Veja quatro usos catastróficos da inteligência artificial no futuro próximo

Márcio Padrão *

Do UOL, em São Paulo

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A inteligência artificial (IA) está nos cercando por todos os lados. Está nos assistentes virtuais do celular, nos chatbots do Facebook, nos robôs humanoides em desenvolvimento, como Sophia. Mas em breve pode também gerar máquinas assassinas e epidemias de vírus de eletrônicos nunca antes vistos.

Especialistas internacionais alertam no relatório "The Malicious Use of Artificial Intelligence: Forecasting, Prevention, and Mitigation", publicado nesta quarta-feira (21), sobre os riscos da inteligência artificial por parte dos "Estados corruptos, de criminosos ou de terroristas" em um futuro próximo.

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A inteligência artificial, surgida nos anos 1950, se baseia em algoritmos sofisticados e reconhecimento de dados que permitem resolver diversos problemas ou criar facilidades para o ser humano. Entre suas possíveis benesses, vai desde diagnósticos médicos automatizados e sistemas de táxi mais eficazes a até brincadeiras de gosto duvidoso com suas fotos do Facebook.

Já os pessimistas, como os deste relatório, temem o uso errado da IA na próxima década para reforçar a cibercriminalidade e conduzir ao uso de drones ou robôs com fins terroristas. 

Ela poderia também ampliar a manipulação de eleições através das redes sociais mediante contas automatizadas (bots), algo mais radical do que aconteceu entre a Rússia, o Facebook e a eleição de Donald Trump em 2016.

O informe de 100 páginas foi redigido por 26 especialistas em IA, cibersegurança e robótica de universidades como Cambridge, Oxford, Yale e Stanford, além de organismos não governamentais (OpenAI, Center for a New American  Security, Electronic  Frontier  Foundation).

O objetivo dos especialistas é pedir aos governos e demais envolvidos que criem mecanismos para limitar as possíveis ameaças relacionadas com a inteligência artificial.

Veja alguns cenários catastróficos da pesquisa:

Reprodução/pocket-lint

Fraudes mais inteligentes

Um administrador do sistema de segurança automatizado de um edifício vê no Facebook um anúncio para um modelo de trem e o baixa para o computador. O arquivo está infectado com "malware" que permite que os hackers obtenham suas credenciais para a segurança do edifício. Onde entrou a IA? Ela descobriu os detalhes do que o funcionário publicou no Facebook, do seu gosto por trens e projetou a fraude apenas para ele. 

Reprodução

Uma epidemia de vírus eletrônicos

Hackers desvirtuam o aprendizado de máquina usado para defender sistemas e o adaptam para criar um malware que gera invasões na máquina de modo contínuo e acelerado. Milhões de vítimas são obrigadas a pagar resgates para recuperar seu conteúdo. O malware adota um ciclo de vida de infectar um dispositivo vulnerável em uma rede Wi-Fi e espera para outros aparelhos vulneráveis se juntarem a essa rede.

Divulgação

Robôs assassinos

Um robô de limpeza infiltra-se em um órgão do governo, como um ministério, misturando-se a máquinas legítimas que retornam ao prédio depois de uma operação ao ar livre. No dia seguinte, o robô executa tarefas de limpeza de rotina, identifica o ministro com reconhecimento facial, aproxima-se dele e detona uma bomba escondida dentro de si.

Reprodução

"Minority Report" da vida real

Um homem está furioso com o governo. Inspirado por notícias, ele escreve postagens inflamadas na internet e se torna cada vez mais determinado a fazer algo. No dia seguinte, os policiais aparecem em seu escritório e informam que seu "sistema preditivo" o identificou como uma ameaça potencial, sendo preso.

O relatório cita outras ameaças possíveis, como maior ocorrência de ataques com "botnets" (redes computadores escravizados) que realizam ataques em massa do tipo DDoS para derrubar sites, fraudes em larga escala contra pessoas mais ricas, notícias falsas mais convincentes e ataques de drones em massa controlados por uma única pessoa.

* Com agência AFP

Cidadã e atração de TV, Sophia é a robô mais popular da atualidade

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