Sabe aquela encomenda feita na China? Correios querem o fim do frete barato

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Reprodução/nerdsmagazine

    Correios querem acabar com os chamados "camelôs eletrônicos"

    Correios querem acabar com os chamados "camelôs eletrônicos"

Quem costuma fazer encomendas em sites chineses, como o AliExpress, poderá ter uma surpresa pouco agradável em breve. O presidente dos Correios, Guilherme Campos, disse ao jornal Valor Econômico, que a empresa não está nada satisfeita de perder cerca de R$ 1 bilhão por ano com essa farra dos pacotes sem registro. 

Segundo Campos, os Correios daqui acabam subsidiando indiretamente os fornecedores chineses.

Funciona assim: as lojas online de lá usam serviços postais baratos, chamados de "pequenas encomendas simples", para conseguir oferecer frete grátis ou frete a US$ 1, por exemplo. Com isso, os pacotes chegam por aqui sem código de rastreamento, em embalagens com etiquetas fora do padrão e sem o CEP em código de barras.

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São 300 mil encomendas do tipo por dia enviadas ao Brasil, e o resultado é que esses pacotes precisam passar por triagem manual -- ou seja, geram um alto custo com mão de obra, que não é pago por quem envia ou recebe.

Pelos cálculos dos Correios, caso o envio fosse correto, por encomenda registrada, a empresa receberia R$ 15 por pacote.

Além disso, essas lojas chinesas também têm como prática utilizar pequenos pacotes, mesmo em compras de lotes, numa manobra para evitar a cobrança de impostos alfandegários quando chegam no Brasil.

Essa modalidade, que o presidente dos Correios chama de "camelô eletrônico", sobrecarrega os centros de distribuição da empresa brasileira, gerando atrasos e reclamações dos clientes --o serviço postal brasileiro não é o único a ter os chineses na mira, a mesma reclamação já rolou nos EUA.

Por ora, a única ação programada pelos Correios é uma aproximação com o governo chinês para debater o problema e tentar convencer os vendedores do país a enviarem encomendas dentro do padrão.

Mas outra iniciativa, que não deverá agradar os compradores, é adotar um sistema no qual o destinatário pagaria pelo frete no momento de entrega da encomenda. E a previsão é que isso passe a ocorrer ainda este ano.

Reprodução
O frete barato é um dos grandes atrativos usados pelos sites chineses para atrair clientes brasileiros.

Para se ter uma ideia, a loja oficial da Huawei na AliExpress vende o celular topo de linha Mate 10 Pro por US$ 862,59, mas cobra apenas US$ 2,63 para mandar o produto para o Brasil --segundo a loja, com direito a código de rastreamento.

Não raro, lojas sequer cobram pelo frete para o exterior, apelando para serviços desconhecidos e sem opção de rastreamento. Em geral, encomendas da China têm prazo de entrega de 40 a 60 dias, mas algumas podem demorar até três meses para chegar por aqui.

Arte/UOL

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Alguns vendedores te dão a opção de usar empresas de frete como a DHL, mas o preço aumenta substancialmente --UOL Tecnologia simulou a compra de um fone de ouvido de US$ 8 e, usando empresas conhecidas, o custo do envio seria de US$ 33,16, tornando a compra quase proibitiva.

Outros sites de comércio eletrônico, como a Amazon norte-americana, até entregam alguns produtos para o Brasil. A diferença no trâmite, porém, é significativa: a simulação de compra de um cabo HDMI de US$ 10 envolvia a cobrança de US$ 8,33 de frete e mais US$ 17,43 de taxas de importação, cobradas previamente.

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