporte.

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"Este resultado é um tanto surpreendente, porque a Uber usa um algoritmo que não detecta gêneros, e motoristas recebem de acordo com uma fórmula transparente baseada no tempo e distância das viagens", diz um resumo do estudo publicado no site Medium (em inglês).

Tanto a média de avaliação de motoristas por passageiros quanto as taxas de cancelamento são relativamente iguais para ambos os sexos, então não havia uma evidência clara para a discriminação.

Uma análise mais aprofundada dos dados, no entanto, mostrou que a diferença na remuneração está associada ao fato de que os homens costumam dirigir mais rápido do que as mulheres --o que acaba afetando significativamente os ganhos.

"Quando analisamos a velocidade de motoristas de Uber como uma função de gênero, experiência, e tempo/local, descobrimos que homens dirigem 2,2% mais rápido do que mulheres", indica o estudo.

Além disso, eles costumam adquirir mais experiência, porque dominam o setor. Sabem, por exemplo, quais locais são os melhores para encontrar passageiros mais rapidamente.

"Mesmo no simples processo de uma viagem de passageiro, experiências passadas são valiosas para motoristas", diz a pesquisa. "Alguém com mais de 2.500 viagens completas em sua carreira ganha 14% a mais do que alguém que completou menos de cem viagens no seu tempo com a plataforma", diz o documento.

"Motoristas homens acumulam mais experiência que mulheres por dirigir mais a cada semana e ser menos provável que deixem de dirigir para Uber [para realizar outras tarefas]", continua.

O estudo completo (em inglês) pode ser conferido por aqui.

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