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Boatos de WhatsApp sobre febre amarela no Brasil viram notícia na gringa

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

Lá fora já perceberam como pode ser problemática a relação dos brasileiros com o WhatsApp. Reportagem recente da Wired, uma das mais importantes publicações do mundo da ciência e tecnologia, mostrou como o mensageiros é usado para espalhar boatos e as consequências das notícias falsas para a saúde pública do Brasil. Sim, estão falando da febre amarela.

Em "When WhatsApp's Fake News Problem Threatens Public Health" (Quando o Problema das Notícias Falsas no WhatsApp Ameaça a Saúde Pública), a escritora Megan Molteni, especialista em assuntos científicos, traz um breve panorama de como a febre amarela se espalhou rapidamente pelo país, infectando mais de 1.500 pessoas e matando quase 500. E completa:

A única coisa que se espalha mais rápido [que a doença] é a desinformação sobre os perigos de uma vacina contra a febre amarela - bem a coisa que poderia impedir o avanço do vírus. E em nenhum outro lugar está se espalhando mais mais rápido que no WhatsApp.

Boatos envolvendo reações fatais à vacina, uso de mercúrio e conspirações governamentais surgem e são propagados em uma velocidade alarmante, conta ela aos desavisados, explicando que o serviço de mensagens é usado por 120 milhões dos cerca de 200 milhões de brasileiros.

"Como requer poucos dados, o WhatsApp é especialmente popular entre as pessoas de renda média e baixa, muitas das quais dependem dele como principal plataforma de consumo de notícias", diz, dando a dimensão do problema. "Enquanto as autoridades de saúde do país se esforçam para conter o pior surto em décadas, a troca de informações falsas via WhatsApp ameaça passar de desestabilizadora para mortal."

Molteni cita casos que já devem ser bem conhecidos para quem mora por aqui: a mensagem de áudio de uma suposta médica em um conhecido instituto de pesquisa advertindo que a vacina é perigosa (o instituto negou que a gravação veio de seus funcionários), a história de um universitário que teria morrido após tomar a vacina (que também foi desmentida), o vídeo que diz que a vacina é uma fraude para reduzir a população mundial ou um plano maligno dos illuminatis.

"Esses vídeos são muito sofisticados, com boa edição, depoimentos de especialistas e experiências pessoais", tenta explicar Igor Sacramento, pesquisador da Fiocruz, à reportagem.

Quando as pessoas compartilham esses vídeos ou notícias nas suas redes sociais, como mensagens pessoais, muda o poder de convenciomento, analisa Molteni. "Estamos passando de uma sociedade que experimentou a verdade baseada em fatos para uma sociedade baseada em sua experiência de verdade", já que pessoas são mais propensas a acreditar rumores de familiares e amigos.

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